Israel deporta ativistas após reação mundial

Ativista mostra mensagem de ‘libertem Gaza’ ao ser retirado da prisão israelense de Beersheva nesta quarta-feira. (Foto: AP)

Por Jeffrey Heller
JERUSALÉM (Reuters) – Israel pretende completar nesta quarta-feira a deportação de todos os ativistas detidos na abordagem a uma frota que pretendia levar mantimentos à Faixa de Gaza, e reiterou sua intenção de conter qualquer outra embarcação que tente furar o bloqueio à região.
Em meio ao ultraje internacional pela morte de nove ativistas no incidente marítimo, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, visitou soldados envolvidos na ação e disse a eles: “Vim em nome do governo israelense dizer obrigado.”
Israel alega que seus soldados agiram em legítima defesa, por terem sido agredidos com canos e facas pelos ativistas quando desciam de helicóptero no navio turco Mavi Marmara, na madrugada de segunda-feira.
A frota de ativistas tentava furar o bloqueio que Israel impõe aos 1,5 milhão de habitantes da Faixa de Gaza, o que é uma forma de pressão contra o governo do grupo islâmico Hamas.
Israel inicialmente ameaçou processar alguns ativistas, mas depois anunciou a expulsão de todos os 682 ativistas de mais de 35 países, que estavam a bordo dos seis navios da frota.
Até as 12h de quarta-feira (hora local; 6h em Brasília), cerca de 200 ativistas tinham sido transferidos de um centro de detenção para o aeroporto Ben-Gurion, nos arredores de Tel Aviv, segundo um porta-voz carcerário. Outros 123 foram levados por terra para a Jordânia.
Os ativistas restantes devem ser liberados ao longo do dia, segundo esse porta-voz. Todos são mantidos incomunicáveis pelas autoridades israelenses.
Apesar de analistas terem apontado falhas táticas na operação, Barak elogiou a atuação dos soldados sob circunstâncias tão complicadas.
Com aval dos EUA, o Conselho de Segurança da ONU pediu uma investigação imparcial das mortes na frota humanitária, cujas embarcações e ativistas eram majoritariamente turcos.
Especula-se em Israel que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu irá nomear uma comissão judicial para determinar se os militares erraram ao não levarem em conta a resistência que os ativistas ofereceriam no Mavi Marmara.
Israel afirma ter libertado todos os ativistas do barco de ajuda a Gaza
Militantes já deixaram a prisão israelense de Beersheva.
Eles serão deportados para seus países de origem.

Manifestantes aguardam chegada de ativistas sírios em Daraa, próximo à fronteira com a Jordânia. (Foto: AP)

Prepotência inaceitável de Israel
Plínio Arruda Sampaio
Novamente o governo de Israel dá uma demonstração de prepotência e desrespeito aos direitos humanos. E a vitima dessa violência não são apenas o Estado palestino e o povo de Gaza. Todos nós somos atingidos porque o ato criminoso afeta seriamente um direito que é de todos: o direito internacional.
O bombardeio do navio que levava alimentos e remédios para a população palestina sitiada na faixa de Gaza constitui uma violência que não pode deixar de receber a mais veemente repulsa da opinião pública mundial. Sem essa pressão, dificilmente a ONU conseguirá vencer a resistência dos Estados Unidos contra qualquer tipo de sanção ao seu aliado no Oriente Médio.
São tantas as violações do direito internacional cometidas pelo governo de Israel que corremos o risco de torná-las “acontecimentos banais”, aceitas como algo irremediável. Precisamos reagir contra essa tendência. Cada violação precisa ser repudiada com a mesma veemência da primeira e cada vez mais precisamos encontrar formas mais eficazes para combatê-las.
Nós, aqui no Brasil, precisaríamos pressionar o governo brasileiro para suspender as relações diplomáticas com o Estado de Israel até que a comunidade internacional imponha sanções efetivas ao governo desse país.
O meio de realizar essa pressão é o de sempre: o abaixo-assinado e a mobilização social. Estou levando a proposta à bancada federal do PSOL, a fim de que ela tome a iniciativa de provocar o Congresso e o Executivo. Mas não deve ser uma iniciativa partidária somente. Nossa bancada terá a delicadeza de não disputar nenhum hegemonismo no esforço que deve ser comum. Todos os partidos estão convocados.
Outra iniciativa importante é o boicote de produtos de Israel. Nos Estados Unidos, esse tipo de protesto costuma ser muito utilizado por demonstrar muita eficácia.
Outras possibilidades podem ser aventadas. Não podemos descartar nenhuma delas. O que não podemos é limitar-nos a um protesto formal cujo pouco efeito conhecemos.

Alguns dos ativistas retornando para seus países

Um pensamento sobre “Israel deporta ativistas após reação mundial

  1. O mais importante é que haja uma investigação imparcial e que mais uma vez a violência imposta pelo governo Israelita, não passe em branco. A arrogância do governo de Israel é do tamanho de sua impunidade em seus atos de violência.

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