O Grande Catega e a resposta às críticas

Florisvaldo Mattos, o Grande Catega, brinda o público deste blog, e em particular ao blogueiro, com um texto requintado e carinhoso na contestação à crítica ácida. Eu não poderia deixar de publicar este texto, que traz com educadas explicações do professor, jornalista, conhecedor e admirador do mais puro futebol brasileiro e de obras literárias, ele mesmo um literato de respeito:

 

Florisvaldo Mattos, quando foi homenageado com o Título de Cidadão de Salvador, em 2009

 

Caro José Bomfim, Grande Catega:
Saudações cordiais, jamais tingidas por borrifos de ressentimento.
Só em meados da semana passada, graças à gentileza de amiga de uma filha minha, vim a conhecer o teor de comentário seu sobre minha saída de A Tarde – o meu “pedido de boné”, como você define -, veiculado pelo blog do Bocão, mas, por não frequentar esses mecanismos virtuais, desejando responder a sua oportuna apreciação, vi-me impedido, por não dispor de seu e-mail. Hoje consegui, afinal, por meio de outra gentileza. Apesar da acidez recoberta por uma pátina de ironia, não posso dizer que seu comentário seja de todo injusto, tampouco cruel. Faltou-lhe certo sopro de realismo em matéria de informação quanto ao suceder dos fatos. Realmente, demorei a pedir o boné, mas pelos sete anos (não uma década) no desempenho de um cargo presumivelmente de comando, pode-se dizer que apenas nos últimos dois a três anos a paisagem interna de A Tarde se tornou ironicamente mais crepuscular (valha o trocadilho), senão mais ensombrecida, de boquinha da noite. E tudo por culpa do modelo de gestão, sob a forma de triunvirato, em que se conjugam, apesar do empenho e vontade de acertar, a inexperiência e a falta de vocação empresarial. E na proa desse grande barco não há leme que possa segurar qualquer paixão pelo jornalismo impresso, tampouco cartografia salvadora que ajude. Dê-se a esse capitão de precário curso o nome de redator-chefe, editor-chefe ou diretor de Redação, o barco adernará à mínima tempestade.  Mas desejo que A Tarde avance em mar de almirante, em cenário idílico de arrojado Simbad, o Marujo, a vencer procelas. Para usar da retórica futebolística do ex-presidente Lula, reconheço que seu chute, embora inspirado e potente, apenas raspou a trave, causando repentino susto.  Servi a A Tarde por 21 anos com dedicação, seriedade, despojamento, lealdade e profissionalismo, que até vejo como pressupostos em face da responsabilidade assumida, e me considero muito honrado dessa etapa da vida. Como vê, não tenho como de todo equivocado seu comentário, mas gostaria de corrigir a parte em que me confere o epônimo de Rainha da Inglaterra, na personificação de meu exercício na condição de editor-chefe. Sentiria melhor ver-me repetindo o gesto do Rei Demétrio 1º da Macedônia, retratado num poema famoso de Konstantinos Kaváfis, poeta grego de Alexandria (1863-1933), que reproduzo abaixo para seu deleite, em tradução do paulista José Paulo Paes.

           

O REI DEMÉTRIO
 Ao ser deixado pelos macedônios,
os quais mostraram preferir a Pirro,
o rei Demétrio (que a alma tinha
grande) de modo algum – assim disseram –
como rei comportou-se. Foi tirar
as vestimentas de ouro, jogou longe
os calçados de púrpura e, envergando
roupas simples, partiu logo em seguida.
Portou-se exatamente como o ator
Que, uma vez o espetáculo acabado,
troca de roupa e vai-se logo embora.
 
Embora eu pouco explique nesta comunicação, saiba que foi bom reencontrá-lo, mesmo em texto repassado de ácida ironia, e dar curso a este diálogo…
Vai um grande abraço do ex-professor, ex-colega e, para rimar, Velho Catega.
Florisvaldo

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