1ª Copa Indígena de Futebol: Barravelhense conquista o título inédito

A jornalista Claudia Correia, diretamente da Cidade Tricolor, conta para o Blog do Brown e as redes sociais como foi a 1ª Copa Indígena. A final – Barravelhense 3 x 0 Água Vermelha – foi comentada pelo jornalista Bob Fernandes e o ex-jogador Juninho Pernambucano, este direto da França, onde é diretor esportivo do Lyon. Boa leitura:

A 1ª Copa de Futebol Kwá Yepé Turusu Yapisáwa, Copa Indígena de Futebol da Bahia, realizada de 30 de outubro a 15 de novembro, teve sua partida final na segunda-feira (15), às 15h30, na Cidade Tricolor, Centro de Treinamento Evaristo de Macedo, do Esporte Clube Bahia, em Dias d’Ávila, Região Metropolitana de Salvador. Na língua Tupi Kwá Yepe Turusu Apisáwa significa “Esse é um grande jogo”.

O torneio, organizado pelos povos Tupinambás da Serra do Padeiro, em parceria com o Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas- Mupoiba e o Instituto Latino-americano para Justiça Coletiva (Ilajuc), contou com a participação de oito times de diferentes povos indígenas da Bahia: quatro equipes do território Tupinambá, duas Pataxó e duas Pataxó Hã-hã-hãe. A disputa foi toda no formato de mata-mata com quatro jogos e os vencedores dos confrontos avançaram para a semifinal até a decisão das duas vagas na final. Todos os jogos foram transmitidos pelo canal do Bahia no Youtube.

O Bahia, que forneceu todos os uniformes, alimentação e alojamento para as equipes, há anos demonstra, publicamente, apoio às pautas indígenas. Já o Ilajuc foi criado para promover a proteção e justiça coletiva de grupos minoritários por meio de pesquisas e projetos.

A partida de decisão do título, entre o Água Vermelha e o Barravelhense, contou com os comentários do jornalista Bob Fernandes e do ex-jogador Juninho Pernambucano, direto da França, onde é diretor esportivo do Lyon.

O vencedor do inédito título, o Barravelhense, por 3 x 0, terá como prêmio a oportunidade de jogar uma partida amistosa contra a equipe de futebol profissional do Bahia, um dos apoiadores do evento, através do Núcleo de Ações Afirmativas.

O evento não é visto apenas pelo aspecto esportivo. Para os indígenas, a competição de futebol é também uma oportunidade de reforçar o alerta sobre a violação dos direitos que os seus povos sofrem e de quebrar estereótipos. No encerramento da partida foi feita uma homenagem a Bruno Bajau, de 21 anos, assassinado na aldeia de Barra Velha, em Porto Seguro e após a entrega do troféu foram feitos cânticos e rituais como o Toré.

Luta pelos direitos indígenas

Durante a transmissão da partida final, Bob Fernandes criticou a tese do marco temporal para a demarcação das terras indígenas, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e o ataque ao povo Ianomâmi (Roraima), ameaçado pela exploração do garimpo. O jornalista chamou atenção para o que considera uma omissão do governo federal e as demandas por demarcação de terras indígenas que somam 293 processos paralisados no país, sendo 80 em Mato Grosso do Sul, além de 536 em análise. “Em duas décadas, temos no país 1.404 suicídios de indígenas. O desmatamento em terras indígenas com extração ilegal de madeira e o garimpo avançam, estão roubando as terras indígenas por causa da não demarcação. Com a pandemia são 1.231 mortos de 162 povos. Os povos indígenas estão sendo atacados de todas as formas”, afirmou.

Os comentaristas destacaram a presença de centenas de jogadores com descendência indígena em diversos times brasileiros como Garrincha e Índio e a histórica resistência indígena na Bahia, além da influência cultural dos povos originários na Bahia, presente também no nome de muitos municípios como Itabuna, Una e Buerarema.


Um comentário sobre “1ª Copa Indígena de Futebol: Barravelhense conquista o título inédito

  1. Somos todos indígenas. Minha bisavó era indígena. Mas confesso que sou um fracasso na bola. Adoro futebol. Vejo muito. Estive na inauguração do Estádio Lomantão. Sou frequentador do Maracanã mas gostaria de estar presente na partida genuinamente brasileira.

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