Dom Paulo Evaristo Arns – um ícone da luta contra o autoritarismo

Dom Paulo Evaristo Arns - Foto Arquidiocese de SP

Dom Paulo Evaristo Arns – Foto Arquidiocese de SP

Nascido na mesma década de 1920 a exemplo de Dom Paulo Evaristo Arns, o jurista Helio Bicudo só veio a conhecer o cardeal nos anos 1970, durante a ditadura militar instalada no Brasil em 1964.

Hélio Bicudo atuava como procurador de Justiça em São Paulo e tentava denunciar o Esquadrão da Morte, grupo de extermínio formado por policiais. “Eu não tinha apoio nenhum. Aí ele me mandou um cartão e se colocou à disposição para ajudar”, conta o jurista.

O Esquadrão tinha entre seus integrantes o delegado Sergio Paranhos Fleury, um dos mais famosos torturadores da ditadura militar. Hélio Bicudo acabou coletando material suficiente para publicar um livro sobre a atuação criminosa do grupo. Em uma época de repressão e censura, o assunto era pouco conhecido.

Hélio Bicudo - Foto -Karime Xavier - Folhapress

Hélio Bicudo – Foto -Karime Xavier – Folhapress

“Eu não conhecia uma editora para publicar o livro. Então, me aconselhei com dom Paulo, e ele recomendou algumas editoras. Fui a elas e só recebi respostas negativas. Diziam que eram empresas comerciais e não poderiam mexer com esse assunto. Depois de fazer esse périplo, voltei ao cardeal, e ele me disse: vamos publicar pela Comissão Justiça e Paz.”

A comissão fora criada em 1972 pelo próprio arcebispo na Arquidiocese de São Paulo. O livro “Meu depoimento sobre o Esquadrão da Morte”, de autoria de Bicudo, foi publicado em 1975 pela comissão. “Foi pelas mãos de dom Paulo que o livro foi lançado. Devo isso a ele. E a sociedade brasileira deve isso e muito mais”, relembra.

Era assim dom Paulo Evaristo Arns, não media consequência em se tratando de defesa dos direitos humanos e denunciar os crimes cometidos durante a ditadura militar soava-lhe uma ação natural. Dom Paulo morreu nesta quarta-feira (14 de dezembro).

Dom Paulo Evaristo Arns e sua irmã Zilda Arns - Foto Globo.com

Dom Paulo Evaristo Arns e sua irmã Zilda Arns – Foto Globo.com

Principalmente para os mais jovens que pensam que o Brasil sempre foi essa briga de torcidas na política, houve um tempo em que as sentenças já estavam prontas antes mesmo do julgamento da vítima e para lutar pela redemocratização o preço poderia ser a própria vida. Dom Paulo era irmão de dona Zilda Arns, que o blog homenageou aqui, quando do terremoto no Haiti.

Conheça mais detalhes desse grande herói brasileiro, um lutador incansável em defesa da democracia e contra as formas autoritárias de governo:

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/dom-paulo-evaristo-arns-lutou-contra-a-ditadura-e-pelos-direitos-humanos.ghtml

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/dom-paulo-deu-o-colo-que-minha-mae-precisava-diz-filho-de-vladimir-herzog.ghtml

 
Cardeal denunciou assassinato do jornalista por agentes do Regime Militar. Post foi publicado por Ivo Herzog na página do Instituto Vladimir Herzog.

 

Dom Paulo Evaristo Arns lutou contra a ditadura e pelos …

g1.globo.com

Arcebispo emérito atuou ainda como jornalista, professor e escritor e sempre exaltou seu amor pelo Corinthians.

 

 

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