Cai ministro. Cai a Zara. Cai até uma ilha. O Brasil passa por uma faxina

O ex-ministro Wagner Rossi é a cara do Coringa (VEJA)

A atual enquete é a mais movimentada do blog, sem dúvida. A enquete foi colocada após a queda do Antonio Palocci – nunca é demais lembrar que ele já havia caído também no governo Lula -, e a questão era quantos ministros mais cairiam até dezembro. No dia 17 caiu o quarto ministro do governo da presidente Dilma Rousseff. Pressionado por denúncias de corrupção e tráfico de influência, o ministro Wagner Rossi (Agricultura) pediu demissão. Foi o quarto ministro da presidente Dilma  a cair. Então, para não perdermos o fio da meada, três foram acusados de enriquecimento ilícito e corrupção – Rossi, Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes). O outro que caiu  foi Nelson Jobim (da Defesa), afastado por criticar as ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). 

A enquete continua aí. Será que outros caem até dezembro?

O que estamos acompanhando é o esforço da presidente Dilma em dedetizar seu governo e moralizar as atividades que envolvem capital, empresários e governo. O Ministério da Justiça e a Polícia Federal estão tendo um trabalho enorme. Na quarta-feira até uma ilha foi arrestada pela Receita Federal. Fraudes com sonegação fiscal envolviam mais de 300 empresas e rombo chega a R$ 1 bilhão.

Ilha do empresário Paulo Sérgio Pinto Cavalcanti

Você acompanhou as notícias e viu que uma ação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal, batizada de Operação Alquimia, prendeu  23 pessoas envolvidas numa megafraude no setor petroquímico calculada em R$ 1 bilhão: A ação, deflagrada em 17 estados e Distrito Federal, visava a cumprir também 129 mandados de busca e apreensão de documentos. Após investigações que começaram em 2002, ficou constatado que mais de 300 empresas estavam envolvidas, muitas delas fantasmas e que faliam sempre que tinham que recolher impostos. Um dos principais suspeitos é o empresário Paulo Sérgio Pinto Cavalcanti, que está foragido. Ele é dono de uma ilha de 20 mil metros quadrados tomada ontem por agentes da PF. No local, foram encontrados 2,5 quilos de ouro. As fraudes eram feitas a partir de empresas do grupo Sasil. A sonegação envolvia laranjas, como uma faxineira de São Paulo.

Na mesma semana a Zara foi acusada de trabalho escravo. A Zara, marca de roupas do grupo espanhol Inditex, foi denunciada pelo Ministério Público do Trabalho por uso de mão de obra escrava em oficinas de costura de São Paulo. O Ministério Público do Trabalho instaurou inquérito civil para apurar denúncia de trabalho escravo em fornecedores da Zara em São Paulo. A fiscalização encontrou uma adolescente e 15 adultos (alguns bolivianos) sem condições adequadas de segurança e higiene, ganhando até R$ 300 por mês. A Zara foi a única responsabilizada.

A despeito da presidente Dilma ter ironizado ontem na TV o termo “faxina” utilizado pela imprensa para explicar as exonerações em seu governo, devemos aplaudir a coragem pelo que está sendo feito. A presidente Dilma recebeu o governo com muitos integrantes que não estão nem aí para ética, honestidade e comprometimento com a nação. É uma turma que só pensa em ficar rica. O que não pode é prender e soltar como se fosse brincadeira. Os presos da Operação Voucher (que envolve principalmente o Ministério do Turismo)  foram soltos logo e em muitos casos houve comoção. Como também é preciso acabar com os discursos sentimentais hipócritas nas saídas de ministros suspeitos de corrupção. Se é para fazer uma faxina e tirar os desonestos de cena então que todos nós levemos a sério, caso contrário vira chacota igual à Lei Seca.

2 pensamentos sobre “Cai ministro. Cai a Zara. Cai até uma ilha. O Brasil passa por uma faxina

  1. Nesse país até presidente caiu, mas tudo continua na mesma. Políticos ladrões, Judiciário moroso e prefeitos e governadores incompetentes.

  2. O problema é a impunidade.
    Esses ladrões, geralmente amigos de políticos poderosos, têm sempre advogados e até juízes à disposição para deixá-los em liberdade, com todos os bens ilicitamente adquiridos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s