Blog do Brown

Informação

Neguinho do Samba

O ano era 1979, ditadura militar jogando duro e o Olodum surgindo para a história da cultura dessa cidade que não para de criar. Neguinho, ainda não era do Samba, junto com outros integrantes da associação que anos depois seria famosa internacionalmente, batia um papo com os estudantes de Vitória da Conquista, moradores da residência onde hoje é o Hotel Solara, ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. É dali que me vem as lembranças do Neguinho do Samba. Neste blog a homenagem à sua trajetória – espalhando música na crueza social e política para sair da exclusão – que alegrou muita gente.

A homenagem inclui texto do jornalista César Rasec, feita originalmente no BahiaJá. Por fim, Michael Jackson, o gênio do pop-rock, nos arranjos musicais do Olodum de Neguinho do Samba.

Neguinho do Samba - cortejo - I - 031109 - 300

Cortejo de Neguinho do Samba reúne músicos do Olodum e do bloco afro Ylê Aiyê no Pelourinho, em Salvador (Foto: Edgar de Souza/Divulgação) – em 03 de novembro de 2009

O eterno e genial batuque de Neguinho do Samba

César Rasec

Dos sons tirados nas bacias de dona Nilza, sua mãe, à fama internacional, o maestro ritmista Neguinho do Samba conseguiu por meio da música, especialmente do samba-reggae, mostrar que é possível ser destacado ator social sem dar as costas para o espaço urbano local.

Neguinho do Samba - com cover de Michael Jackson - 08-2009

Neguinho do Samba (dir.) comanda o Olodum – com um cover de Michael - durante homenagem feita no Pelourinho, em Salvador, em agosto deste ano, após a morte de Michael Jackson (Foto: Edgar de Souza/Divulgação)

E assim ele fez em vida, no Pelourinho, reduto do Olodum. Mas a sua história não fica restrita ao Olodum. Rapaz irrequieto, transitou pelas baterias dos blocos de índio Comanches e Apaches do Tororó. Eram tempos de dificuldades, de boemia, de sonho, de busca por uma identidade cada vez mais baiana. O sonho era viver de música.

Leia mais…

Novembro 4, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | 2 Comentários

Acompanhe no Twitter

Novembro 2, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | Sem comentários ainda

Concurso para gari no Rio de Janeiro tem candidato até com doutorado

Na semana passada, me chamou muito a atenção a notícia sobre o concurso para garis no Rio de Janeiro.

Com inscrições abertas desde o dia 7 de outubro, o concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio de Janeiro atraiu124 mil candidatos; quase 1,2 mil têm nível superior completo; 86 têm pós-graduação; 24, mestrado e 50, doutorado.

O concurso exige apenas o quarto ano do ensino fundamental e o salário é de R$ 486 mais tíquete-alimentação, plano de saúde e vale transporte.

Veja a reportagem na Globo Notícias

Novembro 2, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | Sem comentários ainda

Rio de Janeiro

Uma viagem pelo Rio de Janeiro, que sediará os Jogos Olímpicos de 2016. Das 1.020 favelas da cidade, 470 estão nas mãos de bandidos. Percorrê-las não é fácil. O acesso por vielas, a topografia montanhosa e a alta densidade populacional transformaram as favelas em trincheiras. E o fator principal que leva à violência desenfreada na Cidade Maravilhosa: na cidade – não é no Estado do Rio não – são vendidas 20 toneladas de cocaína por ano, comércio que produz 300 milhões de reais e financia a corrida armamentista das quadrilhas que disputam territórios a bala. Se o consumo não cai, tudo que é bancado pelos consumidores se mantêm. Leia mais…

Novembro 2, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | Sem comentários ainda

“Substitutos” repete fórmula de sucessos

Substitutos, com Bruce Willis, um filme que confirma a máxima de Hollywood: escreva sempre o mesmo roteiro de sucesso, e obtenha… Sucesso! Mas não é ruim como entretenimento não. A história, batida, é bem contada. Você vai se lembrar de A Ilha; Eu, Robô e outros, mas vale à pena. Bruce está muito bem e todos os surrogates dão conta do recado.

 

Novembro 2, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | Sem comentários ainda

Matos homenageia a Tribuna, que completa 40 anos

A Tribuna da Bahia está completando 40 anos de fundação. Para um jornal do Nordeste, que enfrentou todo tipo de ameaça durante a ditadura militar, esta data – redondinha como uma reportagem bem feita – merece nossos aplausos e bravos! Antônio Matos, que iniciou sua carreira por lá, na Escolinha da TBa, dirigido por Quintino de Carvalho, presta sua homenagem a quem lhe deu régua e compasso. Um privilégio para todos nós. Boa leitura:

AO MESTRE, COM CARINHO

Por Antônio Matos

Tudo que sei no jornalismo, devo a Quintino de Carvalho, um mago na arte de escrever, um profissional incontestável, dotado de uma percepção e de uma sensibilidade extraordinárias, próprias de um repórter. Ex-comunista, inteligente, sério, de hábitos simples e muito culto, Quintino, nascido em Itiúba, começou na imprensa escrevendo em “O Momento”, jornal baiano de linha marxista.

No Rio de Janeiro, para onde fora ainda bem jovem, trabalhou na “Tribuna da Imprensa”, com Carlos Lacerda, no “Jornal do Brasil”, participando, como chefe do Copy Desk, da equipe de Odylo Costa, filho, que ali promoveu uma reformulação gráfica e editorial, na revista Manchete e na Dênison Propaganda.

Retornou a Salvador, trazido por Lelivaldo Brito, presidente do Baneb, para assumir a Assessoria de Imprensa daquele estabelecimento bancário, quando foi cooptado pelo empresário Elmano Castro, para montar e dirigir a Tribuna da Bahia.

Determinados, Elmano e Quintino tinham a mesma proposta: fazer um jornal moderno, na forma (com uma composição a frio e uma impressão colorida e em off set) e no conteúdo (com um texto leve, direto, sem os chavões nem as formalidades da mídia impressa tradicional).

Foi neste contexto que, com 20 anos, cheguei, por indicação de Pedrinho Formigli, em junho de 1968, à redação da Escolinha TB, instalada em duas ou três salas no edifício Banpolar, perto da Associação Comercial da Bahia, no Comércio.

A escolinha era, em tese, um jornal, com pautas e coberturas, onde jovens – em sua maioria, estudantes de Comunicação Social e de Direito – se transformavam em redatores e repórteres, sob a liderança de Quintino e a orientação de um rígido manual de redação, elaborado por ele e seguido à risca por todos.

Na verdade, tratava-se de uma oficina para capacitar o pessoal que iria trabalhar futuramente na Tribuna, que seria inaugurada no primeiro semestre de 1969, não fosse uma demorada greve de estivadores no porto de New York, que atrasou a chegada a Salvador do moderno maquinário do jornal, importado dos Estados Unidos. L

ouco por futebol, convicto torcedor ypiranguense, razoável zagueiro de área do juvenil do Vitória e iniciante repórter esportivo da Rádio Cruzeiro, só poderia mesmo me habilitar a ser jornalista na área de Esportes.

Lá, já encontrei o então estudante de Direito e bancário Roberto Pessoa – atual desembargador federal do Trabalho e ex-presidente do TRT/BA – e que viria a se tornar um dos meus melhores amigos, e o aluno do curso de Jornalismo e representante comercial Eliezer Varjão, a quem já conhecia do bairro da Saúde, onde nasci e me criei.

TESTE DE FOGO

No primeiro dia de trabalho, a tarefa era levar um texto com a cobertura do jogo Galícia x CSA, na Fonte Nova, realizado na noite anterior e válido pelo Torneio Nordestão, para as devidas correções de Quintino.

Como era um dos últimos a apresentar a matéria, pude ouvir, com nitidez, meus antecessores serem advertidos por utilização de termos, como peleja, porfia, redonda, pelota, e de expressões, a exemplo de véu da noiva e apagar das luzes, considerados palavrões pelo Manual de Redação. Sorrateiramente, recolhi meu texto, onde chamava ridiculamente o estádio da Fonte Nova de “o maior do Norte-Nordeste do País”, trocava Galícia por “Granadeiros da Cruz de Santiago” e insistia em substituir Alagoas por “Terra dos Marechais”, jargões inaceitáveis pela bíblia quintiniana.

Um aprendizado diário na Escolinha TB. Os Garotos de Quintino, como éramos carinhosamente – e também pejorativamente – chamados, já estavam suficientemente preparados, como profissionais da imprensa, quando ficou definido o dia 21 de outubro de 1969 para o lançamento do jornal.

Com o remanejamento de Marco Rossini, ainda durante a fase de treinamento, para uma das secretarias da Redação, fui escolhido para assumir a Editoria de Esportes. Na minha equipe de repórteres, além de Roberto Pessoa, Wellington Cerqueira e José Augusto Oliveira, hoje conceituados advogados, Paulinho Brandão, jornalista consagrado no setor de automobilismo, e Jaílson Farias, um ativo repórter que a Engenharia impediu que continuasse atuando na mídia.

Em seguida, Aécio Pamponet, com seus textos inteligentes, irônicos e criativos, se juntaria ao grupo.

NOME DE RUA

Muito mais do que nome de rua – localizada no aprazível Jardim Apipema, no bairro nobre do Chame-Chame, em Salvador – o jornalista Joaquim Quintino de Carvalho Filho, morto precocemente, em 1971, aos 42 anos, vítima de um agressivo câncer de pulmão, com metástase no cérebro, merecia outras homenagens da Bahia, pelo muito que representou para a imprensa brasileira.

Dentre as suas inúmeras qualidades, teve a coragem de, com o aval de Elmano Castro, montar um jornal sem medalhões, mas em condições de disputar o mercado baiano, em igualdade de condições, com os vespertinos “A Tarde” e “O Estado da Bahia” e com os matutinos “Jornal da Bahia” e “Diário de Notícias”, seus concorrentes de então.

Para não perder o costume, vou empregar um linguajar típico dos cronistas esportivos, para afirmar que ele foi um vitorioso, com um time formado nas divisões de base.

Que me perdoem Dr. Jorge Calmon e Dr. Cruz Rios, João Carlos Teixeira Gomes e Heraldo Mattos, que formaram gerações de talentosos jornalistas em “A Tarde”, no “Jornal da Bahia” e no “Diário de Notícias”, que me desculpem também Samuel Celestino, o melhor texto das mídias impressa e eletrônica nordestinas, Levi Vasconcelos, Antônio Risério, Demóstenes Teixeira, Paulo Sampaio, Jânio Lôpo, Tasso Franco, Ivan Carvalho e Zé Barreto de Jesus, brilhantes articulistas baianos, mas o Mestre Quintino era um jornalista completo e, por isso mesmo, imbatível.

Antônio Matos, jornalista e delegado de Polícia, foi o primeiro editor de Esportes da Tribuna da Bahia.

Capa da Tribuna da Bahia em 21 de outubro de 1969

Capa da Tribuna da Bahia em 21 de outubro de 1969

AS MÁXIMAS DE QUINTINO

Honesto, exigente, espirituoso, irônico, cuidadoso, bem humorado, 100% profissional. Era assim Quintino de Carvalho, na chefia da Redação da Tribuna da Bahia, desde a Escolinha TB, em meados de 1968, até 1971, quando um câncer o matou precocemente aos 42 anos.

Eis aqui, algumas de suas máximas: 

“Repórter não pode morar em Itapagipe”, dirigindo-se ao repórter de Política, Ivan Carvalho, que chegara atrasado para uma pauta e no tempo em que Itapagipe era longe.

“Osório Villas-Boas não é o homem mais importante do futebol baiano  ? Então, vocês precisam ter o telefone da casa do Osório, do escritório do Osório, do quebra faca do Osório, da amante do Osório…”, durante uma reunião com os integrantes da Editoria de Esportes, numa época em que não existia celular.

”Lázaro não está doente, Lázaro fica enfermo”, criticando a maneira formal do Editor de Fotografia, Lázaro Torres, falar.

“Quem é o Nininho do dia?”, perguntando quem era o repórter que estava substituindo Antônio Matos – cobrindo o treinamento da Seleção Brasileira, no Rio – na chefia da Editoria de Esportes, numa escala de revezamento emergencialmente criada.

“Ninguém sabe, com precisão, quando se usa vírgula e quando se usa ponto e vírgula. Portanto, a partir de hoje, nossos textos não terão mais ponto e vírgula”, falando para os alunos da Escolinha TB.

“Porra de via de regra. Pelo que sei, meu filho, via de regra é vagina”, irritado com a insistência de um repórter em colocar nas matérias termos e expressões não permitidos pelo manual de Redação e num período em que regra era sinônimo de menstruação.

“O burro é ele e já está identificado”, extremamente contrariado com um repórter policial, que narrara o atropelo de um burro e, em vez de escrever que não se sabia de quem era o animal, colocara que “até então, o burro não fora identificado”.

“Nosocômio um cacete. Se minha mãe adoecer, eu não vou querer interná-la em nenhum nosocômio”, reclamando de um outro repórter da Editoria de Polícia, que teimava em chamar hospital de nosocômio.

“Paulinho, você que é poliglota, vá resolver este problema, porque este alemão, que veio instalar a rotativa, arranha um inglês e os peões daqui da oficina mal português falam”, determinando que o repórter esportivo Paulo Brandão, que sabia bem inglês, servisse de intérprete para o técnico estrangeiro, que viera montar o maquinário importado pelo jornal.

“Vou ficar muito aborrecido se você me chamar de ancião, quando eu envelhecer. Bote na cabeça que, num texto jornalístico, velho é velho ou, no máximo, velhinho, jamais idoso ou ancião”, advertindo um recalcitrante repórter da Geral.

“Puta que pariu… Você vai fazer a cobertura de uma passeata desta e não coloca uma linha sequer sobre o quebra-quebra da Polícia com os estudantes, na Ladeira de São Bento”, apontando, para um iniciante repórter da Geral, onde deveria estar o lead da matéria.

“A noiva do Jaílson é colega de trabalho da Dona Amenaide, mãe do Wellington. Imagine que idade tem esta moça”, surpreso com a informação de que o repórter Jaílson Farias estava definindo a data do casamento. 

“Cadê Cavalão ? Será que foi preso de novo ?”, preocupado com a ausência na Redação de Zé Sérgio Gabrielli, editor de Economia e hoje presidente da Petrobras, ativo participante do movimento estudantil no final dos anos 60 e início dos 70 do século passado.

“Precisamos acabar com este provincianismo de, aqui na Bahia, se chamar todo mundo de doutor. Nos textos da Tribuna, somente terá tratamento de doutor o médico e, mesmo assim, se ele estiver no exercício da profissão”, orientando os alunos da Escolinha TB, numa época em que poucos brasileiros tinham curso de doutorado.

“Se o jornal sair hoje, amanhã a gente representa na Justiça contra Carlinhos, para ele dizer os nomes dos cronistas esportivos que estão em seu bolso”, demonstrando que a Tribuna da Bahia não seria omissa em relação às comentadas declarações do presidente da Federação Baiana de Futebol, Carlos Alberto de Andrade, de que tinha jornalista da área de Esportes na folha de pagamento da entidade.

(Frases resgatadas por Antônio Matos e Paulo Brandão, jornalistas fundadores da Tribuna da Bahia e que trabalharam com Quintino de Carvalho).

Outubro 26, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | 1 Comentário

Um livro e dois filmes

Rolling Stone - as melhores entrevistas da revista

Uma dica para quem gosta de ler e de perceber as boas técnicas de entrevista: quando tiver um tempinho livre leia “As melhores entrevistas da Rolling Stone. Ali, você tem Bob Dylan, Clint Eastwood, Mick Jagger, Francis Ford Coppola, Bono Vox, Bill Clinton, Ray Charles, Neil Yong, Keith Richards, Axl Rose, George Lucas, Ozzy Osbourne e muitos outros. Excelente. 

A outra dica é de cinema. Na verdade, são duas sugestões de cinema de alta qualidade. Você pode ver Bastardos Inglórios, com Quentin Tarantino homenageando o faroeste, a comédia, O Poderoso Chefão e mesmo assim fazendo um filme de guerra original, no qual judeus tiram o couro, literalmente, dos nazistas. Confira o trailler.

E arrume tempo, mas arrume mesmo, para ver Distrito 9. Quem já era grandinho nos anos 80 e leu uma ou outra vez a revista Terceiro Mundo jamais esquecerá dos horrores do apartheid na África do Sul. Com direção de Neill Blomkamp e produção de Peter Jackson, Distrito 9 é um soco no estômago dos acomodados. Veja o trailler.

Outubro 25, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | Sem comentários ainda

Presidente da Assembleia retira projeto vergonhoso

Deputado Marcelo Nilo disse que não havia força humana para mudar sua ideia, mas depois viu que seu poder não é tão grande

Deputado Marcelo Nilo disse que não havia força humana para mudar sua ideia, mas depois viu que seu poder não é tão grande

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo (PDT) afirmou que a não apresentação da PEC para aposentadoria vitalícia (com salário de R$ 12 mil mais seguranças e PMs para o resto da vida) de ex-chefes do Executivo baiano foi, também, um pedido do governador Jaques Wagner. “Para preservar a Casa resolvi não apresentar a proposta que, reitero, não é de minha autoria. O presidente da Assembleia não pode elaborar projeto. Este a mim foi apresentado por cinco deputados (três da base e dois da oposição), mesmo assim defendo e estou convencido de que é correto. Mas, o governador também me pediu para não apresentar a PEC”, disse Marcelo Nilo. O deputado disse ainda que o projeto fica arquivado, mas pode ser reapresentado, um dia, por outro parlamentar. E não revelou quem são os co-autores do tão malfadado projeto.

Ou seja, a ameaça continua viva. É preciso continuar atento.

Leia mais:

Nilo atende pedido de Wagner

Presidente da Assembleia vai arquivar PEC

Oposição cobra divulgação dos autores do PEC da Aposentadoria Precoce

Marcelo Nilo, pressionado, recua de PEC que dava aposentadoria a ex-governadores

Outubro 19, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | 2 Comentários

Pensão vitalícia para governador. E só precisa cumprir dois anos do mandato

Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia

Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia

Marcelo Nilo, é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia. Era do PSDB, mas para ficar mais à vontade na base do governo de Jaques Wagner trocou de partido, agora é do PDT. É dele a autoria do indecente e imoral projeto de emenda constitucional que dá pensão vitalícia a ex-governadores.

E, detalhe importante: para garantir a pensão basta cumprir metade do mandato. Com dois anos, o governador já garante um soldo de 12 mil reais até o fim da vida. Num país em que as aposentadorias de quem trabalhou 35, 40 anos não conseguem cobrir o que se chama de viver decentemente.

É vergonhoso, não? Gostaria de ouvir os reclames de artistas, estudantes, jornalistas. Mas até o momento as críticas só aparecem em alguns blogs, sites (como Bahia Notícias) e nos programas popularescos de TV e rádio.

As figuras com status de intelectuais não falam no assunto, assim como não falam nos erros do governo federal.

A cidadania requer a manutenção do senso crítico. Não é porque colaborou para colocar no poder o atual governo que deve-se tapar boca, nariz e ouvidos para os erros dos governantes.

Felizmente, as reclamações dos populares acenderam a luz – 2010 é ano eleitoral – no antes silencioso governador (silêncio entendido como apoio ao projeto), que hoje já sinaliza para o Marcelo Nilo deletar o tal projeto.

Esses políticos…

Outubro 16, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | 3 Comentários

Adjetivar o ladrão do ENEM, por quê?

A prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi levada da gráfica Plural na cueca de um dos funcionários da Cetro, uma das três empresas do consórcio Connasel, responsável pela aplicação do exame, segundo afirmação da Polícia Federal. O furto dos cadernos um e dois da prova do Enem aconteceu em dias diferentes.O primeiro caderno foi levado no dia 21 de setembro por Felipe Ribeiro após sugestão de outro funcionário da Cetro, Felipe Pradella, mentor do esquema. Ribeiro foi até o local em que o teste ficava, escondeu a prova na cueca e foi embora. Essa a história.

Esquisito é adjetivar o ladrão como capoeirista, como a Globo – em rede nacional - e a Tribuna da Bahia, em Salvador. Leia o texto de Ludmilla Duarte, jornalista, correspondente de A Tarde, em Brasília:

Felipe Pradella, que tentou vender prova do Enem para repórteres por R$ 500 mil; ele e outras quatro pessoas foram indiciadas (Foto por José Patrício/Agência Estado)

Felipe Pradella, que tentou vender prova do Enem para repórteres por R$ 500 mil; ele e outras quatro pessoas foram indiciadas (Foto por José Patrício/Agência Estado)

O ladrão do ENEM é capoeirista. E daí?

por Ludmilla Duarte

A julgar pelo noticiário de hoje (5), parece que o grupo Globo decidiu recuar 80 anos no tempo e fazer a Capoeira retornar à condição de prática proibida. A insistência beirou o surreal. O Globo on line anunciava, logo após o depoimento de Felipe Pradella: “Capoeirista confessa roubo das provas do ENEM”. O Jornal Nacional também frisou a qualificação em rede nacional na voz de Fátima Bernardes. Alguém me responda: o que tem o cós a ver com as calças? Por acaso o rapaz, de 32 anos, subtraiu da gráfica para a qual trabalhava a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) numa espetacular ação que envolveu golpes de Capoeira? E se ele tivesse o hábito de nadar na piscina do bairro seria identificado no noticiário como nadador?

            Até a década de 30, a elite branca dominante no Brasil mandava a polícia prender os praticantes de capoeira. Era o medo daqueles negros descendentes de angolanos que tinham sido escravos nos engenhos de açúcar do Nordeste, e que criaram a capoeira para se defender da violência bárbara a que eram submetidos. Como eram proibidos pelos senhores de lutar, os escravos disfarçavam a prática com música e passos de dança. Dizem os historiadores que esses escravos iam praticar sua arte nas capoeiras, ou capoeirões – áreas do campo, próximas às fazendas, que tinham pequenos arbustos – daí o nome. Dizem também que a luta/dança foi útil na resistência do “exército” de Zumbi, que usou a Capoeira nos confrontos físicos de proteção ao Quilombo dos Palmares.

            Será que a Globo tem a intenção de associar os capoeiristas a práticas criminosas, resgatando o ranço de tempos nem tão distantes assim? Em 1932, mestre Bimba apresentou a capoeira ao então presidente Getúlio Vargas, que ficou fascinado e retirou-a da clandestinidade, transformando-a em esporte nacional. Segundo pesquisa registrada no Atlas do Esporte, da editora Abril, seis milhões de brasileiros praticam a Capoeira no país, mas o número deve ser muito maior: o dado é de 2003.

            Ao roubar e tentar vender a prova do ENEM, Pradella praticou um crime contra a Educação, e prejudicou nada menos que 4,1 milhões de estudantes em todo o país. O grupo Globo, com sua mensagem irresponsável e sub-reptícia, atenta contra a cultura, a História e as genuínas tradições do Brasil.

Outubro 9, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | 5 Comentários

Um ano da morte de Márcia Rodrigues

Nesta terça-feira, 6 de outubro, às 17 horas, na Igreja do Bonfim, missa em homenagem a Márcia Rodrigues.

Depois, às 19h, na Igreja de Santa Terezinha do Chame-Chame (ao lado do Vitória Center), outra missa.

Parece que foi ontem, mas já está completando 12 meses. Ao mesmo tempo, parece que há mais de um século não vemos a figura dinâmica e solidária de Marcinha. A relatividade do tempo.

Saudades…

Márcia Rodrigues - missa de 1 ano

Outubro 5, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | 1 Comentário

Mayra Landim Ricci

Mayra Landin - orkut I

Sempre que recebo a notícia da morte de alguém do círculo de amizades lembro do poema de Dylan Thomas, A Morte perderá o seu Domínio:

E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.

Na quinta-feira, a notícia que entristeceu: “Brown, Mayra, mulher de Araken, morreu”. A notícia, por si só triste. Aumentada por ser Mayra, do nosso convívio. Potencializada pelo sofrimento infinito do nosso Araka. Reproduzo, aqui, maravilhosos artigos escritos pelos amigos Paulo Bina, no blog de Joaninha, o Pilha Pura,  Nestor Mendes Júnior, na página de Opinião de A Tarde, e Carmela Talento, também no Pilha. Acrescento o Registro de Pesar, feito pelo vereador Edson da União, por iniciativa do seu assessor Érito Dourado, irmão de Leninha, mulher de Paulo Bina.

Comecemos, então com o belo e comovedor texto de Paulo Bina:

À Mayra, com carinho

Quando cheguei ao Jardim da Saudade pela manhã, na véspera do sepultamento, e encontrei dona Celene choramos. Perguntei o que é que eu poderia dizer. Nada minoraria a dor daquela mãe devastada pela perda anti-natural e injusta. A resposta entrecortada veio rápida e mostra a cepa de que a filha foi feita: “Nada. Basta sua amizade”.
Mas eu preciso dizer algo a ela e a seu Ercole que tão bem receberam, desde sempre, esse amigo da filha mais velha, líder natural dos outros cinco irmãos, igualmente criados com amor para serem, como são, homens e mulheres de bem.
Ela era a minha melhor amiga. Casou com o meu maior amigo. O lar que construíram é o único que freqüentei com regularidade. Sou caseiro.
Felizmente a família é espiritualizada. Já eu não consigo conforto com golpes dessa ordem. Não acho justo. Admiro a força de dona Celene que, à beira do túmulo, agradeceu a solidariedade e o apoio que os amigos e parentes tentaram transmitir-lhe e, apud Vinicius e Chico, eu que não creio peço a Deus que dê conforto a essa gente que não merecia esse sofrimento. Rezo para que seu Ercole consiga suportar a dor.
Escrevo aqui para a família unida que é a Landim Ricci e também para dona Edna, Bira (falou lindamente, embora eu não tenha muita simpatia por sua igreja, a Presbiteriana,) e Juçara, os Gomes e Silva, com quem a vida me permitiu menos contato – mas guardo ainda no coração as palavras de dona Edna quando visitou meu pai no hospital perto do seu falecimento em agosto (21) de 1983. Lembro também com carinho o coronel Mário Hamilton.
Escrevo também para os amigos. E esse é o veículo exato.

Foi um privilégio conviver com Mayra por mais de 30 anos. Pessoa doce, ponderada, humana, amorosa e atenta às coisas da vida e do mundo. Uma cidadã. Confirmando a praxe, não guardo lembrança de como aconteceu o primeiro encontro ou mesmo através de quem ocorreu. Possivelmente, numa das cantorias noturnas da Quadra de Cima do Júlio César – quando eu ainda estava longe da Escolinha de Biblioteconomia e Comunicação (antecessora da Facom UFBa) e ela ainda fazia o primeiro grau no Bom Pastor, em Brotas, onde ganhou um festival estudantil (eu, Lula, Arnaldo e Mackenzie estávamos lá) com “Uma Raio de Sol” – entoado ontem com tristeza no Jardim da Saudade por seus irmãos, primos e os mais chegados.
Mayra chegava calçando um xagrim, de jeans e violão a tiracolo. Ficava até que o irmão, Ercole, infalível às 9h em ponto aparecia: – Mayra painho mandou dizer que já são 9 horas. E lá ia ela… agüentando a pirraça dos mais velhos até a noite seguinte.
Fomos companheiros ainda dos verões intermináveis da década de 70 no salva-vidas da Pituba, com a escadinha de irmãos menores: Ercole, Geovana (a mais constante), Túlio, Bruno e Carina. Na turma também Carlinha (vinha de Sampa), Iana, Naia, Alda e Aleida – todas primas – bem como Lula, Sá Barreto, Neyla, Neisa, Guga, Tostão, Ary, Paulinho, Betinho, Rubem, Guza, Macário, Toni, Arnaldo, Tony e Chuca. Acampamos algumas vezes (Itacimirim, Bom Jesus…, sempre com os irmãos por perto).
E ela encontrou em Mackenzie o primeiro namorado, sob o olhar severo de Ercole (Pai) e cumplicidade de dona Celene que até hoje gosta do indivíduo, meu primo de consideração. Foi para a Itália, voltou em poucos meses. Gostava do Brasil. Da Bahia.
O seu olhar para o outro. Para os carentes, levou-a ao curso de Serviço Social, depois do segundo grau no Nobel da Pituba (a caixa de sapato azul e branca), segundo Tony Baretta, hoje juiz em Salvador, pois nós já éramos universitários e nada de farda por cima da pele. Fez ainda mestrado na Uneb, doutorado em Barcelona e militou no PT desde sempre. E sempre no figurino de não perder a ternura jamais. Essa turma de praia se dispersou depois da faculdade, mas a amizade e o carinho daquele tempo inocente permanece.
Falo aqui de uma pessoa tão especial que conjugou características excludentes, como o rigor com os princípios ideológicos e a disposição natural para negociar e buscar soluções para aquilo o insolúvel. Mayra era daqueles seres humanos que Brecht considerava como imprescindíveis, mas também carregava em si a candura que Clarisse Lispector enxergou um dia num Chico Buarque novinho. E que ele conserva.
Casou brevemente com Miminho de quem, separada, continuou amiga. Visitavam-se e ele veio de Aracaju para a despedida. Dessa união nasceu Morena que estuda e trabalha em Londres. O irmão caçula Bruno veio da Itália e Carina, caçula das meninas também de Londres. Andando com a nossa patota nas festas de faculdades e em barzinhos (entra aí também Chico Bina, falecido, assim como meu irmão Lula), conheceu Arakem. Depois, em Arakem – meu maior amigo e o melhor amigo que qualquer pessoa pode conseguir – descobriu o amor de sua vida. O amigo, companheiro e cúmplice. O pai de Nara. União que caminhava para duas décadas.
Inicialmente eram em tudo dessemelhantes – a ponto do namoro, quando propagado, preocupar todo mundo. Ela comedida, ponderada, responsável e sensível. Ele boêmio, esporreteado, algo mulherengo, mas com um caráter e jeito de ser que pode ser descrito com apenas uma palavra, como fez uma vez James Amado para Ruy Espinheira Filho ao falar de Guido Guerra: “Sabe o que é que há com o Guido Ruy? O caso é que ele é bom”.
Arakem é Bom. Generoso e amigo dos amigos a ponto de se prejudicar pelo próximo. É aquele sujeito que está permanentemente preocupado com o outro. Liga, se informa, arranja emprego, freelas, conversa, dá toques. O tempo todo, com todo mundo! É o maior coração de toda uma geração da EBC que produziu gente como Jadson Oliveira, Alberto Freitas, Sinval e Joaninha, Carmel, Franciel, Nivaldinho, Luciano Aguiar e Borega (aquisições mais recentes), Bira Paim, Mocofaya, Mateus Matéria, Walmar Hupsel, Valmir Palma, Marcos Santana, Bonfim Brown, Vado, Adilson “hífen” Borges, Ivana Braga e ainda Xando Pereira, Catela, o grande Manuel Porto, Miltinho, Vicentão, Izurbaninho, Marco Antonio Moreira (veio de Brasília, assim como o querido Leonel Rocha, amigo sempre presente,) Roque Mendes e um monte de jornaleiros (como não precisa mais diploma, não é doutor Gilmar Mendes,) deve dar no mesmo.
Veio também do Rio, Andréa, namoro tempestuoso de Arakem na juventude, minha prima, junto com a mãe, Sônia, as irmãs Daniela e Geórgia e Bebeto, tio.
Perto da bondade de Arakem só seu compadre e advogado, o pai de Júlia, Irecê.
José Rodrigues de Miranda que cansou de chegar de madrugada em Lauro de Freitas, cidade que tratava por Lauro, na maior intimidade, já indagando a Mayra com a cara de pau que Deus lhe deu: “E aí minha senhora? A cozinha ainda está funcionando”.
Funcionava sempre. Ainda que heterodoxamente o conviva notívago às vezes pedisse para fritar um ovo, que jogava dentro da sopa, com a gema mole. Se existir algum céu, nirvana, plano superior ou o que quer que seja, estão agora juntos tricotando porque José gostava de um fuxiquinho, daqueles sem maldade.
E o casamento funcionou. Foram felizes e companheiros. Sonharam por novos tempos aqui. Venceram e vibraram e trabalharam. Cada um fazendo sua parte.
Agregadores, adoravam a casa cheia, com seu Ercole no exagero de sempre na comidaria dos finais de semana. Nos churrascos, massas e nas orelhas de porco cozida, que nunca provei.
Foi lá, em Lauro, que passei alguns dos melhores momentos da vida junto com Leninha e os meninos Caio e Dudu. Natal, às vezes, mas São João e Reveillon, sempre na casa de Arakem e Mayra, onde Jadson uma vez dançou várias vezes com a tia Anaide, que já ia pelos 85 anos, depois que sua Deta se jogou na piscina de madrugada. Nas viagens de Leninha, infortunadamente em constância crescente, é lá que eu me refugio, pois os meninos já não são tão meninos assim para me pajearem e agüentarem minhas manias.
Ela e ele adoravam música. Música da boa. De preferência de Minas, vale dizer Milton, Lô e Telo Borges, Beto Guedes, Wagner Tiso, Venturinni, Tonhinho Horta e todos os iluminas do Clube da Esquina, com seus sucessores como Marina Machado. Chico, Edu, Tom, Gil, Caetano (com Arakem fazendo caretas) também tinham vez, bem como MPB-4, Boca Livre, Paulinho Pedra Azul, Novos Baianos, Dodô e Osmar, Fred Menendez, Juçara Silveira e Matita Perê – com a inestimável colaboração no sopro e percussão de Léo, produtor e dono da mochila mágica onde carrega até uma bateria completa – ou pelo menos assim reza a lenda.. Fagner da época de Canteiros também era lembrado. Eu gravava fitas, depois CDs, para tardes de ócio, cafezinho feito numa cafeteirazinha que parecia coisa de boneca que a colocava no fogão várias vezes (cumprindo seu papel social, dizia Irecê,) amizade e música. Muitas tardes. Lamento não terem sido mais.
Arakem toca violão, bandolim e cavaquinho (menos). Insistisse seria músico profissional. Portanto, os saraus eram da melhor qualidade e em especial quando Rita Birita (maldade ainda da EBC, a criatura de sobrenome de músicos nobres, Tavares, nunca bebeu uma gota de álcool)
E Mayra tinha música dela (como fala o Milton Nascimento), era do Lô e do Márcio Borges, Um Girassol da Cor do seu Cabelo, do disco Clube da Esquina 1.
A letra é incrível lida, cantada ou recitada agora é incrível. Parece profética, bem como o crescendo e a polifonia de quando se chega à parte final, instrumental:

Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor de seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo?

Se eu cantar, não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar, bom dia
Como vai você?

Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer dançar comigo?
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo

Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?

Você vem?
Ou será que é tarde demais?
A terra azul da cor de seu vestido
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?Você vem?
Ou será que é tarde demais?
O meu pensamento tem a cor de seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo

Para dar uma idéia da paciência e compreensão de Mayra lembrarei um fato, coisa pequena, mas que mostra a mulher diferente que ela era. Foi num São João, talvez tenham se passado três anos. Chovia a cântaros (para ficar no bordão) e a fogueira, lógico não acendia. Lá pelas 8h da noite Arakem encrencou em acender o fogo. São João sem fogueira, concordou Manuel Porto, não valia.
Secaram o tanque do Peugeot 2006, duas garrafas de álcool e nada. Arakem arrancou a cortina de plástico do chuveiro da sauna e jogou no, vá lá, fogo. Nada. Queimou dois baldes de plástico. Os pirulitos de isopor e um colchão de ar da piscina. O fogo subia e apagava com a chuva implacável. Ele e Manuel ensopados. Arakem fazia o fogo e Manuel abanava com uma tampa do isopor da cerveja que acabou também sacrificada.
Queimou ainda parte da coleção da revista Recreio de Nara (só não torrando tudo porque a menina descobriu e abriu no choro). Ele sumiu um pouco e apareceu com uma braçada com umas quatro toalhas de banho que estavam secando nos fundos. Não agüentei e segredei: “Moça, Arakem vai queimar agora a roupa da casa”. Ela sem espanto algum redargüiu: “Paulo você não sabe como é Araka quando implica em fazer uma coisa” e foi tirar o resto dos panos da corda. Na maior calma.
O fogo afinal prosperou com a entrada do “técnico” Franciel que passou a dar penadas sobre onde abanar, quando foi jogado na fogueira um balde com veneno de rato. O produto era inflamável e rendeu um fogaréu amarelo, fedorento, que ninguém usou para assar carne como insistiu o anfitrião.
Era assim a Mayra. Menina que estava num dos postos mais espinhentos do governo. Chefe de Gabinete de Ruy Costa, o secretário de Governo. Estava contando nos dedos os dias para chegar o mês de março quando haverá a desincompatibilização dos secretários-candidatos. Queria dar aulas. Faria concurso para a UFBa (passou em todos os que se submeteu), para estudar e ter mais tempo para o marido, filha, pais, irmãos e a legião de amigos que conquistou.
Moções de pesar já foram feitas na Câmara de Salvador e na Assembléia Legislativa. Sua amiga Moema Gramacho decretou Luto oficial em Lauro. Como amigo fiquei grato pelo sinal de respeito e reconhecimento, mas despojada como era ela onde estiver estará ruborizada.
Mamá, sua lembrança aquecerá sempre os nossos corações nesse mundinho a cada momento mais fuleiro. Um abraço e um beijo. Estarei sempre perto do nosso Araka.
São 4h16 da madruga e vou tentar dormir. Mais tarde verei como postar.
Paulo Bina

Mayra Landin - orkut II

Da Rua do Céu para o céu

Nestor Mendes Jr.

Jornalista, bacharel em Direito mir.com@uol.com.br

Conheci Mayra Landim em 1980, quando cursava direito na Católica,enquanto ela estudava Serviço Social – e me vem à memória a imagem de seu sorriso e de suas lindíssimas batas indianas. O jornalista Araken Gomes foi um dos meus primeiros amigos da Facom/Ufba, que conheci na fila da matrícula, também em 1980.
Por motivos desses que chamamos de destino, os dois se encontraram e se desencontraram em doces carnavais lá pras bandas do Clube de Engenharia, ao som da música de nossos ídolos Moraes Moreira, Novos Baianos, Armandinho e Dodô e Osmar. Mayra casou, nasceu Morena, mas Araka ficou à espera, como um Florentino Ariza de O Amor nos Tempos do Cólera, de Garcia Marquez. Mayra descasou e, enfim, disse sim ao boêmio, pândego e irreverente cantador, que ainda chora quando dedilha no violão Rosa, de Pixinguinha: “Tu és divina e graciosa, estátua majestosa…” Fruto desse amor de Mayra e Araken nasceu Nara, e, enfim, todos os amigos respiravam aliviados: só a doce Mayra – e muitas vezes enérgica, mas sem jamais perder a ternura – para sossegar – um pouco – o facho do irrequieto filho de D. Edinha e do coronel Mário.
Em torno da dupla floresceu e vicejou uma amizade de pessoas que se querem como irmãos: Alberto Boca-de-Lata, Paulo Bina e Leninha, Zé Rodrigues de Miranda (Irecê), Quezinha, Lícia, Cássia, Chefe, Lula, Marquinhos e Lúcia Moreira, Marcos e Cínzia, Carmela, Rosane Mendes, Chico Bina, Sinval e Joaninha, Mônica, Jadson e Deta, Carmel, Nelson Rios, Bené, Jaciara, Iana, Ânia e Naia (filhas de Ângelo Roberto), Franciel, Mocofaya, Bira Paim, Leonel Rocha, Alberto Oliveira, Enock e Norma, Ricardo e Olívia, André Cachaça, Moacir Leite, Juquinha, Buzina, Tuik, Andréa, França e Getúlio (Extudo), Moreira, entre outros.
Quando Mayra casou-se com Araka, foi morar na Rua do Céu, depois do auxílio luxuoso dos amigos através de uma rifa de um televisor – cujo resultado Moreira até hoje contesta, dizendo que foi “armação”.
Hoje, nossa divina e graciosa Mayra não está mais na Rua do Céu, mas, com certeza, em todo o céu, iluminando-o com o seu sorriso cheio de fraternidade e graça.

Araken e Mayra, amigos e parentes, no Pilha Pura de Joaninha

Araken e Mayra, amigos e parentes, no Pilha Pura de Joaninha

Registro de Pesar

O vereador Edson da União (PMN) apresentou à Câmara Municipal do Salvador um Registro de Pesar pela morte da chefe de gabinete da Secretaria de Relações Institucionais (Serin) do Governo do Estado, Mayra Landim Ricci.Vítima de infarto, na madrugada da última quinta-feira (24), Mayra deixa, aos 45 anos de idade, duas filhas, Morena e Nara, e o marido, o jornalista Araken Gomes e Silva, da Assessoria de Comunicação da Embasa. Mayra foi sepultada na última sexta-feira (25), às 17h, no Jardim da Saudade, em Salvador. Em 2004, implantou o Orçamento Participativo em Lauro de Freitas, no primeiro mandato da prefeita Moema Gramacho. Funcionária concursada da Embasa desde 2007, Mayra Landim era formada em Serviço Social pela UCSal, com Mestrado em Educação e Contemporaneidade pela Uneb, com dissertação sobre o Orçamento Participativo no município de Alagoinhas, e estava fazendo Doutorado sobre o mesmo tema na Universidade de Barcelona (Espanha). Mayra Landim foi assessora legislativa na Câmara Municipal de Salvador (mandato de Zilton Rocha) e na Assembleia Legislativa (mandatos dos deputados Guilherme Menezes e Zilton Rocha).

Mayra - Pilha Pura - II

A natureza é insensível à morte

Carmela Talento 

Hoje, como faço todos os dias, acordei e sentei na varanda de casa que tem uma bela vista para o mar. O dia bonito, sol, céu azul mar idem, uma pintura de cores firme, nenhuma nuvem. Comentei com minha filha a beleza da manhã. Em questão de segundo o celular toca, do outro lado da linha Joaninha, pelo horário logo percebi que alguma coisa estava errada, e como uma bomba veio a notícia: Mayra, companheira de nosso amigo em comum Araken, sofrera um infarto à noite e não resistiu.

Amiga querida e admirada por todos, uma das pessoas mais meigas e educadas que tive oportunidade de conviver. Jovem no vigor dos seus 45 anos, linda, mãe de duas filhas, idealista com vários projetos em mente, ajudou a contrução do PT na Bahia e atualmente exercia a função de chefe de Gabinete da Secretaria de Relações Institucionais. Mayra foi embora assim de repente deixando todos nós perplexos.
Ao receber a notícia e diante do cenário que estava à minha frente, deslumbrantemente belo, me veio à memória o amigo Jadson, que citando não sei bem quem, costumava dizer: “a natureza é insensível à morte”. Constatação mais do que perfeita nesse momento em que nada se tem a dizer.

Setembro 28, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | 1 Comentário

Violência em Salvador

Módulo policial no Engenho Velho da Federação - 090909

A onda de violência iniciada por bandidos no feriado de 7 de setembro, em Salvador, não parou. Nesta quarta-feira, 9, no começo da madrugada, foi destruído o módulo policial do Engenho Velho da Federação (foto de Arestides Batista, para A Tarde On line). Localizada na Rua Apolinário Santana, fim de linha do bairro, a unidade policial desativada foi alvo de uma bomba atirada por criminosos. Comerciantes da área afirmam que a módulo havia sido reformado há dois meses. Ninguém ficou ferido. Com esse atentado sobe para oito o número de módulos atacados. Seis coletivos foram destruídos. Até agora, três homens foram presos sob acusação de integrar a quadrilha por trás desses atos. 

A passageira que sentiu-se mal; o motoristas que sofreu queimaduras, cenas da ação criminosa contra os ônibus urbanos de Salvador

A passageira que sentiu-se mal; o motoristas que sofreu queimaduras, cenas da ação criminosa contra os ônibus urbanos de Salvador

Todos querem saber: o que estará por trás desses crimes? Será só a transferência do traficante Campanha? A Secretaria de Segurança não diz claramente o que está acontecendo. Enquanto isso, pessoas que utilizam os ônibus temem pegar o transporte. A ação dos bandidos, que antes era contra a polícia, agora se estendeu à população.

Setembro 9, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | Sem comentários ainda

STF fica com Palocci, Batochio e a pizza

“Este caso é uma versão falsificada de Davi e Golias”. Quando José Roberto Batochio disse essa frase no Supremo Tribunal Federal o caseiro Francenildo Costa já deveria prever que dali a algumas horas Golias, ou Antonio Palocci, deputado federal e ex-poderoso ministro da Economia do presidente Lula, estaria livre como um passarinho na selva amazônica. É o retrato perfeito do que aconteceu no julgamento no STF na noite de 27 de agosto. Retrato perfeito da elite quando confrontada com o pobre. Criminalista famoso, ex-presidente da OAB de São Paulo, ex-deputado federal pelo PDT, o Sr. de 65 anos que atende – a alguns – pelo sobrenome de  Batochio acredita ser o melhor dos criminalistas. Se não for, cumpre o papel que o ministro Gilmar Mendes e seus pares gostam de ver, exercitando seus pendores de oratória.

José Roberto Batochio é visto como um exemplo de profissional para ricaços ou poderosos da política que se vêem enrascados. Como ocorre com freqüência no Judiciário, ele formou uma rede poderosa e se tornou o advogado-que-conhece-o-sistema-e-se-dá-bem-com-as-cortes. Contratá-lo é considerar a causa vitoriosa. Veja ao final do texto alguns links sobre mais essa vergonha que acontece no STF presidido por Gilmar Mendes.

O preço para contratar Batochio é alto, mas o que é isso para quem manipula verbas públicas? E quando não as têm arranja sempre outro jeito, não é? Vide o caso que ficou consagrado como mensalão ou mais atrás no tempo a compra de votos para a emenda da reeleição de FHC. O problema hoje é que a turma que mais reclamava – com razão! – e mais disposta a protestar nas ruas – o que fazia com excepcional competência – está quieta. Também, pudera, recrudesceram as patrulhas ideológicas. Mas, como? Não percebem que seus ídolos, ou, vá lá! Seus eleitos, há muito não ligam mais para ideologias? Vamos, artistas, intelectuais, estudantes, integrantes de ONGs, apareçam, dêem as caras, mostrem que a cidadania, o respeito pelas instituições e pela Nação estão acima da vergonha de não criticar porque fulano ou sicrano era “o cara”. Os reis estão nus. A vantagem da democracia em relação às ditaduras é esta: você fica sabendo o que está acontecendo.

Charge de Simanca no jornal A Tarde

Charge de Simanca no jornal A Tarde

Vimos no final de julho a ingerência do Palácio do Planalto no Congresso, de uma forma nojenta, para manter Sarney na presidência. O líder do governo, Aloísio Mercadante, chegou a colocar no twitter que deixava a liderança de forma irrevogável. Depois de uma conversa com Lula, Mercadante revogou o irrevogável.

Criticávamos quando governos identificados com projetos de direita – pelo menos era assim – constrangia câmaras de vereadores ou de deputados. Vimos agora o chefe do Executivo arrasar o Senado e achamos que falar dessa ingerência não é bom?

Bom que ainda temos sobreviventes do lamaçal – Flavio Arns e Marina Silva.

A escolha do advogado é tão reveladora quanto a confissão

“Corda sempre estoura do lado fraco”, afirma ministro do STF sobre caso Palocci

Gilmar Mendes nega que STF fez julgamento moral ao inocentar Palocci

Painel da Folha: Ex-assessor de Palocci ganhou R$ 15 mil de anistia

  • STF inocenta Palocci; advogado do único réu diz que “sobrou para o mordomo”
  • Palocci acerta candidatura ao governo de São Paulo
  • Painel da Folha: Ex-assessor de Palocci ganhou R$ 15 mil de anistia
  • STF inocenta Palocci; advogado do único réu diz que “sobrou para o mordomo”
  • Palocci acerta candidatura ao governo de São Paulo
  • Setembro 7, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | Sem comentários ainda

    Mundo afro e o folk, juntos

    Há poucos dias a jornalista especializada na defesa das causas negras, Cleidiana Ramos, me surpreendeu. Enviou mensagem por E-mail chamando minha atenção para um dos blogs de A Tarde, Mundo Afro, que ela produz e edita. Naquele dia, a querida colega estava falando do grande Harold George Belafonte, Jr. ou simplesmente Harry Belafonte, nascido em Nova York em 1º de março de 1927, cantor, ator e ativista político, um dos mais bem-sucedidos artistas de origem caribenha. Nasceu no Harlem, mas passou a infância na Jamaica, país natal de sua mãe, segundo a Wikipédia.

    No fim dos anos 40, começou a ter aulas de arte dramática junto com Marlon Brando, Tony Curtis e Sidney Poitier, enquanto trabalhava no teatro negro americano. Anos depois, receberia um Prêmio Tony por seu trabalho nos palcos da Broadway.

    “Conheci” Harry Belafonte nos anos 70, adolescente, em Conquista. Período em que “fui apresentado” também a Bob Dylan, o legendário cantor de folk, hoje com 68 anos. Lembro que a primeira música que ouvi do Bob Dylan foi Lay Lady Lay. Quase furo a faixa no Long-play, ouvia o tempo todo.

    Mas essa introdução é só para lhe convidar a visitar Cleidiana no Mundo Afro, onde você pode ler e acessar entrevistas, comentários e análises envolvendo figuras interessantes da negritude.

    Antes, divirta-se com Harry Belafonte (cantando Banana Boat) e los Muppet Show

    E, depois, veja Bob Dylan cantando Lay Lady Lay

    Agosto 27, 2009 Publicado por José Bomfim | Sem Categoria | | Sem comentários ainda