Governador chama Exército e Força Nacional para acabar greve da PM

E os tanques estão nas ruas de Salvador.

Greve da PM – Manifestante é atingido por bala de borracha em confronto com as tropas federais no CAB

Confronto na Assembleia Legislativa.
Do Rio de Janeiro, o prefeito de Salvador, João Henrique, manda twittes, glorificando a cidade maravilhosa (“O Rio continua lindo”).
Na capital baiana, os tanques nas ruas mudaram a paisagem. Vieram com o Exército, com a Força Nacional, a pedido do governo petista Jaques Wagner. Objetivo: reprimir a greve dos policiais militares.
A greve saiu do controle desde o primeiro dia. Passa a ideia de treinamento de guerrilha. Ações rápidas em vários pontos da cidade, supostamente realizadas por policiais em greve confundem o parco aparato de defesa e deixam a população assustada. Saques em lojas, assaltos a carros e a ônibus completam a onda terrorista.
Seria uma estratégia dos grevistas? Só se um deles revelar isto um dia, apenas podemos especular. Essa é a greve. Os grevistas policiais militares transformaram a Assembleia Legislativa em seu quartel e para lá chamaram esposas e filhos.
O governador, que não tem carisma nem é unanimidade, tinha a fama de grande negociador, desde os tempos em que trabalhava no Pólo Petroquímico de Camaçari e era o coordenador-geral do Sindiquímica, sindicato que tinha em sua diretoria nos anos 90 muitos dirigentes de peso do governo atual.
Mas essa fama, que lhe seria um razoável handicap durante a greve, Jaques Wagner está jogando fora nesse episódio. Retornou de mais uma viagem ao Exterior, desta vez estava em Cuba, com a presidente da República, e imediatamente tratou de entrar em contato com os órgãos de repressão. A população e os grevistas esperavam que o mandatário-mór do Estado da Bahia utilizasse a expressão que tanto utilizou nos anos 90 (“sentar à mesa de negociação”) e negociar. Ele, no entanto, tal qual os policiais grevistas, resolveu partir logo para a força.

Os grevistas, hoje vistos como inimigos e chamados de bandidos por gente do governo e de parte da mídia que sobrevive da publicidade governamental, já foram considerados heróis e incensados pelos que estão no poder. Isto se sucedeu em 2001, quando o mandatário-mór era César Borges (cogitado pelo atual mandatário, no início do seu segundo governo,  para entrar em sua aliança e ser senador).
Naquela época, os que hoje desfrutam das benesses do poder, consideravam a greve legítima, aliás, a grande arma do trabalhador. O próprio Wagner fez sua campanha para o governo prometendo readmitir os demitidos por César Borges.
Mas, eleito,  jamais conversou com os demitidos, nunca pensou em pagar as gratificações exigidas pelos policiais grevistas, embora os coronéis digam o contrário, o que já era mesmo esperado.
Assim, espantada, a população baiana vê, de um lado um governador Jaques Wagner chamando a força para substituir a razão. E do outro lado grevistas jogando tudo para o alto, alimentando a força.
Jornalistas, acadêmicos, sindicalistas, artistas que há onze anos protestaram contra a pouca atenção de César Borges aos grevistas, hoje se calam.
Cada vez mais distantes do que uniu todos contra a ditadura militar, as pessoas vão demonstrando que discursos, manifestações e posicionamentos políticos são feitos por conveniência. Depende muito de que facção está no poder para gente assim exercer seu poder de criticar. Depois da “governabilidade” ao modo lulista as críticas não acompanham os princípios éticos e morais.
Donos de programas, sites, jornais, presos pela publicidade oficial, seguem a cartilha do governo e desinformam.
E agora? É o que perguntam todos que dependem alguma paz e segurança para saírem à rua e irem trabalhar.
No Jornal Nacional da noite desta segunda-feira, 6 de fevereiro, o JN falou da falta de aulas, de ônibus queimado por bandidos e do prejuízo no comércio e no turismo. O comandante militar preferiu falar de carnaval.
Ainda no Jornal Nacional, o discurso do governador não deu alento a ninguém, exceto aos que comandam a indústria carnavalesca. Ele garantiu que haverá carnaval em Salvador, na data programada “e sob a tutela da Polícia Militar”. Não fez autocrítica sobre sua inapetência em negociar com os policiais militares, não agora, mas há cinco anos, quando venceu a eleição. Poderia ter negociado, não o fez, como também ignorou negociar com o pessoal da Saúde, com os professores e outras categorias sobre pagamento de URV e reivindicações que qualificariam melhor os servidores públicos. Só pontuou e ressalvou a preocupação com o carnaval, segundo ele “o maior investimento do Estado”.
E é importante lembrar que a situação de greve e de confronto não existe só em Salvador, em várias cidade do interior baiano vê-se o mesmo ou até pior.
E o governador só tem a agradecer à TV Globo: é quase um palanque para ele. O que não faz a publicidade!
Veja imagens da paralisação de PMs na Bahia. Policiais militares anunciaram greve e Força Nacional reforça segurança no estado.
Sem aulas
A CTB e a greve da PM
Fechamento do comércio e correria em Vitória da Conquista
A greve em Feira de Santana
A greve em Ilhéus

Um pensamento sobre “Governador chama Exército e Força Nacional para acabar greve da PM

  1. PRA MIM ISSO TUDO É REFLEXO DE UMA SOCIEDADE HIPÓCRITA E UMA BURGUESIA CANALHA. NÃO HÁ PAZ COM COM FOME.

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