Lou Reed partiu

Você tem uma perfeita noção que décadas são mesmo passado quando ícones de momentos históricos morrem.  E nesses momentos ficamos com a eterna dúvida sobre o tempo compartimentado. Seria passado, presente e futuro uma divisão convencional do tempo? Por Einstein, sim. Pela Matrix, nem isso. Divagações para homenagear Lou Reed, lenda da música, símbolo de arte, referência dos “loucos” anos 60 e 70. Lou Reed partiu. Leia reportagem de O Globo para saber um pouco mais (tanto os que nunca ouviram falar dele quanto os que o conheciam mas não sabiam como ele estava no Século XXI). Leia a reportagem e depois curta Walk on the wild side a música, digamos assim, mais conhecida do grande público.

O Globo

Publicado: 27/10/13 – 15h28
Atualizado: 28/10/13 – 10h33
Lou Reed Foto: Divulgação / Divulgação Lou Reed Divulgação / Divulgação

Morreu, neste domingo, 27 de outubro, aos 71 anos, o músico Lou Reed. O cantor e compositor nova-iorquino foi um dos fundadores do mítico grupo Velvet Underground. Em maio, ele passou por um transplante de fígado e foi internado em julho com uma desidratação severa. A notícia do falecimento, dada primeiro pela edição americana da revista “Rolling Stone”, foi confirmada por Andrew Wylie, seu agente literário, à AP. Ele afirmou ainda que a morte está relacionada a problemas no órgão transplantado.

Após a cirurgia realizada cinco meses atrás, sua mulher, a artista performática Laurie Anderson, chegou a dar uma declaração ao “The Time”, afirmando: “Foi tão sério quanto poderia ser, ele estava morrendo. Não acredito que ele vá se recuperar totalmente, mas certamente ele vai voltar à atividade”. Dias depois, ele escreveu nas redes sociais uma mensagem para tranquilizar os fãs: “Sou um triunfo da medicina moderna, da saúde e da química. Sou maior e mais forte do que nunca. Espero voltar aos palcos e fazer mais músicas”.

No começo do ano, Lou Reed cancelou uma série de apresentações “devido a inevitáveis complicações” – entre elas, as do festival Coachella.

Grande poeta da sarjeta

Nascido no Brooklyn em 1942 e batizado de Lewis Allan Reed, Lou se interessou, ainda menino, pela guitarra, por causa dos grupos de rock e r&b que ouvia no rádio. E logo começou a tocar em suas primeiras bandas. Sua primeira gravação foi com um grupo de doo-wop chamado The Jades. Na adolescência, os pais o submeteram a um tratamento de eletrochoques na tentativa de curar a sua bissexualidade — a experiência, ele descreveria mais tarde na música “Kill your sons”. Em 1960, Reed começou a frequentar a Universidade de Syracuse, onde estudou Jornalismo, Cinema e Escrita Criativa, aprofundou seus conhecimentos sobre jazz e teve aulas com o poeta Delmore Schwartz, que se tornaria seu mentor.

Depois de se graduar, o rapaz se mudou para Nova York e começou sua carreira musical no time de compositores da gravadora Pickwick Records, onde chegou a gravar uma música que faria sucesso, “The ostritch”. Para ajudar a promover a canção, foi montada uma banda, The Primitives, para o qual foi convocado o músico galês John Cale, ligado à cena da música erudita de vanguarda da cidade. Impressionado com as composições de Reed, ele começou uma parceria com o músico. Junto com o guitarrista Sterling Morrison e a baterista Maureen Tucker, eles formaram em 1964 o grupo Velvet Underground, cujo nome foi tirado de um livrinho sobre os porões do sexo proibido em Nova York. Com visual soturno (óculos escuros, roupas pretas), o grupo chamaria a atenção do artista plástico e guru pop Andy Warhol, que o apadrinhou e convocou a cantora alemã Nico para participar do álbum “The Velvet Underground & Nico”, lançado em 1967.

Com canções de Lou Reed como “Heroin”, “I’m waiting for the man”, “Venus in furs” e “Femme fatale”, o disco, reza a lenda, teria levado todos os seus poucos primeiros ouvintes a formar uma banda (em especial, no rock inglês pós-punk dos anos 1980).

Um dos primeiros grupos de rock a poder ser chamado de “cult”, o Velvet Undergorund seguiria com Lou Reed até 1970, quando ele partiu em carreira solo. Depois de um primeiro álbum gravado com integrantes do grupo de rock progressivo Yes (“Lou Reed”, de 1972), Reed lançou “Transformer” (também em 72), produzido por um dos grandes admiradores do cantor e compositor, David Bowie. O disco ajudou a sedimentar seu nome como grande poeta da sarjeta, com as canções “Walk on the wild side” (sobre cafetões, travestis e sexo oral), “Vicious” e “Satellite of love”.

Símbolo do que o rock tinha de perigoso e desafiador (eram notórios nos anos 1970 sua voracidade por drogas e seu relacionamento amoroso com um transexual, Rachel), Lou Reed seguiu lançando álbuns surpreendentemente inesperados, como o poético e depressivo “Berlin” (1973), “Sally can’t dance” (de 1974, em que apareceu com cabelos tingidos de louro e um som cheio de metais em brasa) e o impenetrável “Metal Machine Music” (1975), peça de vanguarda composta por frases atonais e muita microfonia de guitarra.

A partir dos anos 1980, Lou Reed passou a gravar álbuns mais convencionais, alguns até elogiados (como “New York”, de 1989). Em 1993, para o júbilo de toda uma geração do rock alternativo, ele se reuniu aos integrantes do Velvet Underground para uma série de shows. Três anos depois, o grupo foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame e Reed faria seus primeiros shows no Brasil. Após cancelar a vinda à Festa Literária de Paraty de 2010, ele viria ao país, mas para mostrar, em São Paulo, o show do cultuado “Metal Machine Music”. O último projeto de Lou Reed no rock foi o álbum “Lulu” de 2011, gravado com o grupo Metallica — e execrado pela crítica.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/morre-lou-reed-aos-71-anos-10556043#ixzz2j1UX1VwG
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5 pensamentos sobre “Lou Reed partiu

  1. Pingback: …dont say goodbye __ | falandonalata1

  2. Assisti a reportagem hoje sobre a perda dessa personalidade ímpar do Rock.
    Grande perda!
    Grande abraço, amigo!

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