Entidades de classe e familiares prestam homenagem a Marcus Matraga

Lider do Movimento da Luta Antimanicomial foi assassinado em 2016

Marcus Matraga

Dia 4 de fevereiro completou cinco anos do assassinato de Marcus Vinicius Oliveira, psicólogo, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBa) e uma das mais expressivas lideranças do Movimento da Luta Antimanicomial e da Reforma Psiquiátrica no Brasil. Marcus Matraga, como era conhecido, foi morto a tiros em uma emboscada, próximo ao seu sítio, em Pirajuía, município de Jaguaripe, Recôncavo baiano. As circunstâncias de sua morte até hoje não foram elucidadas, e a apuração do crime permanece sem conclusão.

Para marcar a data em que Marcus faria 64 anos, 4 de março, um ato político e poético será realizado às 19h, nas redes sociais. A organização do encontro virtual tem o apoio do Conselho Federal de Psicologia (CFP), do Instituto Silvia Lane, Núcleo pela Superação dos Manicômios da Bahia (NESM) e da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA). A intenção da família de Marcus é prestar uma homenagem ao ativista, que também escrevia poemas, num ato artístico e político para reverenciar seu trabalho e exigir a conclusão do inquérito policial.

Referência nacional

Segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP) “o exercício profissional de Marcus Vinícius esteve intrinsecamente ligado à defesa dos direitos humanos, especialmente, por seu pioneirismo na Luta Antimanicomial. Além disso, sua trajetória foi marcada pelo pensamento crítico em relação às desigualdades sociais que assolam o Brasil há anos”.

Defensor combativo dos direitos humanos, Marcus foi militante da Reforma Psiquiátrica e da Saúde Mental no Brasil. Reconhecido nacionalmente, foi um dos inspiradores da Lei nº 10.216/2001, também conhecida como Lei Paulo Delgado, que instituiu um novo modelo de tratamento aos portadores de transtornos mentais no Brasil, privilegiando a assistência em serviços de base comunitária como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Graduado em Psicologia pela Fundação Mineira de Educação e Cultura (1982), Marcus Vinícius era professor titular aposentado do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Ele integrou algumas diretorias do CFP entre 1988 e 2007. Também esteve em gestões dos conselhos regionais de Minas Gerais e da Bahia. Foi, ainda, coordenador do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) entre os anos de 2004 e 2007. 

Foi dele a iniciativa de construção da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP, em 1997, que teve como primeira presidente a psicóloga Cecília Coimbra, fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro e professora da Universidade Federal Fluminense. 

A União Latinoamericana das Entidades da Psicologia (Ulapsi) também homenageia Marcus Vinícius, desta vez com a edição do Prêmio Marcus Matraga, que premiará iniciativas de profissionais da Psicologia que ressaltam e valorizam os Direitos Humanos na América Latina. O prazo para envio dos trabalhos foi encerrado e as (os) vencedoras (es) serão conhecidas (os) no dia 3 de junho de 2021.

Texto de Claudia Patrícia Diniz Correia

Assistente social Cress 1.777 5a Região/Ba

Jornalista 3284 DRT-Ba


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