A Oi/Telemar e o silêncio das autoridades

Incêndio no prédio da Oi em Salvador teve início na manhã desta terça-feira (21). À noite, o Corpo de Bombeiros ainda não havia debelado as chamas. (Foto: Edson Ruiz / A Tarde / Ag. O Globo)

Desde os primeiros momentos de divulgação do incêndio no prédio da Oi/Telemar no Itaigara  fiquei à espera de pronunciamento de alguma autoridade. Governador, prefeito, vá lá algum parlamentar, secretário. Nada, silêncio total, apesar do incêndio ter causado tremendo prejuízo, em pleno período natalino e de preparação do Ano-Novo. No comércio, cartões não puderam ser acessados para pagar compras. Só hoje, 28, uma semana depois do incêndio, as mais de 80% das casas lotéricas que paralisaram seus trabalhos em consequência da falta de acesso ao banco de dados da Caixa, voltaram a funcionar. Até hoje, milhares de telefones celulares e fixos não funcionam. Uma confusão como nunca houvera nas telecomunicações. E não só na Bahia. O problema foi estendido aos estados de Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Piauí e Maranhão.
E nenhuma autoridade abriu a boca!
Maliciosamente, depois de quatro dias de o fogo queimar parte das instalações da campeã de reclamações no Procon (sim, a Oi é a que tem dado mais trabalho aos consumidores, há muito tempo!), comecei a relacionar o silêncio das autoridades ao fato da Oi/Telemar ser uma das empresas que mais derramam dinheiro nas campanhas políticas.
Hoje, a Folha de SP traz uma reportagem sobre o enriquecimento rápido, coisa de oito anos, de dois filhos do presidente Lula. O Lulinha já fora alvo de reportagens nesse período, mas agora o assunto ganha cores vivas com esse silêncio incomum.
Leia aí abaixo a reportagem da Folha.
Continuamos aguardando alguma palavra de representantes dos governos estaduais, municipais e dos lépidos (quando se trata de aumentar o próprio salário) parlamentares.
Folha de SP
28/12/2010 – 09h28
Filhos de Lula são sócios em 2 holdings
Por:
José Ernesto Credendio (de Brasília)
Andreza Matais (em São Paulo)
Dois dos filhos do presidente Lula, Fábio Luís e Luís Cláudio, abriram em 16 de agosto deste ano duas holdings — sociedades criadas para administrar grupos de empresas –, a LLCS Participações e a LLF Participações.
Ao final de oito anos de mandato do pai, Lulinha e Luís Cláudio figuram como sócios em seis empresas.
A Folha constatou, porém, que apenas uma delas, a Gamecorp, tem sede própria e corpo de funcionários.
Seu faturamento em 2009 foi de R$ 11,8 milhões, e seu capital registrado é de R$ 5,2 milhões. Ela tem como sócia a empresa de telefonia Oi, que controla 35%.
As demais cinco empresas não funcionam nos endereços informados pelos filhos de Lula à Junta Comercial de São Paulo. São, por assim dizer, empreendimentos que ainda não saíram do papel.
As seis empresas dos filhos de Lula atuam ou se preparam para atuar nos ramos de entretenimento, tecnologia da informação e promoção de eventos esportivos.
São segmentos em alta na economia, que ganharam impulso do governo federal — Lula, por exemplo, foi padrinho das candidaturas vitoriosas do Brasil para organizar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.
SÓCIOS
Na maioria desses negócios, Lulinha e Luís Cláudio têm como sócios pessoas próximas de Lula.
Um dos mais novos empreendimentos da dupla, a holding LLCS, por exemplo, foi registrada no endereço da empresa Bilmaker 600, na qual os dois não têm participação societária.
A Bilmaker tem como controlador o engenheiro Glaucos da Costamarques, 70, que é primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do presidente Lula.
Os outros sócios da Bilmaker, Otavio Ramos e Fabio Tsukamoto, são sócios de Luís Cláudio, filho do presidente, na ZLT 500, empresa de produção e promoção de eventos esportivos.
Assim como a holding, a ZLT também só existe no papel. Está registrada num endereço no Morumbi onde há só uma casa abandonada.
Criada em julho, a ZLT tem ainda como sócio José Antonio Fragoas Zuffo, empresário da região do ABC.
Sócio na Bilmaker e na ZLT, Otávio Ramos disse à Folha que não sabia que os filhos de Lula haviam registrado uma empresa na sede da Bilmaker.
“Isso me preocupa. Vou ligar para eles. Não sabia nem da existência dessa holding. Não sei nem do que se trata nem quero saber”, disse.
Ramos afirmou que a empresa não faz negócios com o governo para não gerar especulações. “Somos amigos deles e já iriam ver maldade.” A Bilmaker, disse, é uma empresa de exportação e importação de “qualquer coisa”.
A outra holding criada pelos filhos de Lula neste ano, a LLF, foi registrada no prédio da PlayTV, emissora de jogos on-line.
Os programas da PlayTV só são veiculados na Sky, que distribui o canal como cortesia, e pela OiTV. A PlayTV é controlada pela Gamecorp, o maior dos empreendimentos de Lulinha.
A Folha acompanhou um dia de programação e não viu anúncios publicitários.
Inaugurada em dezembro de 2004, a Gamecorp recebeu injeção de R$ 5 milhões da telefônica Telemar (hoje Oi), num negócio investigado pela Polícia Federal há três anos –sem resultados.
Quando se soube em 2006 que a Oi, então Telemar, havia se associado à Gamecorp, o presidente Lula disse à Folha que seu filho era o “Ronaldinho” dos negócios.
“Eles fizeram um negócio que deu certo. Deu tão certo que até muita gente ficou com inveja”, afirmou. No final de 2009, a empresa tinha capital negativo.
G4
Meses antes de a Gamecorp ser constituída, Fábio Luís se tornou sócio da G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, tendo como parceiros filhos de um velho amigo de Lula, Jacó Bittar, fundador do PT e ex-prefeito de Campinas, hoje no PSB.
Foi por meio da G4 que Lulinha virou sócio de outra empresa, a BR4 Participações, criada em 2004, e que, três anos depois, ganhou como sócio Jonas Leite Filho, sobrinho do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB).
Jonas Leite é conhecido pelo projeto que criou a versão da Bíblia lida pelo apresentador Cid Moreira, da TV Globo, um sucesso de vendas. A BR4 é, por sua vez, acionista da Gamecorp.
OUTRO LADO
Lulinha disse à Folha que sua evolução patrimonial nos últimos oito anos está de acordo com suas atividades profissionais e com seus ganhos.
O mesmo afirmou o seu irmão Luís Cláudio. “É público e notório: trabalho com futebol e tive o retorno compatível com a minha atividade profissional em grandes clubes do país, como São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos”, afirmou.
Luís Cláudio disse que a LLCS foi registrada no endereço de outra empresa porque o negócio está no início.
“Ainda estou procurando um local definitivo para a sede. Por ora, ela possui apenas um endereço de referência, que poderá se tornar definitivo caso eu consiga locar uma sala da Bilmaker, gerida por grandes amigos meus.”
Com relação à outra holding inaugurada pelos dois em agosto deste ano, a LLF, Luís Cláudio disse que caberia ao irmão responder, o que não foi feito.
Sobre outra empresa criada no papel, a ZLT 500 Sports, Luís Cláudio disse que ela “irá atuar também no ramo esportivo, mais especificamente, na área de gestão de eventos esportivos”.

2 pensamentos sobre “A Oi/Telemar e o silêncio das autoridades

  1. Só hoje estou comentando porque só hoje estou conseguindo acessar a internet de casa. Mesmo assim porque uma vizinha me emprestou o modem. E olha que o meu telefone não está entre os prefixos “oficialemnte afetados”. É impressionante o descaso da Oi com seus consumidores, ou quase ex. Depois de passar o Natal sem celular, fixo e internet, fui buscar o tal kit de emergência. Perdi uma manhã pra fazer isso e saí e lá com um telefone e um modem que não funcionam. O móvel que substitui o fixo funcionou um dia e tá mudo desde ontem e o modem não era pra nossa região, parece… Por que ainda não mudei de operadora? Porque não tem GVT pra minha rua e tenho que ver como funcionam as outras. Mas penso que se a Oi se acha tão poderosa que não colocou nem uma nota oficial dando uma satisfação aos clientes, mais cedo ou mais tarde vai pagar bem caro por isso. No andar da carruagem, bem mais cedo…

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