Primeiro governador negro e notícias do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas

De Cleidiana Ramos recebo mensagem por e-mail falando do curso de etnia pelo Brasil. A menina de Iaçu cresceu e hoje é uma jornalista respeitada tanto na profissão quanto nos meios acadêmicos, onde também investe o seu intelecto. Na mensagem, uma história pra lá de interessante sobre o primeiro governador negro do Brasil, e que o Brasil não sabe, ou finge não saber. As fotos são de autoria de Arfio Mazzei, tiradas durante o curso em Porto Alegre.

Cleidiana Ramos

 “… Este Brasil é muito lindo mesmo… vai além do clichê… estou encantada pelo Norte do País, principalmente Manaus. Que lugar lindo! E lá descobri a história de uma figura chamada Eduardo Ribeiro, que foi governador do Amazonas  em meados do século XIX e responsável por todas as obras de modernização da capital no apogeu da borracha. São de sua responsabilidade as obras majestosas do Palácio da Justiça e do Teatro do Amazonas que impressionam pela estética luxuosa e bela. Agora vem o mais importante sobre a figura: negro, maranhense que migrou para o Rio de Janeiro e foi deportado para o Amazonas, embora não tenha ficado muito claro por quê. Era positivista, maçom e republicano, o que aliado à  sua condição racial o fazia um maldito. Agora imagina o que essa figura enfrentou para se tornar  governador? Mas ele pagou um  preço alto. Morreu num manicômio, oficialmente de suicídio, embora há relatos de que teria sido assassinado.
Veja que coisa Brown: vc já tinha ouvido falar dessa figura? Nem eu. o primeiro governador negro do País… Além disso, não tem nada que o lembre na cidade. O único busto está no manicômio!!!!  Mas você pode acompanhar o resultado dessas minhas andanças no blog do curso. A média de participação tem superado todas as nossas expectativas.

Segue o link: http://generoracaetniaparajornalistas.wordpress.com/”

Primeiro dia do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas teve conceitos e retrospectiva histórica

por Marcio de Almeida Bueno, da Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul

Nesta quarta-feira, dia 31 de agosto, ocorreu a primeira parte do último módulo da parceria entre a Federação Nacional dos Jornalistas e ONU Mulher. A grande procura pelo Curso de Gênero, Raça e Etnia Para Jornalistas garantiu um auditório lotado, na sede do SindBancários, em Porto Alegre. Logo após às 18h, a mesa de abertura foi composta pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, José Maria Rodrigues Nunes, vice-presidente Milton Simas, e diretoras Vera Dayse Barcellos e Jeanice Ramos, estas últimas também do Núcleo de Afrojornalistas do Sindicato. Após as saudações iniciais, o comando passou para a facilitadora da atividade, jornalista Cleidiana Ramos.

Como parte teórica, a profissional listou conceitos, fez retrospectiva histórica, citou momentos de preconceito explícito na Ciência e Literatura, e abordou erros da Imprensa e do senso comum. ‎”Na Bahia, através de irmandades católicas, negras escravas compravam a própria liberdade, a de seus companheiros e filhos, manejavam bem a faca, e regulavam o comércio local. Apesar desse empoderamento, costumamos pensar no Feminismo apenas na Europa do século 19″, disse Cleidiana Ramos.

Após pausa para lanche oferecido pelo Sindicato dos Jornalistas, a aula foi retomada com exibição de vídeos e intervenções do público. Casos de preconceito foram relatados, em músicas, livros, declarações, publicações e atitudes. ‎”É possível mudar toda essa realidade a partir de nossa atuação profissional”, comentou a facilitadora. ‎”Jornalistas agora acham que sabem tudo, não perguntam nada, nem em coletiva, que virou debate de egos”, apontou. O evento será retomado nesta quinta-feira, 1º de setembro, novamente com cobertura via blog do curso e portal do Sindicato, e respectivos perfis no Twitter e Facebook.

6 pensamentos sobre “Primeiro governador negro e notícias do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas

  1. Oi Brown e Cleidiana, moro em Manaus e sou mestrando em História, aliás um dos dois personagens principais é justamente Eduardo Ribeiro, a História dele é bastante conhecida por aqui e a memória idem, tem o Museu Casa Eduardo Ribeiro, busto de bronze na Praça do Congresso, avenida Central com nome dele, Hospital psiquiátrico idem (fica aonde era a chácara dele e onde teria supostamente se suicidado), Escolas… enfim… mas o Amazonas e o norte reservam muitas outras “supresas” nesse sentido de afrodescendentes proeminentes e pioneiros, a abolição por exemplo aqui ocorreu 4 anos antes, em 1884, vale a pena conhecer um pouco mais : http://movimentoafro.amazonida.com/presenca_negra_no_amazonas.htm

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