Tostão: “O dinheiro que deveria ser usado em obras importantes e urgentes tem sido desviado para a Copa”

Para compensar o baixo astral advindo da morosidade e ineficiência do Tribunal de Justiça da Bahia (veja o post anterior), temos a sorte de contar com gente do naipe de Tostão, ele mesmo, o craque do Cruzeiro, do Vasco, da Seleção Brasileira (tri-campeã em 70). Tostão deixou de jogar precocemente devido a um deslocamento da retina. Iniciou a carreira de médico e também se destacou. Mais adiante chegou a comentar jogos na TV, mas saiu porque não se sentia bem com a mistura da arte e da publicidade, esta ansiosa por vender e vender. Atualmente, é colunista da Folha de SP. Sua coluna é distribuída em vários jornais. Esta que o blog divulga foi publicada neste domingo, 23 de dezembro.

Tostão - Cruzeiro - foto terceirotempo.bol.uol.com.br Tostão - Vasco - foto terceirotempo.bol.uo.com.br

Coerente, Tostão continua não pipocando. Não fugia das divididas quando jogava, não foge de comentários polêmicos na condição de colunista. Veja a coluna:
Não expulsem o torcedor
O dinheiro que deveria ser usado em obras importantes e urgentes tem sido desviado para a Copa

Tostão - Brasil - foto Lemyr MartinsTostão - Folha de SP - foto www1.folha.uol.com.br

É EVIDENTE que muito dinheiro público, que seria usado para obras importantes, sem nenhuma relação direta com a Copa do Mundo, tem sido desviado para o Mundial e para a Olimpíada.
Não há dinheiro para a merenda escolar em Natal, mas não falta para a construção do estádio, que tem grandes chances de se tornar um elefante branco. O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, quer a transferência de R$ 80 milhões da educação para despesas da Copa.
Existem três obras importantíssimas e urgentes que precisam ser realizadas em Belo Horizonte e em cidades próximas, que já deveriam estar prontas há muito tempo e que não saem do papel: o metrô de Belo Horizonte, as melhorias do Anel Rodoviário, onde ocorrem desastres quase todos os dias, e a construção de uma nova BR-381, um estrada assassina, uma calamidade pública.
Recusei o prêmio de R$ 100 mil e a aposentadoria especial dados pelo governo aos campeões do mundo de 1958, 1962 e 1970 porque não quero ter esse privilégio. Como qualquer cidadão, vou requerer minha aposentadoria. Tenho direito. Na época, fomos bem premiados pelo título. Os atletas campeões que passam por dificuldades precisam ser ajudados pelo governo, por meio da Previdência Social, e pelas entidades governamentais de apoio aos ex-atletas, que já existem. A CBF e os clubes têm também obrigação de ajudar seus ex-jogadores.
Temo que os novos estádios construídos para a Copa elitizem o futebol. Para isso não ocorrer, é necessário vender ingressos com preços diferentes. Quem quiser mordomia que pague por isso. Os torcedores humildes têm direito de pagar preços razoáveis, além de ter segurança e conforto. Corre-se o risco de a torcida se comportar como se estivesse em um teatro, todos sentadinhos, bem comportados, sem vibração e sem identificação com o futebol e com o clube. O verdadeiro torcedor, apaixonado pelo clube, não pode ser expulso. Os responsáveis pela manutenção dos novos estádios, os clubes e os torcedores têm de preservar e tratar os estádios com carinho. Para isso, o público tem de ser bem tratado.
É um absurdo colocar o Brasil em 18º lugar no ranking da Fifa.
Teremos dois clássicos na próxima fase da Copa dos Campeões da Europa, entre Barcelona e Milan e entre Real Madrid e Manchester United. Em jogos mata-mata, pode haver surpresa. A eliminação do Barcelona pelo Chelsea, na edição passada, foi, pelas circunstâncias, uma das maiores zebras da história do futebol. O Barcelona era muito melhor, jogava em casa, tinha um jogador a mais, ganhava por 2 a 0, perdia muitos gols e ainda Messi errou um pênalti.
Pretendo escrever a próxima coluna em 16 de janeiro. Desejo a todos uma vida melhor em 2013, apesar de tanta violência, insegurança e banalidade no mundo.

16 pensamentos sobre “Tostão: “O dinheiro que deveria ser usado em obras importantes e urgentes tem sido desviado para a Copa”

  1. Tostão, o grande Eduardo Gonçalves, está à frente dessa era. Eu o conheci no curso de Medicina, é dos mais inteligentes seres humanos. Honesto e ético.

  2. Se a crônica esportiva tivesse mais uns dois Tostões, Juda Kfouri, Cosme Rímoli o Brasil estaria melhor servido nessa área. Viva Tostão!

  3. Tostão foi importante como jogador de futebol, se destacou no campo da medicina e hoje é uma glória para a crônica esportiva. Grande Tostão!

  4. Tostão chamou a atenção para o que poderia acontecer, e aconteceu. Ele fez a crônica e publicou, alguns veículos, como esse blog, republicaram, mas a maioria não ligou. Agora estão vendo que Tostão estava correto.

  5. —Tostão quando disse que haveria gastos desnecessários – para não dizer corrupção – na construção de estádios para a Copa, muita gente criticou. Agora, veem que ele estava certo. Tostão está sempre à frente.

  6. Pingback: O Outono de 2013 trouxe esperança ao Brasil | Blog do Brown

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  9. Tostão é o cara. Escreve bem demais. E os lances que vejo dele quando era jogador, na TV, na internet, mostram que ele era um craque.

  10. Tenho o maior respeito por Tostão. Foi craque, parou cedo porque sofreu uma contusão séria no olho, tornou-se um profissional da saúde de prestígio e depois cronista inteligente e competente. Grande ser humano.

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