Alemanha campeã mundial! O futebol ganhou com a conquista dos germânicos

Sim, a vitória da Alemanha foi melhor para o futebol. Foi a vitória da equipe que mais procurou jogar, que busca o gol, que organiza seu jogo com o objetivo de vencer, de acuar o adversário, que procura sempre a bola. Alemanha, Holanda e Argentina foram, seguramente, as equipes com plano de jogo mais transparente. As duas primeiras são ofensivas. A Argentina tem uma estratégia de se defender – diminuindo o espaço do adversário, mas em seu próprio campo – e contra-atacar.
Thiago Silva, capitão da Seleção, abre o berreiro no momento da cobrança dos pênaltis contra o Chile, Felipão o consola. A Seleção Brasileira ganhou disparada no choro
Thiago Silva, capitão da Seleção, abre o berreiro no momento da cobrança dos pênaltis contra o Chile, Felipão o consola. A Seleção Brasileira ganhou disparada no choro
O Brasil, ah! O Brasil. A tática era se defender mal com vários volantes e dar chutão para a frente onde Neymar pegava a bola e tentava resolver, sempre marcado por três adversários. Quando Neymar foi criminosamente afastado da Copa, Felião perdeu sua “tática”. E ainda aparecem torcedores brasileiros questionando a qualidade do futebol de Neymar. Alguns deixam a antipatia que têm pelo homem interferir na análise que fazem de sua arte.
Quando digo que foi melhor para o futebol é resgatando a constatação de que a tática do campeão de uma Copa do Mundo influencia o modo de jogar dos times e seleções a partir daí, pelo menos durante os quatro anos seguintes, até a próxima Copa. É sempre assim.
Se todos seguirem ou pelo menos tentarem imitar a Alemanha, então o futebol saiu ganhando. E se fizerem isso também na organização fora de campo, ainda melhor. A Alemanha há quase dez anos mudou o jeito de administrar os seus campeonatos e a seleção nacional. É o que o Brasil tem agora a oportunidade de fazer. É preciso mudar desde a mentalidade de dirigentes até a de técnicos e jogadores. Enfim, o trabalho não é simples e é preciso moral, ética e honestidade, itens que não vemos nas cúpulas dos que dirigem o futebol no Brasil.
Veja e leia algumas coisas interessantes do pós Copa. A Copa, no Brasil, considerada a melhor de todos os tempos:
O legado dos 7 x 1, por Gil Castello Branco
Gil Castello Branco, O Globo
O talento de Carlos Drummond de Andrade vai além da capacidade de transformar palavras em arte. Na semana passada, atordoado com os 7 x 1, reli a crônica “Perder, ganhar, viver”, publicada há 32 anos, na derrota do Brasil para a Itália, no Mundial de 1982.
No texto, o poeta retratou a frustração que tomou conta do país, comparável à que nos envolveu agora, nas goleadas impostas por Alemanha e Holanda.
A respeito da reação dos políticos, Drummond escreve: “…Vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições…” Nada tão atual.
A Alemanha no clube dos tetracampeões
Juca Kfouri
14/07/2014 02:14
A seleção brasileira levou 24 anos entre seu tricampeonato, em 1970, para ser tetra em 1994.
A Itália também foi tri em 1982 e o tetra só veio em 2006.
Eis que agora, para se juntar ao restrito clube dos tetracampeões, a alemanha também levou 24 anos, de 1990 até aqui.
Com a diferença de que se brasileiros e italianos chegaram ao tetra nos pênaltis, os alemães ganharam com a bola rolando, na prorrogação.
A justa conquista coroa um processo de modernização do futebol alemão em que os clubes não se endividam, cuidam das categorias de base, participam de um campeonato nacional com media de 45 mil torcedores por jogo e no qual cartola que comete maus feitos vai para cadeia, como foi o presidente do poderoso Bayern Munique.
Como dá para perceber, o 7 a 1 tem mais explicação que um simples apagão.
Alemanha. Porque se pode ser humano, profissional e vencedor ao mesmo tempo
juliogomes
13/07/2014 21:42
20h15. Maracanã. Quando comecei a escrever as mal traçadas linhas, duas horas e pouquinho após o final do jogo, Lukas Podolski surgiu no gramado com o filhinho. Havia ainda uns bons 500 alemães no estádio.
Podolskinho chuta a bola, que é quase do tamanho dele. Podolskão faz a defesa. E a torcida… vaia! Logo depois, logicamente, teve a selfie do tuiteiro mais carismático da Copa do Mundo. O bom humor alemão perdurou do início ao fim da Copa, espalhou-se do campo para fora dele, da Bahia para o país inteiro.
Podolski nasceu na Polônia, como Klose, o maior artilheiro da história das Copas. Khedira é de origem tunisiana. Ozil, de origem turca. Boateng, o primeiro negro campeão com a camisa alemã, é filho de pai ganês. Essa é a nova Alemanha, multicultural, um país que carregará o eterno peso por ter sido pivô de duas guerras devastadoras. Mas que não se esconde dos erros do passado e cria os filhos de forma a que nada parecido volte a acontecer.
Times de futebol multiculturais são melhores do que times com jogadores “iguais” (todos altos, todos baixos, todos fortes, todos assim, todos assado). O Brasil sempre teve essa vantagem. País multicultural na essência, aproveitou-se disso nos anos em que começou a construir a lenda que é, nas décadas de 50 e 60.
Hoje, não é só o Brasil que tem essa vantagem. Assim como não é mais só o Brasil o dono da alegria.
O que os jogadores alemães nos ensinaram nos últimos 30 e poucos dias é que é possível sorrir mesmo em momentos de tesão e concentração. Conciliar vida com trabalho. É possível ser humano e também profissional ao extremo. É possível que um time de futebol deixe sua marca fora do campo, e não apenas passe de passagem por um país ou uma vila. É possível que jogadores, verdadeiras estrelas dos nossos tempos, saiam da redoma em que são colocados para lembrar que, fora dela, existem pessoas de carne e osso. Que riem, choram, dançam, passam fome.
Eu não tenho dúvidas que os jogadores de futebol do Brasil ficariam felizes da vida se tivesse a chance de interagir, de saírem da redoma. Não foi o que aconteceu na África do Sul, um país tão parecido com o nosso. Não foi o que aconteceu nem no nosso. Se tivessem feito o que os alemães fizeram, seriam acusados por oportunistas de terem “perdido a Copa por isso”.
Não se ganha uma Copa assim. Não se perde uma Copa assim. E, no fundo, o que importa? Será que ganhar ou perder uma Copa importa mais do que o legado humano que a seleção alemã deixa para as pessoas de Santa Cruz Cabrália?
O que a Alemanha faz e tem feito com seu futebol e seus profissionais de futebol precisa servir de inspiração para o Brasil. Em todos os sentidos. Obviamente em termos de organização, da estrutura do esporte, qualificação de profissionais, etc. Mas também no lado humano, de formação de pessoas e a relação delas com a sociedade.
Dito tudo isso, é sempre importante que projetos assim tenham sucesso. Ganhem, enfim. Para que a cabeça pequena que adora um resultado não relativize tudo.
Foi importante para o futebol que a Alemanha ganhasse a Copa do Mundo. Por tudo o que fez, por tudo o que vem fazendo e que já está sendo copiado lá na Europa.
Não tanto pelo jogo deste domingo, convenhamos. A Argentina fez um primeiro tempo primoroso. Perfeita taticamente, fez o básico até, o que o Brasil foi incapaz de fazer. Encheu de gente no meio de campo, juntou linhas e fechou espaços. Ajudou o fato de a Alemanha ter perdido Khedira logo antes da partida começar.
Quando recuperava a bola, a Argentina fazia uma transição alucinantemente rápida. A mesma que Felipão imaginou com Hulk e Bernard, pelos lados do campo. Só que para haver a transição rápida, e a estocada contra uma defesa que tem pouca velocidade, é necessário antes recuperar a posse. Isso, o Brasil não fez. A Argentina, muito mais evoluída taticamente, fez bem demais.
O gol que Higuaín perde, inaceitável em uma final de Copa do Mundo, teria sido a coroação de um primeiro tempo enorme, em que a Argentina, mesmo sem a bola, não foi ameaçada e muitas vezes ameaçou.
A lesão de Kramer e consequente entrada de Schurrle ajudou a Alemanha. Ozil veio para o meio, Kroos, que não fez uma grande partida, recuou, e Schurrle passou a incomodar com sua profundidade. Aí sim, tivemos um segundo tempo bem mais equilibrado. Também porque Sabella errou ao tirar Lavezzi para botar Aguero, o que fez a Argentina perder consistência defensiva e velocidade para contra atacar.
Ainda assim, foi criada a chance com Palacio. Outro gol que não se pode perder. Com a lesão de Di María e Aguero baleado, foi impossível não pensar na falta que fez Tevez. Os gols perdidos por Higuaín e Palacio não teriam sido perdidos por ele. E, convenhamos, nem por Messi nem por Aguero, é que as bolas caíram nos pés errados.
A vitória da Alemanha na prorrogação não veio por acaso. Um time claramente mais inteiro fisicamente e que estava buscando, não queria pênaltis.
E o gol saiu dos pés de Gotze, um garoto genial, muito novo ainda e que agora, possivelmente, terá uma carreira decolando rumo à estratosfera.
Em 2010, Iniesta. Em 2014, Gotze. Jogadores com características diferentes, mas, em comum, têm o bom trato com a bola, extrema qualidade técnica e capacidade de criação e improvisação.
Iniesta e Gotze poderiam ser brasileiros. Se tivessem nascido 50 anos atrás. Hoje em dia, não formamos mais jogadores como estes dois. E não é por falta de sorte, não.
Entrevista considerada arrogante ajudou a derrubar Felipão na seleção
Perrone
15/07/2014 01:30
Antes do jogo contra a Holanda, José Maria Marin estava disposto a manter Felipão no cargo, mas acontecimentos durante e depois da partida fizeram o presidente da CBF mudar de ideia.
Enquanto a derrota ainda era escrita, pegou mal o fato de Neymar, Hulk e Daniel Alves orientarem os companheiros. Soou como uma perda de comando por parte do técnico.
Ao final da disputa pelo terceiro lugar, os 3 a 0 aplicados pelos holandeses deixaram Felipão com um pé na rua, pois passaram a ser dois vexames seguidos e dez gols tomados em duas partidas.
A situação de Scolari se complicou dramaticamente na entrevista coletiva. A análise generosa do desempenho da seleção e a lembrança de suas conquistas pessoais soaram como arrogância e cortina de fumaça para encobrir os maus resultados.
Foram afirmações como “desde 2002 [quando o Brasil foi campeão com Felipão] não chegávamos às semifinais”, “disputei três Copas do Mundo e fiquei entre os quatro em todas”, “não jogamos mal” e “tivemos momentos muito bons”. Depois do show de autoconfiança, Marin teve a certeza de que a situação do treinador estava insustentável. O sentimento da cúpula da Confederação Brasileira passou a ser de que Scolari ficaria com a imagem de arrogante, justamente no momento em que a CBF quer um treinador com apoio popular. Não dava mais para manter Felipão.
Felipão duplamente magoado
Felipão esteve no apartamento de José Maria Marin por uma hora no fim da tarde de hoje e teve algumas surpresas.Primeiramente ao saber que havia uma equipe da TV Globo na porta do prédio.
Depois a mudança de posição da dupla Marin/Nero sobre o que havia sido conversado antes do jogo contra a Holanda.
O técnico, ingenuamente ou não, achou que continuaria à frente da Seleção, principalmente depois que uma sondagem de opinião pública feita pelo Esporte Espetacular, já no domingo, mostrou que 25% das respostas foram pela sua manutenção, à frente de Tite.
Ele não se demitiu ao contrário do que diz a nota da CBF e nem sequer entregou o prometido relatório, porque sua reunião com a cúpula da CBF não estava marcada para hoje.
Ao seu modo, Felipão se sente duplamente magoado: pelos dois cartolas, embora entenda que não suportem as pressões, e pela Globo.
Considera que o venenoso editorial feito por Galvão Bueno no sábado, no Jornal Nacional, foi uma vingança pelo desentendimento entre ambos 12 anos atrás, quando se recusava a atender o narrador.
Felipão ainda se surpreende com o poder da Globo.
171, 35,6 milhões, 1 bilhão: Números que fizeram a Copa
Por: Paulo Vinícius Coelho
Depois de um mês intenso de jogos, torcidas, gols e a dolorida decepção pela goleada brasileira na semifinal, o Brasil se despede de sua Copa do Mundo.
A BBC Brasil levantou alguns números que dão a dimensão do Mundial, dentro e fora dos 12 estádios-sede do evento:
3.429.873
É o público somado das 64 partidas da Copa. A melhor média de público ficou com a finalista Argentina (63.647) e a pior, com a Itália (39.930).
A soma, feita a partir dos relatórios oficiais de cada partida, é superior ao público da Copa da África do Sul (3,178 milhões) e ao da Copa alemã (3,359 milhões).
Só não superou o público da Copa de 1994, nos EUA, que recebeu 3,587 milhões de pessoas nos estádios.
4.157
É, segundo as estatísticas da Fifa, o número de passes completados pela Alemanha, o que representa 82% de seus passes totais – fazendo da seleção alemã a campeã também nesse quesito nesta Copa, com seu estilo de jogo baseado em muita corrida em campo e muitas trocas de passe.
O Brasil completou cerca de 1,5 mil passes a menos que a equipe campeã do Mundial.
171
É o número de gols marcados nesta Copa brasileira – com a ajuda do gol de Götze, na final no Maracanã, e de 7 outros gols alemães contra o Brasil -, igualando a marca da Copa de 1998. Em comparação, foram 145 na África do Sul e 147 na Alemanha. Destaque curioso: do ponto de vista estatístico, quem melhor aproveitou seu tempo em campo foi o meio-campista americano Julian Green, que jogou apenas 13 minutos, mas marcou seu gol.
8
Este dói na lembrança: é o maior número de gols em uma partida desta Copa, justamente o 7 a 1 sofrido pelo Brasil nas mãos da Alemanha, na semifinal.
O consolo para o Brasil é que a seleção não sofreu a maior goleada da história das Copas: esta aconteceu na Copa de 1982, quando a Hungria fez 10 a 1 em El Salvador.
129
É o número de jogadores que foram convocados, treinaram, mas… só viram a ação de longe, no banco de reservas. Não entraram em campo. A maioria são goleiros reservas: 54 dos convocados não jogaram. Esses jogadores que não entraram em campo representam cerca de 17% do total de jogadores convocados ao Mundial.
40
É o número de tempos (regulamentares) em que não houve gols nesta Copa, apesar da grande quantidade de gols do Mundial. A maioria desses tempos foi na primeira fase do torneio: 24. Claro que muitos desses períodos sem gols não provocaram bocejos: a final Alemanha x Argentina foi emocionante apesar da ausência de gols no tempo regulamentar.
22
É o número de jogos em que uma equipe perdeu a partida apesar de ter tido a maior posse de bola. Isso ocorreu em mais de um terço dos 64 jogos do Mundial, portanto.
O Brasil, por exemplo, teve mais posse de bola contra Alemanha e Holanda, apesar de ter perdido de ambos. A Espanha também teve 58% da posse em seu primeiro jogo, quando perdeu de 5 a 1 para os holandeses.
7
É a quantidade de cartões vermelhos distribuídos na Copa 2014 – número bem inferior aos das Copas anteriores (foram 17 na África do Sul e 28 na Alemanha).
As equipes que tiveram jogadores expulsos foram Uruguai, Bélgica, Equador, Camarões, Croácia, Itália e Portugal.
4
É o número de vezes consecutivas em que a campeã Alemanha fica no “top 4” de uma Copa – um recorde.
E Klose, além de ser o maior goleador em Copas (com 16 gols), é também o único jogador a ficar no top 4 quatro vezes seguidas.
9
É o triste registro do número de operários que morreram durante a construção dos estádios da Copa do Mundo brasileira. É importante registrar, também, que duas pessoas morreram na queda de um viaduto em Belo Horizonte durante o Mundial.
50%
É a porcentagem estimada das obras de mobilidade urbana e de aeroportos que ficaram prontas a tempo do início da Copa nas cidades-sede, segundo diferentes projeções. Muitas obras foram entregues incompletas.
140 mil
É o público, entre maio e 10 de julho, do Museu do Futebol, um dos principais pontos turísticos de São Paulo durante a Copa. Segundo o museu, 40% deles eram estrangeiros.
Só em junho foram 62 mil visitantes – mais do dobro do público recebido em junho de 2013.
700 mil
É o número de estrangeiros que entraram no país somente no mês de junho, segundo o governo (a expectativa inicial de turistas era de 600 mil). Os países que mais enviaram turistas foram a Argentina, os EUA e o Chile. A estadia média foi de 8,2 dias.
200 milhões
É a quantia, em reais, que a chamada “máfia dos ingressos” obtinha em cada Copa do Mundo com a venda irregular de entradas para os jogos, segundo inquérito da polícia civil do Rio de Janeiro, que investiga o caso. Quando o esquema foi descoberto, os envolvidos negociavam ingressos para jogos do Brasil por até R$ 7 mil, e os preços de ingressos para a final atingiam até R$ 35 mil. Os ingressos seriam dados a ONGs ou oferecidos como cortesia a jogadores e federações.
35,6 milhões
É o número de tuítes durante a (dolorosa, para brasileiros) partida entre Brasil e Alemanha, na semifinal – o jogo mais comentado na rede social. Foi também o jogo com o maior número de tuítes por minuto: 580.166, no gol de Sami Khedira. No total, o Twitter contabilizou 672 milhões de tuítes relacionados à Copa durante o evento.
1 bilhão
É o número de posts, curtidas e comentários a respeito da Copa no Facebook, apenas na primeira metade do torneio. A Copa 2014 se tornou o evento esportivo mais comentado da história da rede social em sua década de existência. “As pessoas estão tendo conversas no Facebook a respeito do que assistem em uma escala sem precedentes”, disse na época à agência de notícias Reuters o diretor de parcerias da rede social, Nick Grudin.
2 bilhões
É o número estimado de buscas no Google relacionadas à Copa do Mundo durante o evento. Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi estiveram entre os mais buscados.
Sete é conta de mentiroso
Foto: Sérgio Rodrigues
O COMEÇO DO FIM - Foi em 1982 que começamos a perder o fio. Em 2018, melhor perder nas quartas, como Telê, do que como avançar como nos últimos anos

O COMEÇO DO FIM – Foi em 1982 que começamos a perder o fio. Em 2018, melhor perder nas quartas, como Telê, do que como avançar como nos últimos anos (Rodolpho Machado)
O título de país do futebol, que fizemos por merecer, não nos cabe mais. Estamos dilapidando um patrimônio de prestígio que parecia eterno
Não, os sete gols que os jogadores alemães meteram na seleção brasileira com facilidade constrangedora — até para eles — não mentiram. Foram o oposto de uma falsidade: um chamado à vida real que soou brutalmente verdadeiro. Mentiroso era o nosso time, e isso não é constatação pós-desastre. Depois da partida contra o Chile, que merecíamos perder, escrevi aqui: “Emocionalmente descontrolada, taticamente confusa e, o mais espantoso, tecnicamente deficitária, tudo indica que a jovem equipe de amarelo — vamos falar claro — está amarelando sob a pressão de disputar uma Copa em casa”.
Devemos concluir então que o pânico de uma equipe imatura, mal escalada e mal treinada, posta diante da obrigação de vencer a qualquer preço, explica toda a catástrofe do Mineirão? Não, mas sem ele qualquer explicação fica capenga. Perder da forte Alemanha era normal, mas a desonra do placar ridículo só pode ser compreendida se jogarmos na mesa a carta do desmoronamento psicológico de nossos jogadores.Quem vai dizer agora que aquele chororô todo não tinha importância? O debate acabou desvirtuado, como costuma ocorrer entre nós, e logo estávamos mais perdidos que Dante e Fernandinho diante de Müller e Kroos, num bate-boca sobre machismo, sensibilidade masculina e amor à camisa. Nunca foi essa a questão. A propensão de nossos atletas ao pranto convulsivo só tinha valor como sintoma. Era um sintoma de desequilíbrio, de despreparo, de medo. O time sempre soube que era fraco, embora estivesse na obrigação de jamais admitir isso nem para si mesmo. A tensão, insuportável, se aliviava com lágrimas e soluços.
O fim da mística da amarelinha
Um estrago evidente do massacre do Mineirão: a perda de respeito com a camisa que metia medo nos adversários
O atacante alemão Lukas Podolski publicou uma carta aberta nas redes sociais para reverenciar a canarinho, algo que antes estava sempre implícito e que agora precisa ser declarado, por inexistente. O que ele escreveu foi bonito: “Respeite a amarelinha com sua história e tradição. O mundo do futebol deve muito ao futebol brasileiro, que é e sempre será o país do futebol. A vitória é consequência do trabalho, viemos determinados, todos nós crescemos vendo o Brasil jogar, nossos heróis que nos inspiraram são todos daqui”. O problema é que nossos heróis já não são os mesmos, estão em museus e videoteipes antigos. Um pouco de humildade, no avesso da postura de Felipão, pode fazer bem nos próximos anos, e desde já. Uma boa inspiração é o treinador Pep Guardiola, o engenheiro do toque de bola do Barcelona, aplicado ao Bayern de Munique, onde ele hoje trabalha, e emprestado à seleção alemã que destroçou o Brasil. Guardiola sabe mandar um “vamos lá, vamos lá”, como faz Felipão, mas é um estudioso da prancheta. Faz isso não porque queira equipes aborrecidas — sabe que o futebol evolui, as táticas idem, o preparo físico é cada vez melhor, e o toque de bola é o que amarra tudo isso. Disse Guardiola, logo depois da vitória do Barcelona sobre o Santos por 4 a 0, na final do Mundial de Clubes de 2011, antessala do desastre de Belo Horizonte: “Quero que meus times tenham a posse de bola que meu avô dizia ser a marca do futebol brasileiro”. O avô de Guardiola tremia de pavor da amarelinha.
Adolescente do Nepal comete suicídio após derrota humilhante do Brasil
Publicado: 9 de julho de 2014 às 17:27 – Atualizado às 21:53
Por: Redação
Uma adolescente da vila de Bharaul, no distrito de Sunsari, leste do Nepal, cometeu suicídio após a humilhante derrota  por 7 a 1 da Seleção Brasileira para a Alemanha, na semi-final da Copa do Mundo. Segundo o jornal BD News, Pragya Thapa, de 15 anos, se enforcou após ser insistentemente caçoada pela vitória alemã contra o Brasil, time que ela – sozinha – apoiava.
A dois anos de se formar no Ensino Médio, Pragya tirou a própria vida no final da manhã de ontem, após o jogo, quando ela se trancou no quarto, revelou Sharad Thapa, inspetor da polícia nepalesa, após uma investigação preliminar.
O pai de Pragya Thapa trabalha fora do país e a adolescente estava sob os cuidados dos avós, diz o jornal.
Sem apoio de Dilma para intervenção, Romário dispara contra CBF: 'Bando de vagabundos'

Foto: Lucio Bernardo/ Agência Câmara
O ex-jogador e deputado federal Romário fez duras críticas ao governo federal por falta de vontade política para fazer intervenção no futebol brasileiro, após a derrota da Seleção por 7 a 1 perante a Alemanha. “Nunca tive o apoio da presidente do país, Dilma Rousseff, ou do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Que todos saibam: já pedi várias vezes uma intervenção política do governo federal no nosso futebol”, escreveu, em postagem no Facebook. Ele recorda que, em 2012, apresentou um pedido de CPI da CBF, baseado em um série de escândalos sobre a entidade, como o enriquecimento ilícito de dirigentes, corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e desvio de verba do patrocínio da empresa área TAM. “O pedido está parado em alguma gaveta em Brasília há dois anos”, lamenta. Para o parlamentar, mais vergonhoso que o placar de terça-feira (8), é ter uma das gestões de futebol “mais corruptas” do mundo. “O presidente da entidade, José Maria Marin, é ladrão de medalha, de energia, de terreno público e apoiador da ditadura. Marco Polo Del Nero, seu atual vice, recentemente foi detido, investigado e indiciado pela Polícia Federal por possíveis crimes contra o sistema financeiro, corrupção e formação de quadrilha. […] Marin e Del Nero tinham que estar era na cadeia! Bando de vagabundos!!!”, acusou. “Há quatro anos pregando no deserto sobre os problemas da CBF, uma instituição corrupta gerindo um patrimônio de altíssimo valor de mercado, usando nosso hino, nossa bandeira, nossas cores e, o mais importante, nosso material humano, nossos jogadores”, argumentou. Ele segue com a afirmação de que a corrupção da entidade tem raízes em todos os clubes brasileiros. Romário fala da existência de uma “Bancada da CBF”, composta pelos colegas José Rocha (PR-BA), Rodrigo Maia (DEM -RJ), Guilherme Campos (PSD-SP), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Vicente Cândido (PT-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Valdivino de Oliveira (PSDB-GO). Os parlamentares, segundo o ex-jogador, impediram a aprovação de um projeto que aumentaria a fiscalização sobre a confederação. “O futebol brasileiro tomou uma goleada e a derrota retumbante, infelizmente, não foi só em campo. Nem sequer tivemos o prazer de jogar no Maracanã, um templo do futebol mundial, reformado ao custo de mais de R$ 1 bilhão”, criticou. Segundo ele, a escolha partiu da CBF e o Ministério do Esporte e a Presidência foram omissos em não interferir. “Dilma tem sim que entregar a taça para outra seleção. Este gesto será o retrato do valor que ela deu ao nosso futebol nos últimos anos! […] Essa será a taça da vergonha”, finalizou.
Leonardo, Gallo… Marco Polo del Nero e José Maria Marin reestruturam a Seleção Brasileira. Enquanto isso, abandonado, Felipão vê as mesmas pessoas que o apoiavam lhe virar as costas. O fracasso é órfão…

Felipão I

Felipão entendeu que o apoio que recebeu na derrota diante dos germânicos foi irreal. Marin ganhava tempo, esperava apenas a derradeira partida na Copa. E aí tirar o seu cargo.
Felipão está recluso e magoado. Com Marin, com Gallo, com Galvão Bueno. O discurso do narrador no sábado depois da derrota contra a Holanda foi considerado uma punhalada pelo ex-técnico.
De uma hora para outra, Galvão se virou contra o método de trabalho que tanto havia elogiado. Descobriu que o time não treinava, a granja Comary era aberta demais e questionou a repetição da estratégia usada na Copa das Confederações na Copa do Mundo. Tudo o que os principais veículos de comunicação apontavam desde o início do Mundial. Galvão esperou o fracasso para se queixar dos métodos da Comissão Técnica.
Felipão percebeu que de nada adiantou abrir a concentração para Luciano Huck, Mumuzinho. Nem trocar confidências sobre o time com Patricia Poeta. Fazer o Jornal Nacional o veículo oficial da Seleção. Obedecia a Marin. Com o fracasso, a Globo, representada por Galvão, se voltou contra ele.
Se o sucesso tem vários pais, o fracasso é órfão de pai e mãe. É assim que Felipão se sente hoje, abandonado. Por pessoas que há dez dias lhe abraçavam e o enchiam de elogios. E até se sentaram no seu colo…
A decepção de Marin e Marco Polo. Romário é líder disparado nas pesquisas para o Senado pelo Rio. Há a certeza que os ataques à CBF vão até aumentar. A última foi pesada demais. “Só ratos como Marin e Del Nero para escolherem Gilmar Rinaldi”…

Romário - fora Marin

O Datafolha jogou um balde de água fria na cúpula da CBF. E a pesquisa esperada não tem nada a ver com a escolha do novo técnico da Seleção. Ela se refere à escolha do senado carioca.
Romário ter sido apontado como líder disparado com sua candidatura pelo PSB chocou. Ele tem 29% da preferência dos eleitorado do Rio de Janeiro. À frente inclusive de César Maia, que foi 12 anos prefeito carioca, com 23%. Os demais candidatos não chegam nem a 8% de intenção de voto.
O caminho firme do ex-jogador ao Senado desagrada profundamente Marin e Marco Polo. O presidente da CBF garantiu no ano passado que entrou na Justiça contra ele. As declarações de Romário foram pesadíssimas. Chegou a pedir a prisão dos dois.
“O presidente da entidade, José Maria Marin, é ladrão de medalha, de energia, de terreno público e apoiador da ditadura. Marco Polo Del Nero, seu atual vice, recentemente foi detido, investigado e indiciado pela Polícia Federal por possíveis crimes contra o sistema financeiro, corrupção e formação de quadrilha. São esses que comandam o nosso futebol. Querem vergonha maior que essa?
Marin e Del Nero tinham que estar era na cadeia! Bando de vagabundos!!!”
A eventual ação na justiça não calou o deputado federal. Pelo contrário, as acusações continuaram. E ontem atingiram não só os dois como também a Gilmar Rinaldi, o novo coordenador de todas as seleções da CBF. Foi uma sequência declarações na sua conta pessoal no twitter.
“Galera, só pode ser uma dessas duas coisas: sacanagem ou pegadinha. É inadmissível Gilmar Rinaldi ser escolhido para assumir o cargo de diretor/coordenador de Seleções da CBF. O cara é empresário de vários jogadores. Tive o desprazer de trabalhar com ele no Flamengo, é incompetente e sem personalidade. Posso afirmar que Rinaldi vai fazer da CBF um banco de negócios para defender os seus interesses.”
Lógico que o mais forte ele reservou para os seus inimigos favoritos.
“Só os ratos do Marin e Del Nero para escolherem uma pessoa como essa. Para piorar, ele (Gilmar) ainda é agente FIFA.”
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Um pensamento sobre “Alemanha campeã mundial! O futebol ganhou com a conquista dos germânicos

  1. Brown, foi tão marcante a atuação da Alemanha que hoje, parece piada, vi, em uma rua do Imbui, um cidadão vendendo vassouras de piaçava ornadas nada mais, nada menos, do que com as cores da bandeira germânica (amarelo, preto e vermelho).

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