New York Times: Salvador é a “capital dos homicídios”

Salvador pelo New York TimesMauricio Lima for The New York Times: The Streets of Salvador: In what may serve as a cautionary tale for other cities in the developing world, the Brazilian boom town’s rising prosperity exists alongside a darker reality.
No domingo, dia 10 de novembro, os meios jornalísticos e as pessoas que leem jornal ficaram sabendo de uma reportagem no New York Times. A reportagem traz informações que sites, emissoras de TV e rádio, e jornais da Bahia levam ao público quase que diariamente. Acontece que as mesmas informações sendo divulgadas num jornal considerado um dos mais prestigiados do mundo causam uma repercussão extraordinária. As autoridades, como sempre acontece – seja lá qual for o governo ou o partido -, saem pela tangente, não apontam soluções, divagam nas respostas. Há muito tempo os políticos querem o poder apenas pelo poder. Quando um deles faz algo pela coletividade é uma grande surpresa!
Há questões emblemáticas que dão toda a razão à reportagem do jornal norte-americano (que utilizou dados oficiais para sua publicação).
O momento no Estado da Bahia é grave. A mais alta corte de justiça do Estado está sob suspeita. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou o presidente (Mário Alberto Hirs) e a ex-presidente Telma Britto enquanto investiga a atuação deles em relação aos precatórios, como esse blog já publicou. Isto é emblemático.
Há pouco mais de uma semana o comandante da Polícia Militar da Bahia foi assaltado quando andava pela Orla de Salvador.  O que teríamos de mais emblemático que isso para falar de falta de segurança?
Nesta terça-feira, 12 de novembro, o Pleno do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, abrir um processo administrativo disciplinar (PAD), contra os desembargadores Mário Alberto Hirs e Telma Britto, respectivamente presidente e ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), por não realização de concurso para os cartórios extrajudiciais vagos, falta de controle de entrega de declaração de imposto de renda dos magistrados e por não cumprimento de determinações do CNJ. O corregedor Nacional de Justiça, ministro Francisco Falcão, em apenas um voto, abrangeu as três sindicâncias, de números 0002205-75.2013.2.00.0000, 0002206-60.2013.2.00.0000 e 0002204-90.2013.2.00.0000, contra os desembargadores que estavam na pauta do dia do conselho. Ao fazer a leitura do relatório, Falcão pontuou que as irregularidades já haviam sido detectadas pela Corregedoria na época em que o ministro Gilson Dipp era corregedor, mas as determinações não foram cumpridas.O ministro criticou os resultados do TJ-BA, em termos de produtividade, de acordo com o relatório Justiça em Números, como no julgamento de processos de improbidade administrativa. “Eficiência é só para precatório”, alfinetou o ministro Francisco Falcão, referindo-se à celeridade no julgamento dos precatórios que deram origem ao afastamento dos desembargadores.
O ministro Francisco Falcão foi mais adiante e ressaltou que o corpo de uma criança foi sepultado em cemitério clandestino, no ano passado, em Vitória da Conquista, porque os pais não conseguiram a certidão de óbito mesmo tentando tirá-la durante seis dias. E não conseguiram porque falta servidores nos cartórios.
Clique na imagem e veja a reportagem do BA-TV:

TJ da Bahia negligente e processado

E fique por dentro da reportagem do New York Times:
Salvador no New York TimesJornal norte-americano diz que é comum ver crianças com roupas esfarrapadas usando droga no Pelourinho
O jornal norte-americano The New York Times publicou uma reportagem na edição de domingo, 10, falando do abandono, do trânsito caótico e do crescimento da violência em Salvador.
Na reportagem, o periódico denomina a cidade de “capital brasileira dos homicídios”. E afirma: “Salvador agora tem mais homicídios por ano do que qualquer outra metrópole brasileira, incluindo a megalópole São Paulo, que é quatro vezes maior”.
Para justificar o título, o New York Times cita alguns crimes que ganharam destaque na mídia soteropolitana, como o corpo de um traficante encontrado decapitado, uma turista adolescente que morreu vítima de bala perdida, um italiano que foi espancado em um hotel na Barra em 2010, além da morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes Dias após uma discussão de trânsito em Ondina. O jornal faz ligação da morte dos irmãos com o estresse no trânsito de Salvador.
O New York Times fala também do aumento da frota de veículos na capital baiana e problemas de mobilidade urbana. O veículo norte-americano informa ainda sobre a demora na construção do metrô. O jornal fala que mesmo após 16 anos, o metrô ainda não está pronto e não deve ser finalizado para a Copa do Mundo.
A publicação ouviu o prefeito ACM Neto (DEM), que atribuiu os problemas da cidade à gestão de João Henrique (PSL), que administrou a capital por 8 anos.
Já o secretário de comunicação do Estado, Robinson Almeida, disse ao jornal que o aumento da prosperidade em Salvador piorou a violência na cidade, já que mais pessoas são capazes de pagar por drogas ilegais.
Procurado pela reportagem do Portal A TARDE, a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que não iria falar sobre o assunto, uma vez que o secretário já tinha dado declaração para o jornal norte-americano.

16 pensamentos sobre “New York Times: Salvador é a “capital dos homicídios”

  1. É triste ver não só Salvador, mas a Bahia tão desgovernada. Em relação à capital, tenho esperança em que o prefeito, por ser jovem e estar pretendendo fazer carreira política, melhorar o panorama. Mas a Bahia, com o grupo que está governando não vai melhorar não. Esse grupo só pensa em fazer política para se perpetuar no poder.

  2. Por isso, tão cedo não retorno ao Brasil. É tudo muito bonito, mas os governantes não cuidam das cidades e a população parece que gosta é de bagunçar. Fico triste.

  3. Faz é tempo que não vou em Salvador. Ainda lembro da capital muito bonita e organizada. Pelo que leio e vejo na imprensa e sei das notícias de quem vai ou mora lá, tudo está muito decadente.

  4. Espero que o atual prefeito continue tentando melhorar a cidade, as condições de vida das pessoas, o meio ambiente. O governo estadual ajudou muito com a via expressa, participação do governo federal também. Acho que quando o metrô funcionar Salvador vira uma cidade de primeiro mundo.

  5. Visitei a Bahia há dois anos e vi que a segurança ia mal. Vejo que piorou. É uma pena, pois a capital e muitas cidades do interior são muito bonitas.

  6. Quando saí de Salvador, há uns 15 anos, a cidade já estava em decadência. Quero acreditar que com o prefeito atual, apesar da carga negativa trazida no nome, a cidade vai melhorar. Ele tem uma ideia mais abrangente de cidadania do que os últimos prefeitos.

  7. Não é só a capital, nossa Bahia não tem mais segurança. Saúde e Educação foram para o brejo. E o governador só flanando, fazendo política partidária. A maioria dos prefeitos, que não ligam mesmo para o povo tem o governador que desejavam. Lamentável!

  8. É triste. Uma cidade tão bonita e tão sem segurança. Culpa dos políticos, mas também da população que não cuida do que tem.

  9. A reportagem é verídica. Se não houver um programa firme de políticas públicas para se contrapor à violência, não sei o que vai ser das grandes cidades.

  10. Pingback: O mapa da violência no Brasil. A Bahia nos primeiros lugares | Blog do Brown

  11. Como diria o Marcelo Nova (do Camisa de Vênus): “Salvador, a cidade do axé, a cidade do terror”. Kaduzão

  12. Caro Brown,

    A coisa é pior. Em mortes por 100 mil passados de 40, a segunda capital mais violenta, e a Bahia é o quarto. Quinze anos atrás éramos o segundo menos violento e o penúltimo era São Paulo. Lá a coisa virou ao contrário e é o segundo estado/capital menos violenta, perde apenas do Amapá, mas o próprio 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, admite que os números do Amapá não são confiáveis. Lembro que São Paulo tem o triplo da população da Bahia.
    Veja Brown esses dados oficiais. Primeiro sobre número de presos por 100 mil habitantes:

    São Paulo – 633
    Bahia – 134
    Alagoas – 225

    Agora as taxas de homicídios por 100 mil desses mesmos estados:

    Alagoas – 62
    Bahia – 40,7
    São Paulo – 12,4

    Onde mais se prende, menos gente morre pela brutalidade da nossa sociedade. Aliás, no Jornal Nacional e no Jornal das dez (Globo News) ninguém informou que entre os dados apurados para América Latina e Caribe que aponta para 100 mil mortes no ano passado, que a metade, 50 mil e quebrados, é do nosso Brasil cordial. Em 2011 esse número era de 47 mil, o que bem demonstra que todas as providências adotadas não foram capazes de refrear a nossa guerra civil. Somos quase uma Síria (em 12 meses) e informa o Estadão “on line” que o Ministério da Justiça reduziu quase à metade os recursos disponíveis para fiscalizar fronteiras (por aí entram armas e drogas, a mãe da maioria dos crimes,) e para o sistema prisional, a cada dia especializado em maltratar os poucos que caem em suas garras, sendo (vale o chavão) autênticas universidades do crime.

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