Gilberto Dimenstein

Gilberto Dimenstein

Gilberto Dimenstein morreu na sexta-feira (29 de maio de 2020) em São Paulo, aos 63 anos. O jornalista lutava há nove meses contra um câncer no pâncreas.

Nascido numa família judaica, era filho do pernambucano de origem polonesa Adolfo Dimenstein e de Ester Athias, uma paraense de ascendência marroquina. Seus pais instalaram-se na Vila Mariana, distrito de São Paulo.

Estudou no Colégio I. L. Peretz, em São Paulo. Formado na Faculdade Cásper Líbero, foi colunista da Folha de S.Paulo e esteve na Rádio CBN. Já foi diretor da Folha de S.Paulo na sucursal de Brasília e correspondente internacional em Nova York daquele periódico. Trabalhou também no Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Última Hora, revistas Visão e Veja. Foi acadêmico visitante do programa de direitos humanos da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Por suas reportagens sobre temas sociais e suas experiências em projetos educacionais, Gilberto Dimenstein foi apontado pela revista Época em 2007 como umas das 100 figuras mais influentes do país.

Ganhou o Prêmio Nacional de Direitos Humanos junto com Dom Paulo Evaristo Arns, o Prêmio Criança e Paz, do Unicef, Menção Honrosa do Prêmio Maria Moors Cabot, da Faculdade de Jornalismo de Columbia, em Nova York. Também ganhou os prêmios Esso (categoria principal) e Prêmio Jabuti, em 1993, de melhor livro de não-ficção, com a obra Cidadão de Papel.

Foi um dos criadores da ANDI – Comunicação e Direitos, uma organização não-governamental que tem como objetivo utilizar a mídia em favor de ações sociais. Em 2009, um documento preparado na Escola de Administração de Harvard, apontou-o como um dos exemplos de inovação comunitária, por seu projeto de bairro-escola, desenvolvido inicialmente em São Paulo, através do Projeto Aprendiz. O projeto foi replicado através do mundo via Unicef e Unesco.

O senador Cristovam Buarque, que criou a Bolsa-escola quando era governador do Distrito Federal, revelou, em livro intitulado A força de uma ideia, de Carlos Henrique Araújo e Marcelo Aguiar, que Dimenstein é um dos inspiradores desse programa que virou bolsa-família e menina dos olhos de governantes.

Participou do programa de liderança avançada de Harvard e foi o idealizador do site Catraca Livre, considerado um dos melhores blogs de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. O objetivo principal do site é agrupar informações que mostrem possibilidades acessíveis e de qualidade, virtuais ou presenciais, em várias áreas da atividade humana — cultura, saúde, mobilidade, educação, esportes e consumo —, em diferentes capitais do Brasil. Presente também no Facebook, rede social na qual possui quase oito milhões de seguidores, o Catraca se propõe a revelar personagens, tendências e projetos que inspirem soluções comunitárias inovadoras e inclusivas, mas também incita debates envolvendo questões sociais, culturais e políticas.

Gilberto Dimenstein sendo entrevistado pelo repórter José Bomfim. Outubro de 1997, Hotel da Bahia, Dimenstein veio a Salvador fazer uma palestra sobre trabalho infantil

Conheci Gilberto Dimenstein, pessoalmente, no evento citado na legenda da foto acima. À época, eu fazia várias reportagens para o jornal A TARDE sobre os malefícios do trabalho infantil. E a palestra do jornalista paulista estava inserida na pauta. A entrevista foi ótima e o resultado da reportagem muito bom. Desde então acompanhei o trabalho de Dimenstein, algumas vezes falamos um com outro por e-mail, sempre sobre o tema trabalho infantil.

Em 28 de agosto de 2000, na Folha Online, Gilberto Dimenstein escreveu:

Trabalho infantil continua nas regiões mais ricas do Brasil e do mundo

Crianças trabalhando na lavoura, limpando pára-brisas, costurando sapatos ou vendendo legumes na feira. Por incrível que pareça, isso não acontece só no Brasil. Estados Unidos e Europa também resolveram assumir seus problemas com o trabalho infantil.

Uma organização não governamental estima o número de trabalhadores até 14 anos na Europa em seis milhões, enquanto nos EUA cerca de 100 mil crianças se machucam ou adoecem em fazendas norte-americanas todos os anos. Em sua maioria, são filhos de imigrantes.

O especialista Sandy Hobbs, da Universidade de Paisley, no Reino Unido, considera os governos desses países hipócritas, ao condenarem o trabalho infantil em países pobres, enquanto não enfrentam o problema em seus quintais. E alerta: “Proibir o trabalho infantil pode até piorar o problema. O fundamental é que as crianças não sejam exploradas, expostas a riscos de saúde nem condenadas a estudar pouco e trabalhar em carreiras pouco valorizadas. “

Brasil – Regiões metropolitanas mais ricas, como São Paulo e Belo Horizonte, têm índices de trabalho infantil acima da média nacional de 3,53%, com 4,1% e 4,3%, respectivamente. Os dados foram levantados pela Fundação Getúlio Vargas.

Gilberto Dimenstein

Há cerca de nove meses, Gilberto Dimenstein descobriu que estava com câncer. A descoberta e o desdobramento disso foram contados por ele, de uma forma incomum, na Folha de S. Paulo, em 30 de dezembro de 2019. Tenha certeza, vale a pena ler:

Um pensamento sobre “Gilberto Dimenstein

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