A Fera que trouxe o amor

Fera em 2002

Há dez anos, num final de tarde de verão, fui apresentado a ela. Não era ainda Fera, ganhou a doce denominação pouco depois. Não lhe dei nenhuma atenção, traumatizado que era com cachorros. Na infância, fui perseguido por um vira-latas, que conseguiu correr mais que eu e aplicar uma dentada que me rasgou a calça, ferimento quase nenhum, mas ficou o trauma.

Bomfim e Fera em 2006

Trauma que Fera me ensinou a superar, anos depois. Aquela boxer que amedrontava quem não a conhecia, pela aparência feroz, era um ser doce e carinhoso. Ficava facilmente alegre, abanava o toquinho de rabo e emitia um som de zanga e dengo, o que tornava impossível não abraçá-la imediatamente. E a recíproca também era imediata.

Zig em 2006

Zig, o doberman, veio depois e por ter chegado um bebezinho e visto Fera adulta, mesmo depois de ter crescido a ponto de comparativamente ser o dobro dela, a respeitava tanto que não reagia quando Fera se zangava com ciúme dos carinhos dos humanos ao Zig e o atacava. Parado, ele esperava ela se convencer de que os carinhos eram só para ela.
Os dogs, como eu gostava de chamá-los, deram uma lição nesse blogueiro que, a exemplo da maioria dos humanos, via os animais como alguma coisa estúpida.
Carinho, paciência, amor. Fera e Zig muito me ensinaram.

Fera e o brilho dos olhos no escuro

Eu ia ao escritório escrever no computador e ambos me acompanhavam, assanhados, como se fôssemos dar um passeio. Algumas vezes os dois cismavam de também digitar. Não queriam simplesmente ficar olhando. Ótimo, por que não? Cachorros no cyberespaço! Digitavam durante dois minutos demonstravam alegria e depois ficavam deitados, tranqüilos, ressonando, enquanto eu escrevia. Final de atividade, e eles subiam comigo. Felizes. Hora do biscoito para o biludo e do outro biscoito para a biludinha. Brincadeira lúdica que parecia encher de felicidade todos nós.
Mas eis que aparece a estraga-prazer. A Sra. Morte. E assim Fera virou um corpo inerte na quarta-feira, 22 de dezembro.
E fica aquela tristeza, uma estranha tristeza, sei que muitos dirão que é bobagem e até acharão graça, mas é porque não imaginam o quão diferente é o relacionamento sincero entre humanos e animais.
Leio que seres humanos domesticaram os cães a partir do lobo asiático há pelo menos 15 mil anos. Os animais foram selecionados para apresentar cores, tamanhos, formas e comportamentos que interessavam ao ser humano – cães adaptados à caça, pastoreio ou companhia, por exemplo. Vendo o grande número de cães abandonados nas ruas, doentes, esfomeados, concluo que os seres humanos avançaram muito pouco na integração social com os animais. E a morte está longe de perder o seu domínio.

9 pensamentos sobre “A Fera que trouxe o amor

  1. Pingback: Mimiminho foi embora, mas deixou uma trilha de amor para os humanos | Blog do Brown

  2. Eu tambem sentir muito a perda de Fera. Mas como Espírita sei q ela está num plano superior que aque ela cumpriu a sua missão. La existe o lar dos animais desencarnados que são tão bem recebidos. E agora em um plano espíritual. Com certeza ela ta bem e vai evoluindo cada vez mais.

    • Leia o Livro Animais Nossos Irmãos.Ele essina e ajuda superar a perda desses animais tão carinhosos e amigos de verdade. Vamos ajudar agora Zig a seguir a caminhada dele.

  3. Grande Zeca, só hoje vi a matéria sobre Fera e Zig. Lamento a perda. Linda sua homenagem. Senti muito certa feita quand Dilly, um vila-lata preto, extremamente carinhoso e atencioso a que me apeguei morreu em 2004. Era de uma namorada minha à época. Por isso sei o quanto deve ter sido triste. Grande abraço.

    • Patrição, até hoje sinto muita falta de Fera. Ela me ensinou muito. A Fera ensinando um humano, a mais pura verdade. Abraços

  4. Lindos os animais, bela e sensível a matéria. Também perdemos uma “Fera” no ano passado. Fera de batismo, uma fila linda… uma fera mansa e doce…

  5. A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem.” (Arthur Schopenhauer). Essa frase, já diz o quanto é solidário com os animais,e também, um homem cuja a sensibilidade, se faz presente na sua vida,nota 10 pela matéria, abraços, Silvana.

  6. meu bem, vida e morte, não temos como fugir nem de uma, nem de outra. Lindo ver vc com Fera nas fotos. E ainda Zig… que bonita sua homenagem, Bombom! Beijos, meu amor

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