A capital, sem prefeito. O Estado, sem um estadista

Volto ao assunto “políticos”. Como não voltar? Estão em nossas vidas, geralmente atrapalhando.
Estamos numa cidade (Salvador) sem prefeito há muito tempo, em outras postagens este blog falou do assunto, a administração ainda funciona pela competência de alguns secretários e outros funcionários públicos e porque o “automático” acaba reagindo.
A última vez que ouvimos falar do prefeito João Henrique é que chegara do exterior numa beca americana, na camisa até bandeira da terra do tio Sam havia. E que sua namorada Tatiana Paraíso,  secretária de Saúde da capital baiana,  teve que se explicar e pagar multa pelo excesso de bagagem que trouxe do passeio europeu e norte-americano.
No Estado, e também o blog já falou desse assunto, não temos um estadista. A essa altura ninguém mais duvida que Jaques Wagner foi um fiasco. Mesmo os acólitos, que movimentam a cabeça e armam o sorriso ou a cara fechada a depender dos sinais do governador, lá no íntimo percebem que lhe faltam as qualidades do negociador, do contemporizador e do sujeito resoluto que decide sem deixar de ouvir o contraditório.

Com o atual governador o Dois de Julho de 2012 foi o primeiro da História a ter o povo isolado por meio de grades, separando-o do panteão e das tradicionais colocações de bilhetinhos ao Caboclo (como lembra a dona Gertrudes Gomes no recorte do jornal aí acima ). E a ridícula tentativa do governo de escapar das vaias antecipando em mais de uma hora a saída do desfile.
Foi mesmo ridículo!
Nas greves (Saúde, Polícia e Educação) foi e está sendo pífia a atuação do governador.
Na atual, a da Educação, a forma intimidatória de lidar contra os grevistas – cortando ponto, bloqueando a compra no credicesta, fazendo assédio moral (diretores de escolas pressionam quem está em estágio probatório e os de contrato REDA), esbanjando arrogância e dizendo que negocia mas jamais querendo sentar à mesa de negociação – lembra aos baianos os governos que todos pensavam serem parte de um passado morto e enterrado.
Mas que nada. O governo arrogante, sem classe e compostura é presente, como é presente uma governabilidade que mistura óleo e água só para se conseguir mais tempo na TV no horário eleitoral. Depois, claro, o povo paga a conta, e está aí João Henrique para comprovar. Essas alianças só terminam em separações traumáticas para a cidade e/ou o Estado.
Além disso, a péssima atuação do governador nas greves (Saúde, Polícia e Educação) demonstram que os baianos não têm um estadista no poder. Estadista não fala isso: “Se depender de mim vocês não terão salários” para professores em greve com as contas atrasadas e prateleiras da cozinha vazias. Uma frase assim acirra a greve não contribui para o debate. Essa e outras atitudes o deixam longe do estadista que muitos esperavam que fosse.
Na greve atual, a da Educação, o governador optou em não cumprir um acordo que garantia o cumprimento do novo índice de rajuste do Piso Nacional – assinado pela presidente Dilma em fevereiro -, não negociar, não explicar o que fez com a verba do Fundeb e – escândalo mais recente – não explicar porque seu governo cedeu tanto dinheiro – 6,8 milhões – à Abaís, empresa do professor Jorge Portugal, e sem licitação.
E isto só veio à tona porque Jorge Portugal e a SEC resolveram dar aulões a alunos do 3° ano, que farão provas do Enem e do Vestibular. Quando foi descoberto que paga-se 250 reais hora-aula aos professores dos aulões e o professor estadual recebe apenas 8,40 então a história foi desvendada. Jorge Portugal há algum tempo vinha se beneficiando das verbas públicas, talvez graças a um canal no governo. “Trabalhando” para a  SEC e o Irdeb sua empresa já faturou quase 7 milhões.
O governo não dá nenhuma explicação sobre isso. Pelo contrário, em mais de uma ocasião o governador elogiou o coordenador dos aulões. E este – Portugal – tentou justificar que faz o que faz para ajudar os estudantes negros e pobres (sic!). Em relação aos valores de aula-hora deu outra pisada na bola. Disse que paga-se bem nos aulões porque os “professores são de ponta”.
Com um gasto fantástico em publicidade – outra característica de governos autoritários que dominaram a Bahia – o governo Wagner mantém na rédea curta não só os programas sensacionalistas do rádio e da TV como também outros sem audiência mas que lhe servem de suporte e exibem uma impetuosidade tremenda na defesa do patrão.
Além dessas “qualidades” os apresentadores desses programas ficam mordendo nas redes sociais. Atentos e sempre tentando dar mostras aos olhos atentos do governo de que estão cumprindo a sua missão.
No dia em que A TARDE deu a manchete sobre o escândalo Jorge Portugal e os aulões de muita verba, a matéria sumiu do on line por volta das 9 horas. Era manchete do impresso, pressupõe-se que seja uma matéria importante, a aposta do jornal. Claro, não foi apagada como fez o Bocão News com a reportagem de Guilherme Vasconcelos, mas quem não a leu antes das 9h e não pegou o link teria muita dificuldade para encontrá-la. Normal?
Para uma ex-colega de jornalismo sim, normal. Como se tivesse descoberto a pólvora, disse-me: “Se tem o link é porque não sumiu”. E, acredite, estava sendo sarcástica!
Argumentei, lembrei-lhe que a matéria era simplesmente a manchete do jornal, não podia sair tão rápido do site, etc.
Deixei pra lá  depois que entender o dilema da ex-colega: o fato de ela estar no governo e depender de verba publicitária para apresentar um programa em uma emissora de rádio a tornara uma “soldado”. Sendo assim…
Nem George Orwell imaginaria o Grande Irmão agindo escancaradamente como nesse período. Patrulha ideológica? Não, porque hoje está tudo misturado. Lula malufou, Maluf já disse que está à esquerda de Lula; Jaques Wagner adorou levar os carlistas puro-sangue para seu governo; um carlista candidato tem a seu lado uma militante das cotas para negros; e assim caminha a humanidade.
Dá saudade do tempo em que se respeitava a ideologia e a ética, e candidatos tinham propostas para  governar.
Tomara que seja só uma fase.

3 pensamentos sobre “A capital, sem prefeito. O Estado, sem um estadista

  1. Lutar é preciso. Desistir nunca! Não temos prefeito, o governador é um ser mesquinho, mas não podemos desistir de pensar em mundo melhor.

  2. Muito boa a postagem. Salvador não tem prefeito. E o governador da Bahia vive nos ares, literalmente.

  3. Não é por nada não, mas os soteropolitanos merecem. E os baianos também. Não reelegeram João Henrique e Jaques Wagner, então é porque estavam gostando.

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