Artigo de Guilherme Guarche sobre história de Bahia x Santos

O Blog tem a satisfação de publicar este artigo do jornalista paulista Guilherme Guarche, assessor de Comunicação Social do Santos Futebol Clube.
O artigo foi apresentado a mim pelo jornalista e delegado de Polícia e colaborador deste blog, Antônio Matos.
É um artigo interessante, principalmente para quem gosta de futebol e das suas histórias. “O artigo contém preciosas informações”, afirma Antônio Matos. Lembrando que Bahia x Santos – mote do artigo – decidiram a Taça do Brasil de 1959, conquistada pelo time baiano após 3 jogos contra os santistas. Mas a história não para aí, outros jogos vieram e os santistas se saíram melhor. Confira o artigo.

Guilherme Guarche contando curiosidades do glorioso passado santista a estudantes – foto #MuseumWeek

Três decisões em cinco anos

                                                                                                  Guilherme Guarche

Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra que se chamava Bahia e foi essa indigesta pedra baiana, que, de forma surpreendente, tirou do Alvinegro da Vila Belmiro o seu primeiro título de campeão brasileiro, há quase 60 anos.

A bem da verdade cumpre esclarecer que houve por parte da diretoria do ‘Peixe’ um certo tom de soberba em relação ao time da Boa Terra, já que o próprio presidente santista pensava em definir a questão em dois jogos, ainda no mês de dezembro daquele ano de 1959, tanto que programou uma excursão pela América do Sul, com início no começo do ano seguinte.

Marito segura o troféu da Taça Brasil de 1959, ao fundo o time campeão – foto Globo Esporte

E deu no que deu, já que o time da terra de Castro Alves venceu o 1º Campeonato Brasileiro, ganhando a primeira partida da final em plena Vila Belmiro, por 3 a 2, depois perdeu a segunda, em Salvador, por 2 a 0, e sagrou-se campeão, vencendo a terceira e decisiva partida no Maracanã, por 3 a 1, decepcionando os incrédulos torcedores peixeiros.

Na terceira edição do Campeonato Brasileiro, em 1961, o time santista ainda sentia o sabor amargo da perda do primeiro título nacional, dois anos antes, para o mesmo Bahia, que agora surgia à sua frente em nova decisão do campeonato. Era chegada a hora de devolver, com juros e correção monetária, aquela triste lembrança. E foi o que realmente aconteceu.

O ‘Peixe’ empatou a primeira partida pelo placar de 1 a 1, no estádio da Fonte Nova, na capital baiana, e depois goleou o Tricolor da Boa Terra, no estádio Urbano Caldeira, por 5 a 1, numa exibição de gala em que se redimia do resultado negativo em 1959. Além da vingança, o Alvinegro se sagrava pela primeira vez campeão brasileiro.

Na final da edição do quinto Campeonato Brasileiro (na época, denominado “Taça Brasil”), no ano de 1963, novamente o Alvinegro teve que enfrentar o time do Bahia, chamado carinhosamente por sua torcida de ‘Bahêa’, e o Santos, então já mundialmente aclamado como o maior time de futebol do planeta, atropelou a equipe da terra do soteropolitano Dorival Caymmi, vencendo a primeira partida da final pela acachapante goleada de 6 a 0, no estádio do Pacaembu, no dia em que a cidade paulistana, que completava 410 anos de fundação, recebeu como presente a exibição irretocável do ataque mágico, que teve dois gols de Pelé, dois de Pepe, um de Coutinho e um de Mengálvio.

Nesse festivo dia 25 de janeiro de 1964, um sábado à tarde, “o Santos de glórias mil”, como dizia o saudoso autor e dramaturgo Plínio Marcos, foi escalado pelo técnico Luiz Alonso Perez, o Lula, com Gilmar, Ismael, Mauro, Haroldo e Geraldino; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.

Na partida de volta, que deu ao Santos o tricampeonato brasileiro, o Bahia foi vencido por 2 a 0, no antigo estádio da Fonte Nova, na bela Salvador, dominado pela autoridade de um time que encantava pela magia de seu futebol-arte, comandado pelo ‘Rei Pelé’. Foi também essa a última vez em que as duas equipes se encontraram em decisões de títulos.

O primeiro jogo Santos x Bahia foi um amistoso realizado em 2 de abril de 1936, no estádio da Graça, em Salvador, e o ‘Peixe’ venceu por 2 x 1, gols de Raul para os paulistas e Armandinho para os baianos. O Santos, treinado por Virgílio Pinto de Oliveira, o ‘Bilu’, e que formou com Cyro, Neves e Agostinho. Dino, Ferreira e Jango. Sacy, Moran, Raul, Araken e Antenor, ganhou as taças ‘Prefeitura Municipal’ e ‘Companhia Construtora Universal Ltda’. O Bahia atuou com Hamilton, Bubu e Tarzan. Nouca, Neizinho e Vanderlei. Oto, Armandinho, (Betinho), Romeu, Tintas e Moela. São os seguintes artilheiros santistas nos confrontos contra o Bahia: Pelé, 15 gols, Coutinho, 8, Toninho Guerreiro, 7, Viola, 6 e Bruno Henrique, 4.

 

Guilherme Guarche é autor dos livros “1955 – O Começo'”sobre a fase áurea do Santos Futebol Clube e de Memória Santista

Informações sobre o livro Memória Santista, clique aqui.

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