Um senador a serviço da contravenção

No episódio que ficou conhecido como Mensalão ele era um dos principais interlocutores do Congresso Nacional. Sempre com a aparência tranquila, retilínea, sem empáfia mas cobrando ética e honradez de todos, particularmente dos seus pares no Senado, Demóstenes Torres ganhou a simpatia até mesmo de eleitores que jamais votariam no DEM (tem suas raízes na UDN golpista). Agora, é responsável por aumentar a desconfiança da população em políticos.
Tanta moral teve que foi o relator do Ficha Limpa, projeto resultante de uma das maiores mobilizações populares.   O prestígio alcançado foi tanto que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) o convidou a escrever o prefácio de livro em comemoração à lei. No texto, afirma que há uma quantidade de “bandidos abrigados na vida pública”.
Tido como um guardião da ética, sempre pronto para apontar o dedo para os adversários flagrados em atitude suspeita, o senador Demóstenes Torres (GO) pediu a desfiliação do Democratas na terça-feira ao enviar carta ao presidente do partido, José Agripino (RN). Ele é alvo de uma série de denúncias desde fevereiro deste ano.
Procurador do Ministério Público e ex-secretário da Segurança Pública de Goiás, Demóstenes presidiu, desde 2009, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Grampos feitos pela Polícia Federal (PF) e outras informações de inquéritos do órgão ligariam o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ao empresário do ramo de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. Investigado por um esquema de corrupção desvendado na Operação Monte Carlo, da PF, Cachoeira foi preso em fevereiro, sob a acusação de exploração ilegal de jogos de azar em Goiás.
Além de manter conversas frequentes com o bicheiro, o senador também teria recebido presentes e pedido dinheiro a Cachoeira. No dia 6 de março, durante sessão plenária, Demóstenes admitiu que trocou telefonemas com o bicheiro, mas disse que recebeu apenas presentes de casamento de Cachoeira – uma geladeira e um fogão importados.
De lá para cá, novas reportagens apontaram que o senador se comunicava com Cachoeira por meio de um telefone habilitado nos Estados Unidos, para evitar grampos. Além disso, denúncias apontaram que o senador teria recebido dinheiro proveniente do jogo do bicho. Demóstenes Torres negou que seja investigado por crimes de contravenção e afirmou que a violação do seu sigilo telefônico não obedeceu a critérios legais.
Pressionado, Demóstenes deixou a liderança do partido no Senado no dia 27 de março. Em carta, ele afirmou que subirá à tribuna do Senado para responder aos questionamentos dos colegas tão logo tenha acesso ao conteúdo dos autos nos quais é acusado. Ele declara que é inocente e que, embora tenha tido amizade com Cachoeira, jamais participou de qualquer atividade ilícita.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao STF a abertura de inquérito para apurar o envolvimento de políticos — entre eles o senador Demóstenes Torres — com o empresário Carlinhos Cachoeira.
Áudios mostram que senador atuou em órgãos em favor de Cachoeira
Do Ficha Limpa à desfiliação: entenda a queda de Demóstenes Torres

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Jogo duplo 02/04/2012 | 04h10

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Suspeitas contra senador 01/04/2012 | 20h33

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Denúncias de irregularidades 30/03/2012 | 17h54

Demóstenes Torres não fala em renunciar, afirma advogado do senador

Parlamentar é suspeito de envolvimento com o empresário do ramo dos jogos de azar Carlinhos Cachoeira

Denúncias de irregularidades 29/03/2012 | 19h35

STF abre inquérito e autoriza quebra de sigilo bancário de Demóstenes Torres

Senador do DEM é suspeito de ligação com o chefe da máfia dos caça-níqueis Carlinhos Cachoeira

Situação agravada 28/03/2012 | 23h48
Novas gravações relacionam senador Demóstenes Torres a máfia de caça-níqueis
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