A desembargadora não sabe o que é Fundeb. E o MP, despertou da hibernação? Estudantes com esperança de voltar às salas de aula na Bahia

Na manhã desta chuvosa terça-feira, 10 de julho, os mais de um milhão de alunos de escolas públicas estaduais da Bahia acordaram para olhar para o nada ou ver televisão. Sem aula desde 11 de abril viram o sindicato dos professores comprovar que o governo não cumpriu o acordo para pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional; viram dóceis deputados votarem projetos contra a proposta dos professores; viram o governo admitir que houve acordo, mas não havia dinheiro; viram o secretário das Finanças admitir que há dinheiro sobrando no cofre do Fundeb; viram o governador Jaques Wagner respondendo às vaias dos grevistas em diversas cidades do interior e no desfile do 2 de Julho, em Salvador. E ainda viram os professores ocuparem a Assembleia Legislativa, desde 18 de abril, felizmente sem represssão dos donos da Casa.
Até aí, era de se esperar,  em greves de longa duração é normal que ocorram reações assim.

O que causava surpresa era a rapidez do Judiciário em julgar favoravelmente ao governo e postergar as decisões favoráveis aos grevistas. A desembargadora que considerou a greve ilegal disse em seu despacho que não se sabe de onde a APLB tirou a ideia que os professores têm direito a 22% de reajuste.
Vê-se que a desembargadora não se deu ao trabalho de ler alguma coisa sobre Fundeb, Lei do Piso e como se chega a essa conta.
E ainda mais surpreendente foi o silêncio do Ministério Público estadual. Afinal, além da disputa professores x governo há uma turbulência sem tamanho na vida dos estudantes, dos seus pais, de merendeiras, porteiros e trabalhadores em educação, da comunidade em geral. Esperava-se que  o Ministério Público entrasse em ação, principalmente porque o sindicato dos professores fez algumas provocações nesse sentido.
Nesta manhã chuvosa, vem a informação que, finalmente, o MP vai mediar um encontro de representantes do governo e da APLB-Sindicato. A informação é que o governador Jaques Wagner, depois que viu a APLB-Sindicato ir ao MP, enviou ofício aos procuradores de Justiça solicitando a intermediação. É provável que a greve acabe na sexta-feira, quando os professores fazem assembleia.
Espera-se que assim seja.
Mas a atuação do Judiciário e do Ministério Público não passou despercebida, principalmente para quem já viu – em outros períodos na Bahia – esses dois poderes serem simples joguetes nas mãos dos poderosos políticos.
Espera-se que não seja uma recaída.

2 pensamentos sobre “A desembargadora não sabe o que é Fundeb. E o MP, despertou da hibernação? Estudantes com esperança de voltar às salas de aula na Bahia

  1. Pingback: `,,´ __ big brown: edu…!!! (em tempo) « falandonalata1

  2. Tenho recordações de Wagner na ala dos excluídos, em todos os anos de matérias em dois de julho. As coisas mudam…

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