A crônica de André Bonelli vista por Valter Freire

Dois excelente cronistas se encontram no mesmo blog. É claro que só vai render ótimos textos. Você, que leu a crônica “Você sabe quem nasceu aqui?”, leia agora o que Valter Freire achou da história.

Brown e Fernandinho me falaram desta crônica. Comecei a ler. Vi logo no início que o autor domina e domestica as palavras, traz o vento, o barulho e o cheiro da maltratada estrada do interior à medida em que descreve o pensamento. Ouvi o barulho da irritada Rural. E eu estava no meio das narrações do Autran Dourado, que dourava meus dias na juventude. Autran? Que porra é essa? Parei e fui ver o nome do autor. Não é o mineiro que eu lia e mesclava a leitura com um poeta de além mares. Continuei a leitura e o poeta Pessoa apareceu. Parei, respirei, pirei. E continuei…. O nome Caetité é presença fundamental na minha educação. Desta cidade-mãe vieram a professora Juraci Públio de Castro e o seu tio professor Everardo Públio de Castro, dois educadores fodas para algumas gerações em Vitória da Conquista. D. Juraci foi professora minha e de 5 irmãos. Baixinha, inteligente, moderna, devo gratidão, amor e devoção. Professor Everardo era o mais festejado e querido da época. Mas foi preso pelo regime militar e proibido de dar aula no curso ginasial. Permitiram que apenas no curso primário ele pudesse ensinar. E ensinou bem. Mas voltando à estrada e budega, eis que o autor retratou um momento em que voltava de Porto Seguro para Conquista, e numa budega poeirenta e xexelenta, com a bunda doendo de viajar num jeep, matei a fome com uma lata de camarão seco e coca-cola quente. A mão preta do Osvaldinho, preta da margem da vida e da graxa dos carros também às margens de tudo são as mãos que vi. Assim como vi as rugas da velha orgulhosa do Waldick, que trouxe alegria às morenas à margem das cidades e que hoje é reconhecido como um clássico brega. Waldick foi uma ametista. E o Osvaldinho retirou, tirou, voltou e ficou guardado em uma ou mais memórias. Parabéns, cara, você ESCREVE!


2 comentários sobre “A crônica de André Bonelli vista por Valter Freire

  1. Que bela descoberta fiz ao encontrar esse blog! Textos de alta qualidade, ótimas crônicas, tudo muito bem editado. Muito atrativo.

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  2. Valter, quanta doçura em suas palavras, palavras gratas a seu próprio passado.
    Muito obrigado pela generosa atenção.
    André Bonelli

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