Da série “Esqueça o que falei antes”

Imitando Fernando Henrique Cardoso, que no governo pediu que esquecessem o que ele escreveu antes, a presidente Dilma Rousseff inicia seu segundo mandato com anúncios bem diferentes daqueles discursados durante a campanha eleitoral.
Não há dúvida que se Marina ou Aécio tivesse vencido a eleição e estivesse a anunciar o que Dilma anuncia, a militância estaria nas ruas para acusar que os ministérios estão sendo entregues a banqueiros e latifundiários.
Como se não bastasse isso, na semana passada, os partidos aliados do governo não compareceram e faltou quorum para que o Congresso votasse o decreto assinado pela presidente Dilma que muda a meta fiscal de 2014.
É um absurdo? Sim, é, não se atinge a meta pretendida, então altera-se essa meta, simples assim.
Para acabar com a resistência dos parlamentares que talvez tenham se envergonhado de atender tal pedido, o que fez a presidente?
Editou outro decreto que condiciona a liberação de R$ 444,7 milhões para pagamento das emendas individuais dos parlamentares ao Orçamento da União à aprovação do decreto que muda a meta fiscal deste ano.
É o velho, surrado e imoral “toma lá dá cá”.
Os R$ 444,7 milhões garantem R$ 748 mil para cada um dos 513 deputados e 81 senadores – dinheiro, teoricamente, a ser empregado em obras nos redutos eleitorais dos parlamentares.
O aviso claro da presidente foi: “Se a meta fiscal não for mudada, não tem dinheiro para emendas”
Para evitar que a imprensa dissesse que os parlamentares estão trocando o voto por dinheiro, a presidente Dilma se reuniu com 23 líderes de partidos e pediu o “empenho” para aprovarem a nova meta fiscal.
O texto-base foi aprovado por volta de 3h45 da madrugada de quinta-feira (4 de dezembro), mas quatro destaques ficaram pendentes. Três deles foram rejeitados em votações simbólicas, sem a contagem de votos. No momento em que o último destaque estava sendo discutido, parlamentares da oposição pediram votação nominal, quando foi detectado que não havia o quorum mínimo de 257 deputados.
No total, apenas 192 deputados marcaram presença na votação do último destaque. O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou, então, que uma nova sessão para discutir o texto deverá ocorrer na próxima terça-feira.
O que prevê o texto
O projeto discutido pelo Congresso, considerado prioritário pelo Palácio do Planalto, derruba a meta fiscal e permite ao governo fechar as contas públicas sem a obrigação de cumprir o superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) estabelecido para 2014. No início do ano, a previsão de superávit era de R$ 116 bilhões. Com a aprovação do projeto, passa para R$ 10 bilhões.
Apesar da ampla base de apoio ao governo na Câmara e no Senado, o Congresso fez cinco tentativas até conseguir a aprovação do texto. Renan Calheiros chegou a colocar o projeto em pauta na semana passada, mas, antes, os parlamentares tiveram de analisar 40 vetos presidenciais e um projeto de lei que estavam à frente da meta fiscal na ordem do dia.
A oposição classificou o projeto como uma “anistia” à presidente Dilma Rousseff pelo descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Já o governo pediu “consciência” e afirmou que a mudança na meta fiscal busca “estabilizar” a política econômica do país.
A presidente Dilma Rousseff falou na quinta-feira (4) sobre a decisão do Congresso Nacional de aprovar o texto-base da proposta enviada pelo governo federal que derruba a meta fiscal prevista para 2014.  “Estou bastante satisfeita”, afirmou ela ao ser questionada sobre a votação na sua chegada a Quito, no Equador, onde participa da Cúpula da Unasul, grupo de 12 países da América do Sul.
Escolha de ministros
 
Senadora Kátia Abreu

Senadora Kátia Abreu

 
Joaquim Levy: ele já serviu com correção aos governos FHC e Lula

Joaquim Levy: ele já serviu com correção aos governos FHC e Lula

Dilma anunciou os nomes de cinco ministros do seu futuro governo: Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Alexandre Tombini (Banco Central), Kátia Abreu (Agricultura) e Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).
A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que fez forte oposição a Lula, se aproximou de Dilma sem abrir mão de suas convicções. Lutou por um Código Florestal do ponto de vista do agronegócio e dos latifundiários,, é líder desses setores.
Teria a presidente Dilma ou o PT jogado suas convicções no lixo? O partido já se aproximou de Sarney, Maluf e até Collor de Mello, então não há surpresa, mas não fez ainda dois meses que Dilma falava o contrário do que está fazendo no programa eleitoral.
Inovação não há, convenhamos. Foi para ter Henrique Meirelles no Banco Central e o próprio Joaquim Levy no Tesouro que Lula venceu a eleição em 2002? Era o que prometia em sua campanha? Levy, não custa lembrar, tinha sido secretário-adjunto de Política Econômica e economista-chefe do Ministério do Planejamento do governo FHC, aquele que teria deixado, segundo Lula, uma herança maldita.
E o que se viu? O presidente eleito em 2002 jogou o programa do PT no lixo, governou com a agenda de FHC, cujo governo havia sido derrotado nas urnas, e acabou se consagrando e sendo reeleito.
Não é demais lembrar que Joaquim Levy trabalha, desde 2010, no Bradesco Asset Management, divisão de gestão de recursos do Banco Bradesco, onde ocupa atualmente o cargo de diretor-superintendente.

3 pensamentos sobre “Da série “Esqueça o que falei antes”

  1. A estrela vermelha não apenas amarelou, mas está azulando há muito tempo. 😉
    O mundo da política também dá voltas…

  2. Parabéns pela sua objetiva, clara e informativa descrição desta triste realidade política que assistimos em nosso país.
    Um ótimo final de semana!!

    Abs

  3. É uma vergonha, cara! Como dizia a personagem da série do mesmo nome, na Globo, Toma Lá Dá Cá, com o bordão diante de situações muito bizarras: “Prefiro não comentar!”.

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