Réquiem para o escritor, o narrador e o boxeador injustiçado

Gabriel García Márquez - escritor consagrado, intelectual, polêmico - Foto - Yuri Cortez - Agência France Press
Gabriel García Márquez – escritor consagrado, intelectual, polêmico – Foto – Yuri Cortez – Agência France Press
Final dos anos 70 para os 80, metade da turma lia e relia “Cem Anos de Solidão”. Estudantes, que vinham do interior para fazer o vestibular na capital  imaginavam Macondo como se fosse a terra natal de cada um. E os laços com a literatura de Gabriel García Márquez não pararam. Quem não acompanhou a paciência e a paixão do telegrafista, violinista e poeta Florentino Ariza por Fermina Daza no ‘O amor nos tempos do cólera’?. Em 1982, o escritor tornou-se celebridade mundial ao receber o Nobel de literatura.
No dia 17 de abril, o colombiano Gabo como era carinhosamente chamado  Gabriel García Márquez morreu na Cidade do México.
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Narrador Luciano do Valle morre em Uberlândia após passar mal no avião
O narrador esportivo Luciano do Valle, de 66 anos, morreu na tarde de sábado (19 de abril) em Uberlândia, depois de passar mal no avião
O narrador esportivo Luciano do Valle, de 66 anos, morreu na tarde de sábado, 19 de abril
 
Estamos nos anos 90, Luciano do Valle deixou a TV Globo e colocou a Bandeirantes no topo cenário esportivo. Seu “Show do Esporte” liderava a audiência com atrações na sinuca, no basquete, vôlei, automobilismo, futebol profissional, amador e de sêniores. E quem gostava de esporte não abria mão de curtir a Band das 10h da manhã às 10h da noite aos domingos.
No final da Copa do Mundo de 1982, locutor esportivo titular da Globo, resolveu alterar sua trajetória. Transferiu-se para a TV Record e, pouco tempo depois, foi apresentar o programa Show do Esporte, na TV Bandeirantes. Este ano, Luciano do Valle, que era torcedor da Ponte Preta, completaria 51 anos de carreira. Sua morte foi lamentada por esportistas e jornalistas do país.
 Clique e relembre narrações e momentos de Luciano do Valle na ESPN
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Símbolo de liberdade, ex-boxeador “Hurricane” Carter morre aos 76 anos
Hurricane Carter em 1999 com Denzel Washington na estreia do filme que lhe foi dedicado - Foto: Fred Prouser - Agência Reuters
Hurricane Carter em 1999 com Denzel Washington na estreia do filme que lhe foi dedicado – Foto: Fred Prouser – Agência Reuters
O ex-boxeador Rubin “Hurricane” Carter, que passou quase 20 em uma prisão nos Estados Unidos por três assassinatos que não cometeu e cuja história inspirou uma famosa canção de Bob Dylan, morreu neste domingo, 20 de abril, em Toronto aos 76 anos.
Hurricane Carter, como era conhecido, morreu na cidade canadense após uma longa luta contra um câncer de próstata, informaram os meios de comunicação locais.
Carter, que tinha nascido em 1937 na cidade americana de Clifton, começou a praticar boxe após se alistar no Exército americano. Mas após sua dispensa, passou quatro anos na prisão por roubo.
Após sair da prisão, em 1961, retornou ao boxe para se transformar em profissional de peso médio. Então, parecia ter um promissor futuro após acumular mais de uma dúzia de vitórias, em sua maioria antes por nocaute, o que lhe rendeu o apelido de “Hurricane”.
Mas em 1966, Carter foi detido junto com um amigo e acusado do assassinato de três pessoas em Nova Jersey.
Após um rápido julgamento, Carter foi condenado à prisão perpétua por um júri composto exclusivamente por brancos. Tanto Carter como seu amigo, John Artis, negaram o tempo todo seu envolvimento nos assassinatos, passaram sem problemas por um detector de mentiras e as testemunhas não os reconheceram como os autores.
Em 1974, Carter publicou a autobiografia “The Sixteenth Round”, que atraiu a atenção de famosos como o cantor Bob Dylan e o ex-boxeador Muhammad Ali.
Dylan se reuniu com Carter na prisão e, após ficar convencido de que o ex-boxeador era inocente, organizou vários concertos benéficos para expor seu caso e em 1975 escreveu a canção “Hurricane” que se transformou em um dos maiores sucessos de seu tempo.
Após um segundo julgamento em 1976, Carter e Artis foram condenados de novo apesar da principal testemunha de acusação ser um conhecido delinquente que em duas ocasiões tinha mudado sua história.
Mas em 1979 uma adolescente negra que vivia no Canadá convenceu um grupo de canadenses, entre eles os advogados Leon Friedman e Myron Beldock, de iniciar uma campanha para conseguir sua libertação.
Seus esforços deram resultado. Em 1985, um juiz federal opinou que a Promotoria tinha atuado de má fé durante os dois julgamentos anteriores. Após deixar a prisão, Carter se mudou para Toronto para viver com a comuna de canadenses que tinham feito o possível por sua libertação.
Em 1999, o diretor canadense Norman Jewison dirigiu o longa-metragem “The Hurricane”, protagonizado por Denzel Washington, sobre a história de Carter.
Posteriormente, Carter se transformou em um ativista a favor da libertação de presos que, como ele, tinham sido condenados por crimes que não tinham cometido.
Durante anos, o ex-boxeador foi diretor-executivo da Associação em Defesa dos Injustamente Condenados em Toronto e finalmente criou sua própria organização, Inocência Internacional.
Em 2011, ao mesmo tempo em que recebeu o diagnóstico de câncer terminal, Carter escreveu outra autobiografia: “Eye of the Hurricane: My Path from Darkness to Freedom”.
EFE – Agencia EFE
Clique na imagem e veja e ouça Hurricane, com Bob Dylan

Bob Dylan - Hurricane II

Clique na imagem e veja e ouça interpretação de Hurricane na voz de Cida Moreira (sugestão ótima de Paulo Bina)

Cida Moreira - Hurricane

5 pensamentos sobre “Réquiem para o escritor, o narrador e o boxeador injustiçado

  1. De Gabo li tudo. O meu livro de cabeceira é o outono do patriarca com seus parágrafos intermináveis de várias páginas e figuras de linguagem únicas, como a saudade que tinham do mar, pois o mar houvera sido vendido pelo patriarca aos ianques que chegaram com topógrafos, mediram tudo, e levaram embora em cargueiros…

    Luciano do Vale simplesmente mudou a maneira de narrar e o próprio esporte brasileiro que começou a se profissionalizar de fato, trabalho ainda por ocorrer…

    Quanto a Hurricane Carter o filme é sensacional. Vi no Iguatemi. A música, eu conhecia desde 1976, disco Desire, de Bob, mas sabia apenas o sentido da letra. Uma versão maravilhosa de Cida Moreyra (nunca relançada em CD) desde os anos 90 é matadorfa. Tem no you tube, caso não conheça, o que duvido muito.
    Abs, Bonfa e continue a jogar inteligência na rede.
    Tchau, irmão.
    P Bina

  2. A-DO-REI, BROWN!!! MUITO JUSTO O RÉQUIEM PARA PERSONAGENS TÃO IMPORTANTES EM NOSSA HISTÓRIA E CONSTRUÇÃO DOS NOSSOS VALORES E IDEAIS!!

  3. Pingback: …bigbrow -last tribute__ | falandonalata1

  4. É verdade, quem não acompanhou a espera do amor de Florentino Ariza por Firmina Daza!! Li, vi o filme e considero Gabriel Garcia Márquez um dos mais importantes escritores da America Latina!
    Abs,

  5. Eu tive o prazer de ler “Cem anos de solidão” e “O amor nos tempos do cólera”, curti muitos domingos com Luciano do Valle na Band, assisti o filme “Hurricane” e ainda ouço a música de Bob Dylan.
    Abs

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