Lula, Sarney e o país de castas

Lula e Sarney: da Ásia, o presidente defende o antigo inimigo que, de “grande ladrão”, passou a incomum

Na tribuna do Senado, Sarney diz que é injustiçado e que falta respeito à sua história

Na tribuna do Senado, Sarney diz que é injustiçado e que falta respeito à sua história

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou na quarta-feira (17 de junho) a sequência de denúncias no Senado e saiu em defesa do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que discursou na terça no plenário do Congresso Nacional.
“Não li a reportagem do presidente Sarney, mas penso que ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”, disse. “Elas [denúncias] não têm fim e depois não acontece nada.”
Igual a tantos brasileiros, que não sabiam que o País estavam dividido em castas, disse o padre Carlos – escreve para o site da CEBS – Comunidades Eclesiais de Base no República Vermelha:
Igual a tantos brasileiros, que não sabiam que o País estava dividido em castas, disse o padre Carlos – escreve para o site da CEBS – Comunidades Eclesiais de Base – no República Vermelha:
“Se Sarney não pode ser tratado como uma pessoa comum, quem são, então, as pessoas comuns? Pessoas comuns são aquelas que são dignas, honestas, que lutam para sobreviver, tirando do seu trabalho o pão suado de cada dia. Pessoas que não ganham a vida nem do conto, nem da politicagem e, muito menos, da mentira ou da corrupção. Pessoas que, em lugar de castelos, moram em barracos ou simplesmente debaixo dos viadutos, sem proteção e sem expectativa de melhores condições num futuro próximo ou remoto. Pessoas que – como o próprio Presidente Lula, quando era metalúrgico e pessoa comum –, por não contarem com nenhum esquema de mordomias, saem de casa na madrugada e retornam, em muitos casos, depois da meia noite para receber, no final do mês, um salário de miséria. Pessoas que, na luta árdua para conquistar a terra, direito de todos os que nela trabalham, perseveram e enfrentam o latifúndio, a falta de vontade política e a incompetência dos governantes. Pessoas que mesmo pobres e excluídas ainda se organizam em movimentos, associações, fóruns, comitês etc., e promovem criativamente uma economia solidária de geração de renda, suprindo vergonhosamente a função do Estado que desvia ou se mostra incapaz de administrar socialmente os recursos da nação”.
A seguir, um pouco do Sarney atual
Sarney se defende, anuncia medidas velhas, não anula atos secretos nem afasta diretores da Casa
terça-feira, 16 de junho de 2009 | 17:33
Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online
Sem anunciar punições ou a nulidade dos atos secretos editados no Senado nos últimos 14 anos, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta terça-feira que todos os 81 senadores são responsáveis pelas medidas aprovadas na instituição – sejam elas sigilosas ou não. Sarney disse que seria uma “injustiça” ser apontado como responsável pelos atos secretos uma vez que o colegiado da Casa avaliza decisões tomadas pela Mesa Diretora da instituição.
“Todos nós somos responsáveis. Nós aprovamos aqui os atos da Mesa. O Senado no seu conjunto aprovou os atos da Mesa. Temos que corrigir o que está errado. Eu estarei pronto para cumprir tudo o que o Senado decidir. Vou levar em frente, doa a quem doer”, afirmou.
Ao discursar no plenário do Senado, Sarney fez um histórico da sua biografia política e cobrou mais respeito da mídia e da sociedade em geral pelas acusações que vem enfrentando desde que assumiu o comando da Casa.
Sarney usa ato secreto para criar cargo para sobrinha
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E não é de hoje:

Veja - maracutaia de Sarney - 140586

E se você pensa que o Sarney só apronta em Brasília, veja a reportagem do Estadão sobre a situação no Maranhão, dominado pelo clã Sarneysiano há décadas?
OS SARNEYS E O CHARME DA MISÉRIA – 2
Sob o título acima, o Estadão de 12/01/2002, pg.A2, publica o excelente artigo do escritor e jornalista Mauro Chaves, de onde pinçamos os seguintes pontos:
– O Maranhão é o e estado brasileiro com a mais calamitosa situação social;
– Desde 1985, apresenta o pior PIB per capita do país;
– 62,4% da população vive com menos de R$80,00/mês, abaixo da linha de miséria (FGV);
– Nos dois mandatos da Roseana Sarney, o quadro piorou (IBGE), pois aumentou em 37%, o número de famílias que vivem com meio salário mínimo, enquanto no resto do país houve uma redução de 22%;
– Ainda, segundo o IBGE, durante o governo de Roseana, houve um aumento da mortalidade infantil, da evasão escolar;
– De acordo com o IDH-Índice de Desenvolvimento Humano – ONU, o Maranhão está no mesmo patamar de miséria de países como Gana e Congo, e 39,8% das casas não tem banheiro ou sanitário;
Apesar do calamitoso quadro acima, a Roseana Sarney quer se candidatar a Presidente da República, e apresenta altos índices de popularidade nas pesquisas eleitorais. O próprio jornalista explica o porque disso:
– O Maranhão, desde 1965, vem sendo administrado pelos Sarney’s et caterva, primeiro com o próprio Gov. José Sarney, seguido sucedido por seus correligionários, João Castelo, Oswaldo Nunes Freyre, Luiz Rocha, Epitácio
Cafeteira, João Alberto, Édison Lobão e a Roseana. Note-se que neste período Sarney foi presidente da República.
– O maior jornal do estado, O Estado do Maranhão, bem como o principal sistema estadual de rádio e televisão, o Sistema Mirante e o Mirante Sat, repetidores do sinal da Globo pertencem à família Sarney;
– Os outros sistemas de difusão, como a Difusora (SBT), a TV Praia Grande (Bandeirantes) pertencem a amigos e aliados dos Sarneys;
– Esse integradíssimo sistema de jornais, rádio e TV, recebem o quase total das verbas estatais de publicidade, e alardeiam sem parar, qualquer sucesso da administração, e abafam de modo igualmente intenso, os insucessos e as
falcatruas, as maracutaias;
– Mantém o povo num eterno clima de festa, dentro da velha prática de “panen et circenses”, ou melhor “cachaçorum et circenses”;
– Dentre os muitos escândalos e desmandos administrativos, não noticiados
pela brutal mordaça comunicóloga acima mencionada, pode-se citar o Pólo de Confecções de Rosário, um investimento US$ 20 MM, destinado a gerar 4.000 empregos, que nada mais era que um trambique bolado por um chinês de Taiwan,
interessado em vender máquinas de costura, e posteriormente preso em Manaus, por estelionato. O Pólo foi festivamente inaugurado por FHC, e hoje emprega
apenas 400 pessoas, pagando salários miseráveis. O projeto Usimar, com previsão de investimento de R$ 1,3 bilhão, que foi aprovado rapidamente pela SUDAM (com o empenho pessoal de Roseana e seu marido, Jorge Murad). Levantou R$ 44 MM, que sumiram sem deixar rastro, e está sendo investigado pelo Ministério Público, que abriu ação civil contra o casal. O caso Salangô, que há anos recebeu R$ 60 MM para produzir arroz e cítricos, hoje não produz nada,
e está sendo investigado pelo TCU, por graves irregularidades e superfaturamento. O caso da despoluição da Lagoa de Jansen, R$ 60 MM, o projeto Italuis, R$ 300 MM, a “estrada fantasma” Paulo Ramos-Arame, US$ 33 MM,
etc…
– Mesmo que alguém consiga furar o bloqueio, e fazer alguma coisa com repercussão popular, sobre os desmandos e trambiques listados acima, vai ficar o dito pelo não dito, pois na Assembléia Legislativa do Estado, os Sarneys
controlam 36 votos de um total de 42, para barrar qualquer tentativa séria de apurar os fatos acima.
Foto do incomum: Folha Imagem.

3 pensamentos sobre “Lula, Sarney e o país de castas

  1. Acrescente à excrescência política a eleição agora de Renan Calheiros para presidir o Senado e de Henrique Alves, para presidir a Câmara de Deputados. Podem rasgar os cartazes de wanted, os criminosos têm lugar catigo no Congresso Nacional. Tome vergonha, nação brasileira!

  2. O Brasil é tão contraditório…
    Ao mesmo tempo que tem a beleza natural, uma natureza generosa, tem seres na política particularmente nojentos. E são eles que terminam o que o país tem de bom.

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