CBF, FIFA, siglas poderosas e o futebol sem transparência

A nação poderia aproveitar a onda de cobrança de ética nos cargos públicos – já que a corrupção atingiu níveis de falta de vergonha inimagináveis – e estender o movimento para outros setores, por exemplo o esporte. Por que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, está no cargo há 22 anos e age como um rei.

Ronaldo e Ricardo. Foto de: Alexandre Rezende-22.nov.11/Folhapress

Agora, o dirigente coloca no centro das atenções dois dos mais famosos nomes do futebol brasileiro. Além de recorrer novamente ao carismático Ronaldo, convidado para compor o Comitê Organizador Local da Copa-2014, Teixeira chamou na sexta-feira o presidente do Corinthians, Andres Sanchez, para comandar o departamento de seleções da CBF.
Ricardo Teixeira tornou-se presidente da CBF pelas mãos do sogro, João Havelange, que presidiu a FIFA entre 1974 e 1998. Quando tinha 19 anos, no Carnaval de 1966, conheceu Lúcia Havelange, filha do dirigente, mas se separou dela em 1997 e a relação com o sogro, já de saída da FIFA, ficou estremecida.
Em 1999, Havelange mostrou seu descontentamento faltando a uma homenagem a ele organizada pela CBF, e a distância dificultou o principal sonho de Teixeira até então: trazer uma Copa do Mundo para o Brasil. Na época, o País estava em plena campanha para receber o Mundial de 2006, e Havelange já se mostrava mais a favor de levar o torneio para a África do Sul. Por fim, a competição ficou na Alemanha.
Na última década, contudo, Ricardo Teixeira voltou a se aproximar do ex-sogro, ainda muito influente na política do futebol mundial. Com a ajuda de Havelange, conseguiu a organização da Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil era candidato único, e entregou a Joana Havelange, sua filha (e neta de João Havelange), a responsabilidade de administrar tudo relativo ao Mundial no Brasil.
O presidente da CBF decidiu dividir o poder absoluto que tinha após a série de ameaças feitas por Joseph Blatter. Também acossado por denúncias, o cartola da Fifa reabriu o processo envolvendo a ISL, ex-agência de marketing da entidade, e pretende anunciar no próximo mês o resultado das apurações.
O caso ISL foi o maior escândalo de corrupção da história da Fifa. O processo, encerrado em 2010 sob sigilo na Justiça suíça, concluiu que foram pagos US$ 100 milhões (R$ 186 milhões) em propina a dirigentes nos anos 1990.
Os nomes dos acusados nunca foram divulgados. Segundo a rede britânica BBC, Teixeira está entre eles. Está também na lista de desafetos de Blatter por quase tê-lo traído na última eleição da Fifa.

João Havelange. Foto: Getty Images

João Havelange renunciou a seu cargo da cúpula do COI (Comitê Olímpico Internacional) neste domingo alegando problemas de saúde. Em meio a uma série de denúncias de corrupção, o ex-presidente da Fifa deixa o cargo e faz com que as investigações sejam interrompidas. Caso as suspeitas fossem confirmadas, Havelange poderia até ser expulso da instituição. A decisão sairia na próxima quinta-feira em Lausanne, na Suíça.
O presidente de honra da Fifa vinha sendo investigado pela comissão por acusações de ter recebido um pagamento de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 1,8 milhão) da ISL, empresa de marketing. Outros dois membros da entidade, o presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack, e o dirigente de futebol africano Issa Hayatou também estão sob investigação, mas devem receber punições mais leves.
De acordo com as normas do COI, a renúncia ao cargo, que foi feita por meio de uma carta, faz as investigações pararem, mas não evita, no entanto, que Ricardo Teixeira, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), tenha seu futuro na Fifa comprometido. Isso porque Teixeira, que é ex-genro de Havalenge, também está sendo investigado pelas mesmas denúncias e teria recebido propina, de acordo com a rede inglesa “BBC”.

Zezé Perrella, dirigente do Cruzeiro e senador pelo PDT de Carlos Lupi

Completando o grupo que manda no futebol e não presta contas a ninguém, não podemos nos esquecer de Zezé Perrela, que age como se fosse dono do Cruzeiro. A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar indício de lavagem de dinheiro na compra e incorporação de benfeitorias da Fazenda Guará, controlada pela família Perrella.
Zezé Perrella agora é senador pelo PDT de Carlos Lupi, sem nunca ter obtido votos para isso, entrou na vaga de Itamar Franco, que morreu. Zezé Perrella  responsável pela compra, em 1999, da Fazenda Guará, que  pertence hoje aos seus dois filhos e um sobrinho, e têm o controle acionário da Limeira Agropecuária e Participações Ltda, a mesma firma usada por Perrella para comprar a propriedade há 12 anos.
Suspeito de enriquecimento ilícito na gestão do Cruzeiro, não é a primeira vez que Zezé Perrella se torna alvo da PF. Em 2010, o cartola foi indiciado pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas na negociação do zagueiro Luisão, titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010. A iniciativa de investigar a fazenda veio depois que o Hoje em Dia revelou, com exclusividade, a existência da propriedade, avaliada em R$ 60 milhões.
Quantas pessoas sabem disso? Poucas e por isso o império da CBF prossegue, com milhões de dólares em patrocínio e nenhuma transparência.

Um pensamento sobre “CBF, FIFA, siglas poderosas e o futebol sem transparência

  1. Olá seu Bonfa, tudo bem! Vamos fazer um bolão para saber quem será o próximo. Eu acho que é o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Rs,rs,rs.

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