E o Brasil se dobrou à Fifa

Blatter observado por Marco Maia, presidente da Câmara de Deputados

Para quem, sorrindo, derrubou Havelange, Bin Hamman e Ricardo Teixeira… Fazer Dilma aceitar Valcke de volta e cerveja nos estádios na Copa foi brincadeira de criança. Blatter (na foto observado por Marco Maia, presidente da Câmara de Deputados) não é presidente da Fifa por acaso…

Em nome do dinheiro a soberania nacional e as palavras do início da semana passada (a presidente, as ministras e o ministro do Esporte garantiam que as leis brasileiras não seriam descumpridas e tal e coisa…) foram ao vento e levadas para bem longe. Leia o texto publicado no blog do Cosme Rímoli:

Não duvide de Joseph Blatter.

O suíço de pele rosada não chegou à presidência da Fifa por acaso.

Economista, jornalista, administrador e muito, muito, esperto.

Há 40 anos estava organizando os jogos Olímpicos de Munique, em 1972.

Depois, a de Montreal, em 1976.

Foi para a Fifa.

E desde 1982 organizou todos os Mundiais.

Muito se credencia João Havelange pela modernidade da Fifa.

Principalmente os brasileiros.

Mas Blatter teve papel fundamental.

Principalmente na chegada dos patrocinadores e da televisão.

As ideias que espalharam a Fifa pelo mundo todo foram de Havelange.

E as que enriqueceram a entidade, todas de Blatter.

Aos 76 anos, ele continua surpreendendo pela vitalidade.

Sabe enfrentar os inimigos com sutileza e impiedade.

Acabou com João Havelange e Ricardo Teixeira.

Foi ele quem os derrubou.

Usou o escândalo da ISL.

Os documentos estão sob o seu domínio.

Ele atormentava os interessados.

Por vezes prometendo revelar o conteúdo das provas, de quem recebeu suborno e devolveu.

Outras vezes exigindo atitudes para não revelar.

Mas o motivo foi da raiva contra Teixeira foi traição.

Blatter havia herdado o cargo de Havelange.

Tinha ouvido o pedido para repassá-lo a Ricardo Teixeira.

Era o que até pretendia.

Mas a postura do brasileiro querendo interferir antes do tempo…

E a descoberta do fiel Jerome Valcke mudou todo o cenário.

Blatter se desgastou com Teixeira, mesmo depois de terem acertado a vinda da Copa ao Brasil.

E o mineiro pensou que poderia enfrentá-lo.

O presidente da CBF assinou sua sentença de morte ao não apoiá-lo na eleição do ano passado.

Preferiu apostar no ex-presidente da Confederação Asiática de Futebol, o qatariano Mohamed bin Hamman.

Perdeu todas suas fichas.

Hamman foi derrotado e ainda expulso da Fifa.

A acusação: ter dado dinheiro a quem colaborou com sua campanha.

Aliados de Blatter defendiam que Teixeira seria uma dessas pessoas.

Foi quando o presidente da Fifa rompeu definitivamente com o brasileiro.

E mais: fez pressão junto à presidente Dilma Rousseff.

Não foi preciso ser um gênio para mostrar a ela o quanto Teixeira ajudava na rejeição da Copa.

Blatter foi a mão fria que decepou Teixeira.

O golpe final foi mais uma ameaça de tornar pública toda a documentação do escândalo sobre a ISL.

Teixeira percebeu que não tinha onde se agarrar.

Dilma, encorajada por Blatter, espalhou a Polícia Federal para investigar toda a vida do presidente.

E de seus amigos e familiares.

O êxodo aos Estados Unidos foi a solução.

Sem Teixeira no País, Blatter fez daqui uma festa.

Sutilmente surgiu no ouvido de José Maria Marin que seria melhor ir à Argentina na semana passada.

O presidente da Fifa não queria se encontrar com o substituto de Teixeira.

Queria e ficou a sós com Dilma Rousseff e nos seus sempre confiáveis Pelé e Ronaldo.

Pediu milhões de desculpas em nome do seu pupilo Valcke.

Disse que o cobrou pelo famoso ‘chute no traseiro’ que o Brasil merecia por estar tão atrasado com as obras da Copa.

Blatter não veio ao Brasil só para dar uma fotografia à Dilma.

Fez questão de lembrá-la, sutilmente, dos 921 contratos assinados entre a entidade e o governo brasileiro.

E para colocar um fim na bendita questão da Lei Geral da Copa.

Fiel ao seu estilo gentil, Blatter mostrou que o Brasil havia de ceder.

Por um simples motivo: já havia cedido.

Blatter nem bebe cerveja, adora Campari.

Mas a questão da venda de Budweiser durante a Copa do Mundo era uma questão de honra.

Deputados religiosos nada significam para o presidente da Fifa.

Ainda mais em comparação com os bilionários patrocinadores do Mundial.

Para a Budweiser nada significa de verdade o consumo de cerveja em 2014.

É ridículo o que irá ser consumido em termos proporcionais.

O que interessa é a simbologia.

Um país de Terceiro Mundo que havia aceito todos os termos da Fifa pela Copa iria voltar atrás.

E barrar a participação efetiva de um dos mais fiéis patrocinadores.

De jeito nenhum.

Com toda a sutileza de quem se livra dos seus inimigos sorrindo, Blatter dobrou Dilma.

A Budweiser será aprovada finalmente na Copa nesta quarta-feira.

De sobra, Blatter conseguiu o perdão de Dilma para o seu pupilo Valcke.

Ele continuará sendo o interlocutor da Fifa em relação ao Mundial.

Até porque o presidente da Fifa precisa acertar vários laços pendentes com a Rússia e o Catar para as próximas Copas.

Sorridente, Blatter voltou para a Suíça.

Levando na bagagem a cabeça de Ricardo Teixeira.

Com a certeza que em 2014, milhões de Budweiser estarão nas arenas do Mundial.

Exatamente como queria este velhinho sorridente.

Que de bonzinho e ingênuo não tem nada…

(Como para deixar bem claro que não há como respirar…

Ricardo Teixeira acaba de pedir sua saída do Comitê Executivo da Fifa.

Serviço completo de Blatter.

Próximo, por favor…)

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