Procurador-geral da República pede condenação de acusados do mensalão

Procurador-geral pede a condenação de 36 réus do mensalão

E agora, como ficam o ex-presidente Lula e todos os que negaram a existência do que ficou denominado mensalão?

Quem pede a condenação dos réus não é um opositor ao governo petista, muito pelo contrário. É alguém que há algumas semanas tentou salvar o cargo do notório Antônio Palocci. É alguém ligado ao grupo que está no poder.

Antes, a contra-argumentação tinha como ponto fundamental “uma invenção da mídia que sempre foi contra o presidente operário”.

Passou da hora de intelectuais e artistas, que sempre se posicionavam contra os malfeitos do governo, saírem do silêncio constrangedor e falar também sobre o assunto. É preciso falar senão a corrupção vira coisa corriqueira. A luta contra o regime autoritário e as conquistas que levaram ao retorno do Estado de Direito não podem perder para a corrupção.

Acompanhe essa história que mancha a História do Brasil:

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu no dia 7 de julho (quinta-feira) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação de 36 réus por envolvimento no esquema do mensalão. Somadas, as penas máximas chegariam a 4,7 mil anos de prisão.

Se o caso for julgado procedente e nenhum dos crimes prescrever, o publicitário Marcos Valério de Souza, acusado de operar o esquema, poderá ser condenado a até 527 anos de prisão.

O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), chamado de “chefe da quadrilha”, e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares pegariam até 111 anos.

Mesmo que o STF opte pelas condenações máximas, a legislação limita o cumprimento de pena a 30 anos, além de estabelecer regras para que os condenados diminuam suas penas.

Depois de mais de cinco anos de processo, em que foram realizados diversas perícias e tomadas centenas de depoimentos, o procurador-geral concluiu que ficou comprovada a existência do esquema criminoso, revelado pela Folha de SP e Veja em 2005.

O STF não estabeleceu prazo para o julgamento. O processo do mensalão é um dos mais complexos que a Corte já recebeu.

“Foi engendrado um plano criminoso voltado para a compra de votos dentro do Congresso Nacional. Trata-se da mais grave agressão aos valores democráticos que se possa conceber”, escreveu Gurgel sobre a suposta distribuição de dinheiro em troca de apoio político ao governo do ex-presidente Lula.

Segundo o parecer, o grupo “agiu ininterruptamente” “entre janeiro de 2003 e junho de 2005 e era dividido em núcleos específicos, cada um colaborando com o todo criminoso em busca de uma forma individualizada de contraprestação”.

Marcos Valério é apontado como “líder do núcleo operacional e financeiro” e José Dirceu, como “chefe da quadrilha”, reeditando a expressão usada por Antonio Fernando Souza, antecessor de Roberto Gurgel na Procuradoria, na denúncia.

“Marcos Valério, na condição de líder do núcleo operacional e financeiro, foi juntamente com José Dirceu, pessoa de fundamental importância para o sucesso do esquema ilícito de desvio de recursos públicos protagonizado pelos denunciados”, afirma o documento.

Segundo Gurgel, o esquema tinha por objetivo, “mais do que uma demanda momentânea (…), fortalecer um projeto de poder do PT de longo prazo”.

Sobre Dirceu, ele escreveu: “Partindo de uma visão pragmática, que sempre marcou a sua biografia, José Dirceu resolveu subornar parlamentares federais, tendo como alvos preferenciais dirigentes partidários de agremiações políticas”.

“A força do réu é tão grande que, mesmo depois de recebida acusação por formação de quadrilha e corrupção ativa pelo pleno do STF, delitos graves, ele continua extremamente influente dentro do PT, inclusive ocupando cargos formais de relevo”, concluiu o procurador.

Se o caso for julgado procedente e nenhum dos crimes prescrever, o publicitário Marcos Valério de Souza, acusado de operar o esquema, poderá ser condenado a até 527 anos de prisão.

Mesmo que o STF opte pelas condenações máximas, a legislação limita o cumprimento de pena a 30 anos, além de estabelecer regras para que os condenados diminuam suas penas.

Os réus sempre negaram a existência do esquema.

Gurgel pediu a absolvição de dois réus: o ex-ministro Luiz Gushiken e Antônio Lamas.

Confira abaixo a lista de denunciados ao STF e os crimes cometidos:

  José Dirceu de Oliveira e Silva – Formação de quadrilha- Peculato- Corrupção ativa
 José Genoíno Neto – Formação de quadrilha- Peculato- Corrupção ativa
 Delúbio Soares de Castro – Formação de quadrilha- Peculato- Corrupção ativa
 Sílvio José Pereira – Formação de quadrilha- Peculato- Corrupção ativa
 Marcos Valério Fernandes de Souza – Formação de quadrilha- Falsidade ideológica- Corrupção ativa- Peculato- Lavagem de dinheiro- Evasão de divisas
 Ramon Hollerbach Cardoso – Formação de quadrilha- Corrupção ativa- Peculato- Lavagem de dinheiro- Evasão de divisas
Cristiano de Mello Paz – Corrupção ativa- Peculato- Lavagem de dinheiro- Evasão de divisas
 Rogério Lanza Tolentino – Formação de quadrilha- Corrupção ativa- Peculato- Lavagem de dinheiro- Evasão de divisas
 Simone Reis Lobo de Vasconcelos – Formação de quadrilha- Lavagem de dinheiro- Corrupção ativa- Evasão de divisas
 Geiza Dias dos Santos – Formação de quadrilha- Lavagem de dinheiro- Corrupção ativa- Evasão de divisas
 Kátia Rabello – Formação de quadrilha- Lavagem de dinheiro- Gestão fraudulenta- Evasão de divisas
 José Roberto Salgado – Formação de quadrilha- Lavagem de dinheiro- Gestão fraudulenta- Evasão de divisas
 Vinícius Samarane – Formação de quadrilha- Lavagem de dinheiro- Gestão fraudulenta- Evasão de divisas
 Ayanna Tenório Tôrres de Jesus – Formação de quadrilha- Lavagem de dinheiro- Gestão fraudulenta- Evasão de divisas
 João Paulo Cunha – Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro- Peculato
 Luiz Gushiken – Peculato
 Henrique Pizzolato – Peculato- Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 Pedro da Silva Corrêa de Oliveira Andrade Neto – Formação de quadrilha- Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 José Mohamed Janene – Formação de quadrilha- Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 Pedro Henry Neto – Formação de quadrilha- Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 João Cláudio de Carvalho Genu – Formação de quadrilha- Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 Enivaldo Quadrado – Formação de quadrilha- Lavagem de dinheiro
 Breno Fischberg – Formação de quadrilha- Lavagem de dinheiro
 Carlos Alberto Quaglia – Formação de quadrilha- Lavagem de dinheiro
 Valdemar Costa Neto – Formação de quadrilha- Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 Jacinto de Souza Lamas – Formação de quadrilha- Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 Antônio de Pádua de Souza Lamas – Formação de quadrilha- Lavagem de dinheiro
 Carlos Alberto Rodrigues Pinto (Bispo Rodrigues) – Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 Roberto Jefferson Monteiro Francisco – Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 Emerson Eloy Palmieri – Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 Romeu Ferreira Queiroz – Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 José Rodrigues Borba – Corrupção passiva- Lavagem de dinheiro
 Paulo Roberto Galvão da Rocha – Lavagem de dinheiro
 Anita Leocádia Pereira da Costa – Lavagem de dinheiro
 Luiz Carlos da Silva (Professor Luizinho) – Lavagem de dinheiro
João Magno de Moura – Lavagem de dinheiro
Anderson Adauto Pereira – Corrupção ativa- Lavagem de dinheiro
José Luiz Alves – Lavagem de dinheiro
José Eduardo Cavalcanti de Mendonça (Duda Mendonça) – Lavagem de dinheiro- Evasão de divisas
Zilmar Fernandes Silveira – Lavagem de dinheiro- Evasão de divisas

Mensalão existiu, afirma a PF

Entenda a pré-história do “mensalão”

O caso mensalão – jusBrasil

STF analisa mensalão

10 pensamentos sobre “Procurador-geral da República pede condenação de acusados do mensalão

  1. Se este fosse um país sério, Lula, Rose, os mensaleiros, a turma do PSDB que mensalou antes, todos estariam na cadeia. Mas é um país do faz de conta, da impunidade.

  2. Só não entendo porque os ladrões não estão na cadeia. Não foram condenados pela mais alta corte do país? Aliás, disse bem Renato Russo “Que país é esse?”

  3. PT é um partido que traiu todos que têm consciência. Tem mais a ver é o Partido Alemão dos Trabalhadores, que depois, em 1921, Hitler refundou e acrescentou ao nome a expressão Nacional-Socialista, de onde tirou-se a corruptela nazista. Tudo a ver!

  4. Tem processar esses mensaleiros mesmo, e mais: é um dever da nação colocá-los na prisão. Roubam dinheiro público e acham que estão fazendo o bem?

  5. Esse país precisa ser passado a limpo, cara. A impunidade faz com que criminosos de trânsito, corruptos da política, assaltantes de banco e traficantes fiquem sempre livres. O problema maior é o Judiciário. A polícia prende, advogados, juízes, desembargadores e ministros do Supremo soltam. Falta mesmo é vergonha na cara dessas pessoas.

  6. O problema do Brasil é a impunidade.
    Essa turma vai ficar numa boa, ninguém vai para a prisão. Alguns até vão dar palestras sobre o melhor método de ganhar dinheiro sem fazer esforço.
    Chega de impunidade!

  7. Pingback: big brown « falandonalata1

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s