Antônio Matos anuncia livro sobre a conquista da Taça do Brasil pelo Bahia

Antônio Matos Júnior  em solenidade na SSP BA
“Não sei de ofício mais nobilitante. Não sei, por outro lado, de tarefa mais ingrata. Não sei de mister mais elevado. Não sei, também, de labor mais incompreendido. Não sei de labuta que exija maiores sacrifícios. Não sei, ao revés, de lida tão mal recompensada”. Esta definição sobre a Polícia, de autoria do criminalista Antônio de Matos – que ocupou, na década de 50 do século XX, o cargo de delegado auxiliar da instituição, o equivalente hoje ao delegado-geral – está, desde a manhã de 26 de janeiro de 2012 numa placa colocada no hall de entrada do edifício-sede da Polícia Civil, na Praça da Piedade, na capital baiana.
Emocionado com este resgate, feito 52 anos depois da morte do seu pai, o delegado (e também jornalista) Antônio Matos Júnior, lotado atualmente na Assessoria de Comunicação Social da Secretaria da Segurança Pública, disse estar “eternamente agradecido” com a lembrança feita pela Polícia Civil, ao tempo em que destacou a postura do homenageado, “um homem de princípios e valores”.
Advogado criminalista, promotor público, estatístico, professor de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia e de Criminologia das Academias da Polícia Civil e da Polícia Militar, autor, dentre outros títulos, do livro “Manual de Polícia”, Antônio de Matos foi o primeiro delegado da 3ª Delegacia Territorial, na época sediada no Largo do Papagaio, e responsável pela criação do Serviço de Estatística da Secretaria da Segurança Pública, embrião da atual Coordenação de Documentação e Estatística Policial (Cedep) da Polícia Civil. Leia mais aqui.
O Júnior, também tem uma carreira brilhante. É dos bons jornalistas, delegado de polícia e no caminha para se efetivar escritor. Antônio Matos está escrevendo um livro sobre a conquista da Taça Brasil pelo Esporte Clube Bahia. Matos é apaixonado por futebol, mas não é tricolor, ele torce para o Ypiranga. Não sei se pelo distanciamento da paixão clubística do autor, a produção do livro é ótima. Tenho lido os textos em primeira mão. E repasso dois deles para os leitores desse blog. Antes, os leitores vão aproveitar e ouvir também a entrevista que Antônio Matos Júnior concedeu a Ruy Botelho, que faz o programa Baianíssimo, na Rádio Metrópole. A entrevista foi ao ar em 26 de janeiro de 2014. Clique na imagem e/ou no link em destaque para ouvir a entrevista.
Ruy Botelho e o programa "Baianíssimo"

Ruy Botelho e o programa “Baianíssimo”

Antônio Matos Júnior entrevista ao programa Baianíssimo

Antônio Matos Júnior - 17-12-2013Antônio Matos Júnior

Ousadia nordestina

Bahia 3 x Santos 2

Contrariando a lógica, o Bahia entrou no gramado de Vila Belmiro, na noite de 9 de dezembro, uma quinta-feira, diante de um estádio lotado, com cerca de 23 mil pessoas, para começar a decidir o título de campeão da I Taça Brasil, com o Santos.
A delegação baiana desembarcou em São Paulo na véspera e o treinador Geninho, para descontrair o elenco, liberou os jogadores da concentração no hotel, para passearem pela cidade. Entendia que o time tinha condições de surpreender o Santos em casa, como fizera com o Vasco no Maracanã, embora intimamente já se desse por satisfeito (mesmo não sendo campeão)  com a bela campanha que realizara até ali.
Sabia que o Santos era uma máquina de jogar futebol, mas, sem temer o adversário, tinha os pés no chão. Iria enfrentar o campeão estadual de 1958, que marcara 143 gols – somente Pelé fizera 58 – em 38 jogos e o então líder do Paulista de 1959, que acabara de golear a Ponte Preta, por 12 x 1.
Na Taça Brasil, chegara às finais sem dificuldades, derrotando, com folga, o Grêmio, tricampeão gaúcho, por 4 x 1, no dia 17 de novembro, em casa, e empatando em 0 x 0, 25 de novembro, em Porto Alegre. E olhe que os gremistas atravessavam uma excelente fase, com indiscutível domínio no âmbito estadual e com uma boa presença em termos nacionais, classificando-se para atuar contra o Santos, depois de ultrapassar – sem precisar de um terceiro jogo – o Atlético Paranaense, com duas vitórias por 1 x 0, e o Atlético Mineiro, por 4 x 1 e 1 x 0.
Os santistas, que chegaram a poupar alguns jogadores, como o volante Zito e o lateral esquerdo Dalmo, no compromisso da Vila Belmiro, com o Grêmio, se apresentava naquela noite com o time completo, inclusive Pelé (já recuperado de um cansaço muscular, provocado pelo seu duplo expediente, como jogador de futebol e soldado do Exército Brasileiro) e Coutinho*, um jovem de apenas 16 anos, que o treinador Lula ia, aos poucos, aproveitando no lugar de Pagão*, um atacante genial, que se machucava com facilidade.
Mantendo o suplente Bombeiro no lugar de Ari, o Bahia começou a partida com algum nervosismo. Aproveitando-se de uma defesa parcial de Nadinho, Pelé fez logo 1 x 0, aos 15 minutos, e uma goleada parecia ser questão de tempo, com Dorval, Pepe e Coutinho, nos momentos seguintes, perdendo grandes chances de ampliar o marcador. 
Refeito do susto e jogando em espertos contra-ataques, o Bahia chegou ao empate ainda no primeiro tempo. Aos 27 minutos, Flávio fez um lançamento perfeito, na esquerda, para Biriba, que deu um banho de cuia no lateral Getúlio e cobriu Manga*, que saia desesperado da meta em sua direção, tentando diminuir o espaço, para evitar o gol.
Um início eletrizante de segundo tempo, com um gol perdido por Pelé, numa excelente defesa de Nadinho, e outro por Léo, que, após um belo passe de Marito, chutou para fora, com Manga inteiramente batido. O Bahia voltou melhor, com uma destacada atuação de Bombeiro, que impedia Jair Rosa Pinto* de dominar o meio de campo e, por consequência, criar jogadas para o rápido e envolvente ataque santista. Aos 12 minutos, redimindo-se da oportunidade desperdiçado, Léo marcou um gol de placa, de cavadinha sobre Manga, depois de uma bola passada por Alencar.
O Santos foi em busca do empate e Nadinho então se transformou (ao lado de Bombeiro, Flávio, Biriba, Alencar e Léo) num dos grandes nomes do jogo, com defesas empolgantes aos 21 e aos 28 minutos, numa cabeçada de Pelé e se atirando nos pés de Coutinho. O que ele não pode evitar foi o gol de Pepe, aos 32 minutos, numa cobrança de um polêmico pênalti, assinalado pelo juiz carioca Alberto da Gama Malcher.
A partida ficou tensa, com o Santos afobadamente pressionando e o Bahia se defendendo com muita garra. Aos 44 minutos, Alencar ganhou de Urubatão e Getúlio na corrida, driblou Manga e marcou um golaço, num lance que começou com Vicente, no meio da zaga, passou por Bombeiro no meio de campo e por Léo no ataque. Bahia 3 x Santos 2, um triunfo da determinação e da ousadia sobre o talento.
*Antônio Wilson Honório, o Coutinho, nasceu em Piracicaba e jogou no Santos, onde fez 370 gols, de 1958 a 1967. Foi considerado, pela imprensa esportiva, como o maior parceiro de Pelé, em todos os tempos. Integrou o elenco da Seleção Brasileira, campeã do mundo, em 1962, no Chile, como reserva de Vavá. Em 1968, já com sobrepeso e problemas físicos, defendeu o Vitória e marcou apenas um gol: na cobrança de um pênalti, contra o modesto São Cristóvão. 
*Conhecido como “canela de vidro”, por se contundir com frequência, era um artilheiro, com toques perfeitos e refinados. Além do Santos, jogou no São Paulo, Portuguesa Santista e Jabaquara. Ídolo do cantor e compositor Chico Buarque, que o homenageou, juntamente com Garrincha, Didi, Pelé e Canhoteiro, na música “O Futebol”, composta em 1989. Morreu jovem, aos 56 anos, no dia 4 de abril de 1991.
*Em 1954, esteve no Bahia, emprestado pelo Santos, atuando numa defesa que tinha, dentre outros jogadores, Dario, mais tarde negociado para o Vasco da Gama, e Bacamarte, campeão da I Taça Brasil. Capixaba, começou no Bonsucesso (RJ), transferindo-se para a Vila Belmiro em 1951, onde ficou até 1960. Como técnico, dirigiu a Portuguesa Santista, a Ferroviária de Araraquara, o São Carlos, o Santo André, o Rio Branco (PR), a Araçatuba e o Grêmio Maringá.
*“Jajá da Barra Mansa” era o “cérebro” da Seleção Brasileira, que perdeu a Copa do Mundo de 1950, para o Uruguai, em pleno Maracanã, e já tinha quase 39 anos, quando participou deste jogo contra o Bahia. Começou no Madureira, ao lado de Lelé e Isaias (Os Três Patetas), e atuou ainda no Vasco da Gama, Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo e Ponte Preta, onde parou em 1964, com 43 anos. Em 1971, foi treinador do Vitória, montando um excelente elenco – trouxe com ele o goleiro Agnaldo, os zagueiros Leléu e Valter, o volante Fernando, o meia Gibira e o atacante Osni, dentre outros jogadores –, base do time que conquistou o título estadual em 1972. Morreu no Rio de Janeiro, em 28 de julho de 2005. vítima de embolia pulmonar.

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