Célio Taveira Filho

Foto feita em 1965, jogo amistoso entre Seleção de Vitória da Conquista x Vasco da Gama (RJ). Zeca (apelido de infância de José Bomfim, o Bomfim Brown de hoje, na foto com Célio, o maior artilheiro do Vasco nos anos 60, e Osmar, colega de escola de Zeca. Local: Estádio Edvaldo Flores, na “Terra do Frio” da Bahia

Escritores já cansaram de escrever que um jogo de futebol é muito mais que isso. Sociólogos, historiadores e jornalistas já desmembraram a expressão de todas as formas, mas o fato é que nem chegaram perto de explicar o significado disso para quem gosta desse esporte, ou mesmo quem não morre de amores, mas se sente atraído por um jogo que mobiliza multidões, gera torcidas apaixonadas e – hoje – muito dinheiro.

O jogo citado na legenda da foto é marcante em minha vida e sei que na vida de dezenas de outras pessoas que foram ao Estádio Edvaldo Flores naquele domingo sem chuva em Vitória da Conquista. Pesquisei muito em busca da data, quem souber ou descobrir será bem-vindo nos comentários. O site NetVasco que teria todos jogos do Vasco, estranhamente não tem esse amistoso em sua estatística. A certeza – pela escalação da equipe cruz-maltina – é que foi em 1965, ano da primeira Taça Guanabara, na qual o Vasco se sagrou campeão.

O estádio não tinha grama. Hoje, tem. E muita gente assistia ao jogo em cima do muro, feito para que ninguém assistisse aos jogos sem pagar. Antes do jogo, muita gente querendo tirar fotos com os jogadores vascaínos. E meu pai (Sr. Honorino Alves de Oliveira), firme no seu propósito de ver Zeca nas fotos, garantiu também a realização do sonho de Osmar, o colega de escola de Zeca.

O resultado do jogo era o que menos importava para a festa conquistense. O final de 1 x 1, porém, aumentou ainda mais a alegria de quem não queria ver nenhuma das equipes perder. O uruguaio Danilo Menezes (jogava de meia-esquerda e ponta-esquerda) fez o gol do Vasco. O melhor em campo foi o goleiro da Seleção de Conquista: Aírton Brito, mais conhecido como Vela Branca. Fez defesas mirabolantes, garantem até hoje quem viu aquele jogaço.

Quem foi o centroavante Célio

A imagem acima é do Instagram do Nacional. Um dos principais clubes de futebol do Uruguai. Célio é idolatrado pelos torcedores dessa equipe e muito respeitado no país como um dos maiores atacantes que por lá atuou. Isto, por si só, demonstra a importância de Célio no cenário sul-americano. Célio foi bicampeão uruguaio e se tornou o segundo maior goleador da história do clube na Taça Libertadores, com 21 gols. Célio também atuou pelo Corinthians (SP). Outras informações para o seu arquivo:

Nacional-URU e Vasco prestam homenagem ao ídolo Célio Taveira, vítima de Covid-19. Paulista de Santos, Célio Taveira marcou época no time uruguaio e também no Vasco. Ex-jogador morava em João Pessoa (PB), onde perdeu a batalha para o novo coronavírus.

Pelo time de São Januário, o ex-jogador marcou 100 gols, sendo o 16º artilheiro da história do clube, e foi eleito o craque da equipe nos anos de 1963, 1965 e 1966. Além disso, conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1966.

Outro clube que homenageou Célio Taveira foi o Botafogo-PB, maior clube da cidade adotada pelo ex-jogador para tocar a sua vida após a aposentadoria dos gramados. Célio tinha 79 anos, foi empresário após pendurar as chuteiras e ainda foi comentarista esportivo na capital da Paraíba.

Nacional do Uruguai homenageia Célio, no Instagram
Célio, ao lado de um pequeno torcedor do Nacional, em uma homenagem feita pelo clube uruguaio

Voltando ao jogo de 1965…

Antes de começar aquele jogo que representou muita alegria para os conquistenses vascaínos, Zeca posou para outra foto com outro jogador do Vasco, o médio-volante (hoje, chamariam de frente de zaga) Maranhão, que também foi um ídolo para a torcida vascaína. Maranhão morreu em 2007, durante um jogo de futebol de veteranos.

Zeca e Maranhão. O Sr. Honorino, de chapéu e guarda-chuva, também está presente na foto
Foto de 1966

Resenha

Antes mesmo da postagem, alguns amigos comentaram a informação no WhatsApp:

Paulo Nunes

Beleza Brown. Eu estava nesse jogo.  Lembro de Célio. Tinha um ponta do Vasco chamado Nado. Quase mata Firminho de tanto drible.

Valterci Freire

Grande Vela ou Airton Brito… Corsini era da turma mais nova: você, Fernandinho e Carlinhos (meu irmão). Mas Jorge e Tonico, irmãos de Corsini, eram da minha turma.

Nestor Mendes Júnior

Grande recordação de seu pai pelo futebol. Isso, no final, é o que conta…

Fernando Zamilute

Que pena, Bomfim!

Ídolos não deveriam morrer… fisicamente, eu digo. Permanecerão eternamente em nossas memórias.

3 pensamentos sobre “Célio Taveira Filho

  1. Sou uruguaio de Penarol e estava lá no Estádio Centenário de Montevideo o dia que Célio empatou o clasico semifinal da Libertadores nos últimos segundos da partida.
    Célio era um SENHOR respeitado e estimado por todos os uruguaios. Fique com Deus e ate um dia.
    Ótimo blog parabéns!

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    • Edgardo, seu comentário enobrece o blog e enriquece o post. Ficamos todos felizes em saber da admiração e respeito dos uruguaios por Célio.
      Muito obrigado por prestigiar o blog.
      Fique com Deus!
      Até um dia.

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  2. Mas era garboso seu Honorino! Não esqueço a elegância das pernas bem cruzadas, os braços displicentemente apoiados nos joelhos; essa graciosidade de gestos, quase feminina, que os homens nordestinos de antigamente tinham…a mão ‘quebrada’ ao segurar o cigarro. O peito reto e os ombros elevados, a garantir que o chapéu e a dignidade seriam os últimos a dizer até logo. Não esqueci nenhuma de nossas conversas.

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