A vingança na “Neo-Idade Média”: Obama mata Osama

Os Estados Unidos são mesmo um país de contradições. Governo e povo demonstram orgulho pelo cumprimento das leis que tem como base uma Constituição escrita e respeitada há 224 anos, na qual os direitos humanos são sagrados. Ao mesmo tempo, os mesmos povo e governo se regojizam por invadir países e destroçar nações. Torturam (criaram até uma prisão-tortura em Guantánamo) e assassinam, tendo a dócil mídia a anunciar que os EUA estão fazendo justiça. Mandam e desmandam no mundo usando todas as armas, desde mentiras (muito utilizadas sob as bênçãos da imprensa norte-americana e de suas repetidoras de outros países na invasão do Iraque, por exemplo) a aviões invisíveis para radares.
 A última foi festejar a morte do que os estadunidenses consideravam o depositário de todas as maldades possíveis e por isso mesmo um terrorista, o terrorista Usāmah Bin Muhammad bin ‘Awæd bin Lādin, mais conhecido como Osama bin Laden. A operação, sigilosa, foi executada na noite de domingo, 1º de maio (madrugada de segunda no horário afegão) por um comando especializado da Marinha dos EUA, na cidade de Abbotabad, próximo a Islamabad, capital paquistanesa. A TV americana ABC imediatamente mostrou imagens da risível “fortaleza”.
Capturado desarmado, o inimigo número 1 da América – como a mídia gosta de escrever e falar – teria recebido tanto tiro que o presidente dos EUA, o primeiro negro a alcançar esse cargo, achou por bem não apresentar as fotos do cadáver. Quer dizer, depois de metralhar o terrorista desarmado e à frente de alguns dos seus familiares, os representantes da nação mais importante do planeta tiveram um surto de piedade cristã e resolveram lavar o cadáver moído de tiros, enrolá-lo num pano branco – para respeitar a religião do morto – e atirá-lo ao mar. Aí, nesse ponto, a piedade cristã voltou a ceder lugar à racionalidade absoluta: jogar ao mar teria o propósito de evitar romarias de simpatizantes ao túmulo do terrorista.
Que história, Obama!

Não é demais lembrar que o presidente – que já lançou sua campanha à reeleição em 2012 -, andava derrapando nas pesquisas.
Em poucas horas foi feito exame de DNA e constatou-se a partir de amostra de sangue de uma irmã de Bin Laden que o cadáver era mesmo do sujeito que planejara e ordenara a destruição das Duas Torres, um dos símbolos da riqueza norte-americana, causando a morte de 3 mil pessoas.
Contada de uma maneira que beira às historinhas da carochinha, o assassinato de Bin Laden multiplicou-se em farto material em publicações ditas “sérias”, em várias sobrenaturais, em quase todas de mensagens subliminares e em infinitas de comédias.
Logo, logo aparece algum Stallone e produz, dirige e atua em um filme sobre a morte do “coisa ruim”.
Michael Kepp, cidadão norte-americano, não gostou dos festejos e escreveu artigo Os que aplaudiram a morte desse inimigo teriam tido outra conduta se lembrassem das lições de Nuremberg”.

Um dos principais jogadores do Pittsburgh Steelers, o running back Rashard Mendenhall perdeu um de seus patrocinadores após fazer comentários sobre a morte de Osama Bin Laden em seu Twitter.
 
Enquanto Obama fazia seu pronunciamento, dezenas de norte-americanos cercaram a Casa Branca comemorando a morte do terrorista. Também houve comemoração no Marco Zero, local dos atentados em Nova York, e em outros pontos do país.
A notícia apagou dos jornais, revistas, sites, blogs, emissoras de TV e rádio o horror praticado pelos soldados norte-americanos contra civis afegãos, denunciado pelo jornal alemão Der Spiegel. Os soldados no Afeganistão fazem o que seus colegas se divertiram fazendo no Iraque.
Bobo, o primeiro presidente negro norte-americano já demonstrou que não é. Agora que retomou o controle, sugeriu ontem que os atuais ditadores de países do Oriente Médio devem entregar seus governos ou serão destituídos e que Israel deve negociar com os palestinos baseando-se nas suas linhas territoriais de antes da Guerra dos 6 Dias.  Não há dúvida sobre quem manda no planeta.
A fase atual no planeta Terra é exatamente como escreveu o crítico de cinema André Setaro em seu Twitter:
“Beatificamos um papa, casamos um príncipe, fizemos uma cruzada e matamos um mouro. Bem-vindos à Idade Média !”

Um pensamento sobre “A vingança na “Neo-Idade Média”: Obama mata Osama

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s