Biribinha e A Árvore da Vida

O amigo Bina me fala da morte de Biribinha. Figura que alegrava o final de noite de cansados jornalistas no fechamento do Jornal da Constituinte. Era o motorista da equipe, naquele já distante 1989. Feliz, sentia-se importante levando o material impresso para a Empresa Gráfica e o áudio para a emissora de rádio. Em todo o trajeto contava suas histórias, que jamais acabavam. Depois que Brown e Irecê – os dois passageiros – faziam o abatimento nos “causos” as histórias ficavam magrinhas. “Assim não vale”, queixava-se Biribinha, para quem história só vale se for além da fria verdade.

Conformado, Bina lembra que felizmente Biribinha não sofreu para morrer. Viveu como quis e morreu tranqüilo.

É a árvore da vida.

E quem quiser mais material para discutir – de preferência numa roda de amigos -, morte, vida, vida depois da morte, morte depois da vida, que trate de ver o filme de Terrence Malick, com Brad Pitt dando um show de interpretação. Em maio, o filme ganhou a Palma de Ouro, em Cannes. Valeu a pena esperar o diretor-filósofo demorar dois anos para editar a fita, como se falava tempos atrás.

É um filme polêmico, inclusive entre os atores que dele participaram.

Sean Penn ficou decepcionado com o filme e não sabe o que seu personagem fazia por lá.

Jessica Chastain acha que o filme é “uma experiência para a vida toda”.

O que quase todos concordam é que o diretor-filósofo – Terrence Malick – busca respostas existenciais em “A Árvore da Vida”.

E talvez seja o que todos buscamos ao refletirmos quando alguém próximo de nós morre.

9 pensamentos sobre “Biribinha e A Árvore da Vida

  1. A vida é muito relativa. Tudo pode se esgotar em um segundo. Mas sendo relativa o que parece uma perda eterna pode não ser. Bom esse blog.

  2. Bomfa querido:

    Voltei agora do cinema, fui assistir “A Árvore da Vida.” Como diria André Setaro: imperdível.
    O filme aborda questões existenciais, espirituais, de comportamento, além de confirmar o talento de Brad Pitt que realmente dá um show de interpretação. Nada como um bom amigo antenado com o que se passa para reforçar a crítica e os comentários sobre o filme. Valeu, amigo!
    Abs,

  3. Cara, que comentário legal!
    Você linkou a morte de seu amigo com a proposta filosófica de cinema de A Árvore da Vida!
    Muito bom!

  4. Bonito o jeito de contar a história do seu amigo que se foi, os “causos engordados” pela imaginação, a saudade que fica… e ainda o filme de Malick. Pertenço a ala dos que gostaram do filme. Essa é uma reflexão que mais frequentemente a morte instiga, mas é talvez a vida que nos atiça a buscar respostas, o desejo da vida e de sua compreensão, a ilusão de compreendê-la. Beijos, meu bem. Adoro ler os seus escritos…

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