Mais uma reforma de Dilma. Ou será de Lula e do PMDB?

Lula fala, Dilma ouve e Temer fica atento - foto www.agorams.com.br

Lula fala, Dilma ouve e Temer fica atento – foto http://www.agorams.com.br

Alguns comentaristas políticos analisam as mexidas ministeriais – redução de 39 ministérios para 31 – como a nova reforma da presidente da República, Dilma Rousseff. Outros, entendem que, sim, foi realizada uma reforma, mas não de Dilma. Seria a reforma ministerial de Lula e do PMDB. De tudo, a população entendeu que nunca houve necessidade de tantos ministros e ministérios, afinal, de uma vez só, exterminaram oito, e ninguém se lembra quais foram. A Nação passou nove meses com oito ministérios que não somaram nada na evolução político-social do País.

Triste Dilma. Exatamente um ano depois da euforia da vitória nas urnas, para realizar o segundo mandato, veio a frustração por saber que não governa mais nada. Não tem a articulação política, não tem as diretrizes da economia, não tem nem mesmo ideia de a quantas anda a tal Pátria Educadora que seus marqueteiros elegeram como um dos trunfos do seu programa de governo.

Que pena, Dilma, tanta expectativa da população e a frustração de todas as classes – de A a Z – com suas promessas feitas há um ano. Chegou a enfrentar o seu criador, mas terminou por se submeter. Lula ditou a mudança de ministros, de braços dados com o “fisiológico” PMDB. Dilma apenas carimbou as mudanças.

Alberto Bombig e Vera Rosa, em O Estado de S. Paulo, na edição de 5 de outubro, comentam que “no novo arranjo da Esplanada, o PMDB tem previsão de administrar ao menos R$ 99 bilhões do Orçamento para 2016, ante R$ 75, 5 bilhões programados para as pastas petistas. O levantamento também deixa claro que, ao longo dos mandatos, a era petista vem sendo corroída pelo arranjo de forças para dar sustentação ao projeto do partido, alvo de denúncias de corrupção e sob constante ataque dos adversários. Se em 2003, início da primeira gestão Lula, o partido tinha 19 dos 35 ministérios (54% do total de pastas), agora os petistas estarão à frente apenas de 9 das 31 pastas (29% do total)”. Leia mais: PMDB comandará orçamento maior do que os petistas na nova Esplanada

Nas ruas, manifestações patéticas de “fora Levy”, como se o ministro da Fazenda não estivesse no governo a convite da presidente.

Aliás, analistas afirmam que o próximo passo de Lula é deletar Joaquim Levy do ministério. A estratégia até estaria traçada. Deixa Levy concluir o “ajuste fiscal” (em bom português o arrocho) e depois convence os incautos que é ele o culpado do aumento de impostos, do retorno da CPMF, da falta de dinheiro para as universidades federais, da falta de recursos no INSS, da redução de programas como Minha Casa Minha Vida e Bolsa-Família. Convoca-se os “movimentos sociais” para as manifestações e Lula reaparece para dizer que o PT está retomando as rédeas da economia. Simples assim.

“Os sinais da estratégia e da cronologia do ataque de Lula a Levy estão aí na praça, a céu aberto. Começaram com declarações daqui e dali de lulistas empedernidos, foram formalizados pela Fundação Perseu Abramo, viraram conversa animada no Congresso e disseminaram-se pelos restaurantes onde a pauta é ‘como salvar a pátria’. Leia-se: como salvar Lula e o PT”, disse em seu artigo de 4 de outubro, Eliane Cantanhêde.

Nesse meio tempo, foi fundamental para a “reforma” que o presidente da Câmara de Deputados, o peemedebista Eduardo Cunha, caísse em desgraça. Hoje, a dúvida sobre ele é se renuncia ou será cassado. Leia mais aqui: Eduardo Cunha e as contas não declaradas.

Os problemas para Lula e Dilma são que a maioria hoje não se ilude com o Partido dos Trabalhadores; a Operação Lava-Jato continua investigando “malfeitos” e a “família Lula” tem muito a explicar; e as “pedaladas fiscais” do governo Dilma começam a ser votadas pelo TCU nesta quarta-feira, 7.

Que pena, Dilma, você na Presidência da República, e Graça Foster, na presidência da Petrobras, poderiam ter entrado para a História de forma positiva: duas mulheres comandando os destinos do país e da empresa símbolo. Estão, cada vez mais, se afirmando como vítimas dos profissionais da política e do esquema fisiológico do toma-lá-dá-cá. Bem intencionadas, mas inábeis politicamente e omissas na administração, serão simples sombras do que gostariam de ter sido? Pelo que aconteceu até aqui, sim.

Leia:

Reprovadas pelo TCU as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff

Um pensamento sobre “Mais uma reforma de Dilma. Ou será de Lula e do PMDB?

  1. Bomfa querido:

    Mais uma vez parabenizo pela sua análise lúcida e realista do momento político que passamos. É verdade uma pena mesmo duas mulheres, Dilma e Graça Foster, perderam uma grande oportunidade de entrarem para a história! Como mulher fico muito decepcionada com o comportamento das duas. Uma grande decepção!! Poderia ser tudo tão diferente… Ah! A política…
    Abs

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