Da paralisação dos ônibus ao retorno dos arenistas

O sindicato mandou parar, os motoristas param. O passageiro perde o dinheiro da passagem e vai a pé

O sindicato mandou parar, os motoristas param. O passageiro perde o dinheiro da passagem e vai a pé

Quinta-feira, 23 de abril de 2009. Na capital da Bahia. Milhares de passageiros são largados no meio do caminho. Atendendo a ordem do sindicato dos rodoviários, motoristas encostam os veículos no passeio que circunda o Estádio da Fonte Nova. Era pouco mais de 8 horas da manhã. Logo, a fila de ônibus alcançava três quilômetros.
A maioria dos motoristas sequer sabe por que para. Como autômatos, param. Aos passageiros, jovens e velhos, só resta descer do ônibus, esquecer o abuso e o prejuízo – trata-se de um setor que cobra pelo serviço antes de fazê-lo – e caminhar. O sindicato também age automaticamente – dizem por aí que em acordo com o sindicato patronal, mas quem prova? – e só sabe fazer isso: parar os ônibus. E pensar que em uma greve de rodoviários em Portugal, inteligentemente os profissionais continuaram rodando, apenas não cobraram passagens. Rapidamente, patrões e políticos entraram em cena e sentaram à mesa para discutir as reivindicações dos inteligentes grevistas.
Aqui, no entanto, as greves são empurradas com a barriga por patrões e empregados e o tal do usuário que dê seu jeito.
Inferno de Dante? Nada, Estação da Lapa, durante a paralisação dos rodoviários

Inferno de Dante? Nada, Estação da Lapa, durante a paralisação dos rodoviários

Mas voltando ao sufoco da quinta, depois de andar pela calçada do estádio, subi as escadarias que levam ao Jardim Baiano, de lá caminhei mais um pouco para chegar ao Campo da Pólvora e daí andei pela Avenida Joana Angélica até chegar ao trabalho. Velhos e crianças vinham no mesmo percurso, sofrendo. A cidade está muito desorganizada e falo do ponto de vista da acessibilidade. A dificuldade é grande para andar nas ruas do Centro. A venda de CDs e outros piratas toma conta das calçadas. As vias demarcadas para cegos e outras pessoas com deficiências desapareceram, em cima delas há barracas.
O caos imperando. O prefeito só tem mesmo o nome do sujeito que se destacou no Parlamento. E as notícias são as de sempre: “Governador faz mais uma viagem para o exterior. A 13ª”, referindo-se à ida de Wagner para a Índia. Seria influência da novela da Glória Perez? Acho que não, prefiro acreditar que foi mesmo tentar atrair a atenção de empresários indianos para a Bahia. Outra notícia: “Secretário de Segurança representa governador na Áustria”, e de quebra o torna onipresente.
No mais, os assaltos – não mais em a, de tão rotineiro – em ônibus, que aumentaram, crescendo também a estatística de mortes; a dengue ameaçadora; a educação sem professores e sem Piso; e a dificuldade de fazer críticas. O patrulhamento continua insano. Por isso não custa lembrar a quem se perturba com críticas a governantes ditos de esquerda: criticar mantêm vivos mandatários e quem lhes outorgou o mandato.
Como não criticar e ficar preocupado? Na área federal, a decepção aumenta. “O cara” está exagerando. Pegou para líder quem foi líder do governo anterior e todos pensavam que ia parar por aí. Nada. Hoje, Sarney, Collor, Renan e outros menos votados com origem em Arena e PDS estão ombreados a Romero Jucá. E o Lula, lá. Será que ele pensa que essa turma não cobra pedágio, pois sim!

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