O Brasileirão 2011 terminou, mas a ética no futebol está longe de começar

O Campeonato Brasileiro de futebol chegou ao final e os erros de arbitragens e gafes da CBF na entrega dos prêmios empanaram o brilho de craques e torcida durante a competição.

Impossível esquecer a entrada criminosa do zagueiro Bolívar contra Dodô, do Bahia, no jogo em que o Internacional venceu por 1 x 0. Lance dentro da área, fácil de marcar se o árbitro não fosse Paulo César Oliveira, que por várias vezes já demonstrou não ter capacidade para ser juiz de futebol. Ele marcou lance perigoso, mas deu cartão amarelo ao jogador do Internacional, o que subentende que o soprador de apito viu uma falta forte. O mais incrível estaria ainda por vir. O lance foi levado em vídeo para os juízes do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) averiguar. Os juízes impuseram, então, uma pena a Bolívar de quatro jogos de suspensão mais o tempo em que a vítima ficaria contundida (presumivelmente seis meses). A maioria aplaudiu, “ôba, finalmente bom senso na aplicação de penalidades desse tipo”. Três dias depois, porém, o mesmo STJD acatou medida liminar dos advogados do clube gaúcho e baixaram a pena para… 2 jogos e 15 dias de suspensão para o zagueiro agressor. Realmente!

Árbitro (?) Paulo César Oliveira

O jogo foi disputado numa quarta-feira. No domingo seguinte o mesmo árbitro entrou em campo para apitar Atlético de Goiás x Palmeiras. Para a comissão de arbitragens ele não errara. É bom lembrar que naquele mesmo jogo ele deixou de dar dois pênaltis claros a favor do Internacional e se confundiu em vários lances.
Como se esquecer dos cinco gols feitos pelo Vasco e mal anulados pelos árbitros? O mesmo time carioca que teve um ano heróico depois de começar muito mal no campeonato local foi campeão da Copa do Brasil, chegou à semifinal da Sul-Americana e vice-campeão brasileiro e no meio de tudo isso viu seu treinador sofrer um AVC e a diretoria manter o interino até o fim.

O Vasco sofreu onze pênaltis, desses claros que nem comentaristas fanfarrões se escusam a acusar, e os árbitros simplesmente ignoraram e, em alguns deles, deram cartão amarelo a quem sofreu a falta. Dos onze pênaltis não marcados e que, logicamente, mudariam a história do campeonato, a torcida vascaína jamais esquecerá os dois contra o Flamengo: no primeiro turno, Léo Moura derrubou Bernardo claramente, aos 43 minutos do 2º tempo. E no último jogo do campeonato Willians ficou segurando a camisa do Diego Souza alguns segundos, mas o árbitro Péricles Bassols e  seu auxiliar não quiseram ver.

Árbitro (?) Péricles Bassols

Incrível é que o mesmo Péricles Bassols – nome difícil de ser esquecido – foi o árbitro do jogo do 1º turno. Hipocritamente o chefe da comissão de arbitragens ainda estranhou que o mesmo juiz que falhara apitasse o mesmo clássico duas vezes.
O houve mais erros, mas muitos mesmos, contra Corinthians (no jogo contra o América mineiro), Flamengo, Botafogo, Atlético do Paraná (prejudicado na partida contra Cruzeiro, que permaneceu na 1ª divisão enquanto o Atlético caiu para a 2ª). Só para citar alguns.
Para culminar com as bobagens feitas por dirigentes, veio a festa de entrega dos prêmios. Não convidaram o presidente do Vasco da Gama, Roberto Dinamite. Talvez pelas reclamações feitas contra as arbitragens? Para coroar o pacote de maldades a CBF tirou o mando de campo do Vasco nos dois últimos jogos, contra Fluminense e Flamengo. E mais não fez porque o campeonato acabou.
E a organização da festa foi uma desorganização.
Um festival de gafes
A torcida de bom senso e favorável à ética quer mesmo é saber quando o futebol brasileiro será levado a sério e dirigido democraticamente. Ricardo Teixeira manda na CBF e no futebol nacional há 22 anos e escolhe sozinho quem vai ocupar cargos A, B e C. E quando falta o cargo ele o cria.
Mais recentemente, Ricardo Teixeira simplesmente anunciou que a partir de 2013 a Copa do Brasil terá outro formato. Quem foi consultado? É ele que decide. Os dirigentes estão se movimentando para refundar o Clube dos 13, viram que sem essa associação não terão nenhuma força para enfrentar o poder imperial da CBF.
Passou da hora de exigir ÉTICA NO FUTEBOL.
Mais detalhes nos sites seguintes:
SAIBA O QUE É O PLACAR REAL
Vasco é apontado pelo Placar Real como a equipe mais prejudicada da competição
Péricles Bassols só prejudicou o Vasco por omissão de Roberto Dinamite. Agora seus gritos, bravatas e ameaças não têm valor algum. Quando deveria falar, Dinamite se calou…
Na briga contra o rebaixamento, o Cruzeiro, com 40 pontos, três a menos que a tabela real, teria ido para a série B no lugar do Atlético-PR
Site que monitora arbitragem mostra diferenças no primeiro lugar e no “G5”
Romário sugere intervenção na CBF, caso haja irregulridades
Juca Kfouri: A lavagem de dinheiro no futebol brasileiro
Em Minas Gerais, SOS marmelada!
TV Globo e CBF tiraram o maior prazer do torcedor campeão: levantar o troféu para sua torcida. A entrega da taça do Brasileiro virou uma festa fechada. Para poucos. Bancada com o dinheiro dos próprios torcedores…
Juca Kfouri: Fifa adia a denúncia e Ricardo Teixeira continua chafurdando

2 pensamentos sobre “O Brasileirão 2011 terminou, mas a ética no futebol está longe de começar

  1. Pingback: Anton César

  2. Sua análise é corretíssima. Fica complicado vencer um campeonato quando, além do adversário (e todo mundo se entrega física, tática e psicologicamente), é preciso enfrentar também os cidadãos (árbitro e assistentes) incumbidos do direito de decidir o que é certo e o que é errado, o que pode e o que não pode, o que foi e o que não foi no campo de jogo. Peguemos como exemplo a última partida: um carioca foi escalado para apitar um clássico carioca. E o princípio da imparcialidade? É óbvio que o camarada leva para a partida suas impressões em relação às duas equipes, seja na condição de torcedor de uma delas, ou na condição de torcedor de uma das outras equipes cariocas, já que é muito pouco provável que ele torça para algum clube fora do Rio de Janeiro ou que não torça para time nenhum. Num lance ou outro vai manifestar sua preferência, sua simpatia ou antipatia, isso para dizer o mínimo, afora o caráter. Os pênaltis não marcados a favor do Vasco no último jogo e no decorrer de toda a competição foram claríssimos. Fica a sensação de que poderíamos sim ter vencido até com certa folga, mas também fica uma base pronta, brigadora, que sai de cabeça erguida e fortalecida, com prestígio, confiança e moral elevados, porque demonstrou brio, brigou em alto nível por todas as grandes competições que disputou (sinceramente, pra mim o campeonato estadual deve ser encarado como pré-temporada, todo ele, e tem um significado muito mais bairrista, importante pro ímpeto e ego do torcedor, do que uma destacada importância esportiva e financeira para os clubes).

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