É muito poder!

Fatos recentes só vêm comprovar e ratificar que algumas autoridades têm muito poder. Mas tanto poder que agem como um deus. Na semana passada o blog relembrou o episódio do presidente do Superior Tribunal de Justiça que humilhou um estagiário (O dia em que o presidente do Superior Tribunal de Justiça humilhou o estagiário). Em seguida, vimos outros absurdos.

No Rio de Janeiro, uma procuradora do Trabalho atropelou uma mulher (ironicamente uma empregada doméstica) e demonstrando estado de embriaguez fez cenas ridículas, tanto na rua quanto na delegacia, para onde foi levada. Ser levada para a delegacia nada representou. Nem depoimento ela deu. A lei lhe confere ser ouvida só a partir de uma ação do Ministério Público. Saiu cambaleante da delegacia, gargalhando, com sua garrafa de vinho na sacola, como se estivesse saindo de um shopping. Procuradora do Trabalho… É muito poder para uma pessoa só!
Em Salvador, dois bandidos assaltaram um ônibus (quase uma rotina nessa cidade ausente de prefeito e na qual o governo estadual pouco atua para se beneficiar politicamente do triste fim de Policarpo – oops! João Henrique).

Alessandro (à esq.), o Avatar, aterrorizou as vítimas e Luan saqueou o ônibus (Erik Salles/Agência A TARDE)

Um deles desceu, depois de obrigar o motorista a mudar o roteiro do coletivo, próximo ao bairro da Santa Cruz. O outro prosseguiu viagem e no Rio Vermelho, ao saltar, trocou tiros com a polícia. Correu, entrou numa loja de corte e costura, fez as duas mulheres, que estavam no local, de reféns. Só depois de muita presepada, se entregou à polícia, que foi à Santa Cruz e prendeu o outro bandido. O fato demonstra que a polícia age, faz o trabalho dela, mas aí entra o tal do Judiciário. Descobriu-se depois que os dois bandidos há menos de um ano sequestraram um ônibus e só entregaram depois que as famílias de ambos apareceram na cena do crime e pediram que se rendessem. Deveriam estar na cadeia, claro. Mas foram logo soltos para voltarem a fazer o que sabem: assaltar. Quanto ao Judiciário, nem se sabe o nome do juiz que aceitou o pedido do advogado e os mandou libertar.
O fato mais recente de demonstração de muito poder nas mãos de uma pessoa só é o caso, que já virou piada nas ruas, da proibição das lanchas. O juiz Ruy Brito, surpreendentemente, depois de quatro anos da entrada de uma ação da fantasmagórica associação de consumidores da Bahia, concluiu que o transporte de lanchas para Mar Grande é perigoso. Mas logo agora que a TWB, empresa que explora o serviço de ferry-boat está na marca do pênalti, com acusações e cobranças diárias? Muito estranho!
 TV Bahia – episódio da proibição das lanchas
Mais estranho ainda é que a TV Bahia tentou falar com a tal associação de consumidores e não encontrou ninguém na sede e só dois dias depois alguém que se disse presidente justificou que havia fotografias e reportagens sobre o perigo representado pelas lanchas. O mesmo argumento do juiz. Trabalhadores, aposentados e estudantes que precisam desse meio de transporte se queixaram, reclamaram, foram entrevistados e demonstraram surpresa. A Marinha, a Agerba também demonstraram surpresa e afiançaram que o transporte de lanchas segue o padrão da normalidade. Vendo no que deu sua decisão, o juiz titubeou e ontem já deu entrevista dizendo que o que decidiu não é uma decisão final (sic!) e o argumento será analisado pelo Tribunal de Justiça da Bahia. Enquanto isso, as lanchas seguem fazendo o transporte normalmente. Inacreditável tudo isso? É muito poder!
E poderia lembrar outros, a começar da decisão de acabar com as barracas de praia de Salvador. Chegou um momento em que nem prefeito, governador, presidente da República, ninguém podia fazer nada. A decisão estava nas mãos de um juiz federal, lembra-se?
Pois é, para repensar essa situação devemos começar por alterar denominações. A imprensa – tanto os mais preparados cultural e politicamente – quanto aqueles que não têm ideia de como funciona o sistema, apenas faz o que mandam, deve deixar de falar em Justiça quando significa Poder Judiciário. Chame de Judiciário. E dê o nome do juiz, da juíza, enfim do responsável pela decisão.
E o mais importante: cada um deveria cobrar do parlamentar que elegeu que trabalhe sério no que deveria ser sua função primordial. O parlamentar é eleito para fazer leis, fiscalizar o cumprimento das leis. Se os códigos civil, penal, têm tantas brechas é porque o Poder Legislativo permite.

Um pensamento sobre “É muito poder!

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