Vida e morte de Eduardo Campos

A vida é muita estranha mesmo. A morte, mais misteriosa. E nossa vã filosofia ainda quebra a cabeça com a arrogância, vaidade, petulância e outras tantas idiotices que movem muita gente. Um dia, acabam removidas. Ao mesmo tempo – e contraditoriamente ao dito antes – às vezes, a impressão é o que os ruins duram mais, enquanto aqueles voltados para a colaboração em melhorar a convivência entre as pessoas partem antes. É a impressão que fica para boa parte do País quando soube da morte de Eduardo Campos. Ontem, à noite, o candidato à Presidência da República foi entrevistado no Jornal Nacional e saiu-se bem. Fez bom trabalho quando governou Pernambuco, talvez não vencesse a disputa para a Presidência, mas já havia demonstrado ser um político interessado na coletividade, o que nesse país é objeto raro. Eduardo Campos morreu nesta quarta-feira, 13 de agosto, mesma data em que morreu seu avô, o emblemático Miguel Arraes, em 2005.
Leia o brilhante e lúcido texto de Caetano Veloso: “Parece incrível que eu tenha conhecido Eduardo Campos quando ele era criança. Olhando as responsabilidades que ele assumiu (e das quais deu conta com folga) , sinto-me um menino diante de um adulto. Mas percebi o peso dos anos ao ver na TV a notícia insuportável de sua morte: me vi de repente cansado demais das esperanças ligadas ao Brasil. São muitas décadas de teimosa aposta no país em que nasci. Que tenha morrido aos 49 anos um líder como Eduardo parece sinal de negação de quaisquer possibilidades. Esboça-se o gesto de um político que prometia ver com coragem as complexidades de nossa vida, desafiando a polaridade empobrecedora dos grupos majoritários estabelecidos, e vem a foice do destino dizer que não. Sinto como se se evidenciasse a inviabilidade de superação dos nossos problemas. A hora é de luto. Acompanhar Marina Silva em suas palavras de pesar; seguir leal ao tom de dignidade que ela, ao aproximar-se de Eduardo, adensou no nosso enfermo cenário político; chorar com a mãe, a mulher, os filhos, os parentes todos de Eduardo (essa família tão merecidamente amada do povo pernambucano e do meu coração); e tentar, com paciência, reaprender que pode-se perder a fé e a esperança mas que a caridade (o amor) não morre – e assim redime sempre as outras virtudes.”
Veja os detalhes do UOL:
Eduardo Campos morre em acidente de avião em Santos (SP)
Foto: Alan Marques/ Folhapress – 30/07/2014

Eduardo Campos, 49, era ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência

O candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, morreu aos 49 anos em um acidente de avião por volta das 10h desta quarta-feira (13) em Santos (72 km de São Paulo). A aeronave modelo Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, vinha do Rio de Janeiro e tinha sete pessoas a bordo. O Corpo de Bombeiros confirmou que não há sobreviventes. 
De acordo com a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), morreram, além de Campos, os pilotos Geraldo Cunha e Marcos Martins, o assessor de imprensa Carlos Augusto Leal Filho, o fotógrafo Alexandre Severo Gomes e Silva, o cinegrafista Marcelo Lira e ainda Pedro Valadares Neto. 
Trajetória de Eduardo Campos
Eduardo Henrique Accioly Campos era casado com Renata Campos e tinha cinco filhos. Formado em economia pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), ele havia completado 49 anos no último domingo (10), Dia dos Pais — data em que foi divulgado um vídeo com mensagens gravadas por seus filhos. Renata e Miguel, filho mais novo do casal, com apenas seis meses, estiveram ontem no Rio com o candidato e depois seguiram para o Recife.
Campos teve uma carreira de sucesso na política pernambucana, chegou a ser ministro e tentava a Presidência da República. Começou a militância política como presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Economia da UFPE.
Em 1986, participou ativamente da campanha que elegeu Miguel Arraes, seu avô — morto há exatamente nove anos –, para o Governo de Pernambuco.
Arquivo pessoal
Eduardo Campos começou sua vida política seguindo os passos do avô Miguel Arraes
Clique para ver a trajetória
Ele entrou no PSB em 1990, quando foi eleito deputado estadual. Quatro anos depois, chegou ao Congresso Nacional, mas não chegou a assumir, ficando no Estado nos cargos de Secretário da Fazenda entre 1995 e 1998.
Ainda em 1998, voltou a vencer a disputa para a Câmara, sendo o mais votado do Estado (173 mil votos). Em 2002, fez campanha para o então candidato à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. No Congresso, Eduardo Campos destacou-se como articulador do governo Lula. No ano seguinte, tomou posse como ministro de Ciência e Tecnologia..
Em 2005, Eduardo Campos assumiu a presidência nacional do PSB, onde permanecia até o acidente desta quarta-feira (13). Em 2006, numa disputa acirrada, venceu a eleição para o Governo de Pernambuco. Em 2010, disputou a reeleição e obteve a vitória no primeiro turno com mais de 82% dos votos válidos.
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2 pensamentos sobre “Vida e morte de Eduardo Campos

  1. Boa noite Grande cunhado Zeca.

    O Brasil perdão uma grande chance de crescimento, possíveis melhoras na educação e saúde. Todos nós perdemos.

    Abraços

  2. Imensa perda para a política do país e para o próprio país. Lamentável tragédia. Figura que eu daria o voto neste 2014, após 19 anos sem votar em ninguém, por não ter opção.

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