Manuela Matos: “Os heróis de 59 estão de volta”


Time do Bahia, que derrotou o Santos, por 3 x 1, na partida final, realizada no Maracanã, em 29 de março de 1960. Em pé, da esquerda para a direita, Beto, Nadinho, Henrique, Flávio, Vicente e Nenzinho. Agachados, na mesma ordem, massagista Santana, Marito, Alencar, Léo, Mário e Biriba. Foto de autor desconhecido.

Através de uma exaustiva pesquisa e agora transformada em livro, o jornalista Antônio Matos conta para o leitor, com riquíssimos detalhes, a história da mais importante conquista do Bahia: o título de campeão da I Taça Brasil. 

Manuela Matos*
manamatos@hotmail.com

Com 287 páginas de um leve texto e inúmeras fotografias, muitas delas inéditas – como a do time do Bahia, na estreia da competição, em 23 de agosto de 1959, no Mutange, em Maceió, contra o CSA – o livro ‘Heróis de 59’, que narra a história da épica conquista da I Taça Brasil pelo Bahia, do jornalista Antônio Matos, será lançado nesta quarta-feira, dia 10, às 18h30, na zona mista da Arena Fonte Nova, localizada no quarto andar do estádio.

Prefaciada pelo advogado trabalhista e ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Roberto Pessoa e posfácio do jornalista Eliezer Varjão, ex-chefe de Reportagem de ‘A Tarde’, a obra, com selo da Solisluna, é dividida em cinco partes.

Vai desde a ideia de se criar a competição – que iria apontar o representante brasileiro na Copa dos Campeões da América, atual Copa Libertadores – à formatação do elenco do Bahia para dela participar, ao carnaval em Salvador, em pleno abril, festejando a chegada da delegação tricolor à cidade, e a carreata iniciada no então aeroporto 2 de Julho e encerrada na Praça Municipal. Estão ainda presentes a repercussão da mídia esportiva do Sudeste, diante do primeiro título nacional de futebol ter sido ganho por um time nordestino, e a festa das faixas na velha Fonte Nova, num jogo contra o Náutico. 

Os perfis dos jogadores e técnicos do Bahia, que integraram aquela memorável campanha, também não foram esquecidos, assim como a estatística completa da I Taça Brasil, com os resultados de todas as partidas.

“Esta publicação é uma homenagem aos 59 anos do primeiro título de caráter nacional ganho pelo Bahia e festejados em 29 de março último, dia do jogo final contra o Santos, no Maracanã, em 1960″, explicou Matos, lembrando que a data também coincide com o aniversário da cidade de Salvador.

Ele sempre pensou em escrever alguma coisa sobre o tema, mas o que deflagrou mesmo o projeto foi a leitura de ‘Bahia Esporte Clube da Felicidade’, do jornalista baiano Nestor Mendes Jr, e que reservou um capítulo do livro para a participação do Bahia na I Taça Brasil, e de ‘Dossiê – Unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959’, dos paulistas Odir Cunha e José Carlos Peres. “Aí, senti que era chegado o momento de registrar esta importante jornada do Bahia”, observou.

“Entre a decisão de escrever, o início das pesquisas, até a publicação do livro, lá se vão uns seis anos”, recordou o autor, que disse também ter se preocupado em resgatar, com súmulas e “nos mínimos detalhes”, os 14 jogos realizados pelo Bahia: dois com o CSA, três (e mais uma prorrogação) diante do Ceará Sporting, três frente ao Sport, três contra o Vasco da Gama e mais três com o Santos.

Embora ypiranguense, Antônio Matos, 71 anos, confessa ter se encantado com aquele time do Bahia de 1959, que tinha craques como Vicente, Flávio, Marito e Mário, “além de contar com o excelente goleiro Nadinho e grandes artilheiros, como Léo e Alencar”, complementou.

* Manuela Matos, jornalista, é filha e fã do autor do livro ‘Heróis de 59’

Súmula do jogo final

Bahia 3 x 1 Santos

Dia: 29 de março de 1960, terça-feira
Local: Rio de Janeiro
Estádio: Maracanã
Renda: Cr$ 642.703,00
Público: 17.330 pagantes
Juiz: Frederico Lopes, da Federação Metropolitana de Futebol
Auxiliares: Wilson Lopes de Souza e Aírton Vieira de Moraes, o ‘Sansão’, ambos da Federação Metropolitana de Futebol
Goleadores: Coutinho, aos 27’, para o Santos, e Vicente, aos 37’, para o Bahia, no primeiro tempo, e Léo, a 1’, e Alencar, aos 31’, do segundo tempo, para o Bahia.
TIMES
Bahia: Nadinho, Beto, Henrique, Vicente e Nenzinho. Flávio e Mário. Marito, Alencar, Léo e Biriba.
Santos: Lalá, Getúlio, Mauro, Formiga e Zé Carlos. Zito e Mário Cacareco. Dorval, Pagão [Tite], Coutinho e Pepe.

Uma surpresa na caixinha

Num dos capítulos do livro, o autor ironiza, num pequeno artigo, a mídia esportiva do Sudeste, que menospreza o futebol do Bahia, à medida em que o time se encorpava e chegava à decisão, após eliminar o Vasco da Gama, nas semifinais da competição:

“O futebol é uma caixinha de surpresa”.  A frase, hoje desgastada pelo uso indiscriminado, é lapidar, para justificar aszebras que insistem em pastar por gramados nos mais diversos locais do planeta.
O autor desta máxima, que admite o inesperado nos jogos de futebol, é o renomado radialista e jornalista Benjamim Wright, pai do ex-árbitro José Roberto Wright e falecido aos 80 anos, em 4 de março de 2000. 
Com atuações brilhantes nas rádios Nacional, Continental e Globo e contemporâneo de ícones da imprensa esportiva nacional, como Doalcei Camargo, Luiz Alberto, Jorge Cury e Afonso Soares, Wright não acreditou na marcante frase que cunhou, ao analisar o desfecho da I Taça Brasil.
Em seus comentários, fazendo coro ao colunista Vargas Neto, do ‘Jornal dos Sports’, e ao radialista Mário Vianna, antigo juiz de futebol, desqualificou o futebol do Bahia.
Reiteradamente e até com alguma contundência, afirmara, logo após o Bahia eliminar o Vasco da Gama e o Santos ultrapassar o Grêmio, no final de novembro de 1959, na fase semifinal da competição, que os baianos praticamente não teriam chances de vencer Pelé & Cia.
Disposto a refutar as sombrias previsões de Wright e, contraditoriamente, receptivo a sua notável máxima, o Bahia não tomou conhecimento do famoso Santos, derrotando-o, por duas vezes e sem contestação nas finais do campeonato, e conquistando tão cobiçado título.
A caixinha do futebol surpreendeu até o seu criador.




2 pensamentos sobre “Manuela Matos: “Os heróis de 59 estão de volta”

  1. Eu me lembro deste dia. Eu estava com 9 anos. Ouvi o jogo através de uma rádio de Salvador, não me lembro o nome, mas era a mais famosa da época. Foi um dia de glória, orgulho e alegria. Mas eu já torcia pelo Vitória por ser rubro-negro como o meu Flamengo. Onde comprar esse livro?

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