No futebol baiano, gestor da FBF se perpetua no poder

O designer/diagramador, grande conhecedor da história futebolística Humberto Pitanga faz uma reflexão crítica interessante sobre a Federação Bahiana de Futebol. Confira.
FBF tem um reizinho na direção, afirma Humberto Pitanga

FBF tem um reizinho na direção, afirma Humberto Pitanga

FBF: a monarquia do futebol baiano
Por: Humberto Pitanga
Há muito tempo quero trazer à baila essa discussão. Como hoje (22 de abril de 2009) passou dos limites, chegou a hora.
Como podemos ter clubes competitivos no cenário nacional, se o nosso futebol é administrado de forma tão amadora?
O presidente da Federação Bahiana de Futebol (reizinho do futebol baiano) teve um contato imediato com São Pedro e este lhe disse que era pra adiar a segunda rodada da semifinal do Campeonato Baiano por que ia chover muito e que reprogramasse para o dia seguinte, porque na quinta-feira ele ia pegar leve no temporal que cai em Salvador.
Nunca ouvi falar que uma partida de futebol fosse adiada com 3, 4, 5 horas de antecedência (sei lá quando foi esse papo do reizinho com São Pedro) por causa de tempo ruim.
Essa é uma atribuição do árbitro que ao chegar ao estádio, no horário programado, faz a verificação das condições da praça esportiva para a prática do futebol. Cabendo, somente a ele, determinar o adiamento de uma partida.
O que vem acontecendo no futebol baiano, e ninguém fala nada, é estarrecedor.
O Bahia, por exemplo, veio disputar uma partida que estava programada pra ser realizada no dia 21/01, pela segunda rodada do primeiro turno, no dia 31/03 entre a 18ª e a 19ª rodada. Essa rodada foi adiada porque, à época, o Estádio de Pituaçu ainda não estava liberado. Logo de início marcou-se uma nova data para o sábado de Carnaval. Tendo o reizinho esquecido que, com a festa, não haveria efetivo militar disponível para mais um evento que atraísse grande público.
Uma nova data foi marcada. Imaginando que o Bahia eliminaria o seu primeiro adversário na Copa do Brasil com um jogo só, programou-se a data reservada pela CBF para o jogo de volta. Não deu certo. O Bahia não venceu seu adversário por um placar com dois gols de diferença. Aí deu, no que deu. Calendário apertado para o Bahia.
O mesmo problema aconteceu com o Vitória, que também não eliminou seu primeiro adversário no jogo de ida. Mas não foi tão ruim, pois ele não tinha partida a fazer pelo Campeonato Baiano.
Agora, o Sr. Ednaldo Rodrigues, dando uma de meteorologista, adia uma rodada de forma irresponsável, comprometendo todo o planejamento dos clubes para a final da competição mais importante promovida pela entidade que ele preside há quase uma década e que não dá mostras de querer deixá-la.
Arrecadação
 
Até a 23ª rodada, dia 19/04/2009, foram arrecadados em todos os jogos um total de R$ 8.113.067,50 (oito milhões, cento e treze mil, sessenta e sete reais e cinquenta centavos), deste total a Federação Baiana de Futebol tem direito a 5% R$ 405.653,37 (quatrocentos e cinco mil, seiscentos e cinquenta e três reais e trinta e sete centavos). Esses dados foram colhidos no site da entidade: www.fbf.org.br.
Despesas nos jogos para a Federação não existe. O quadro móvel (que eu não sei bem o que é) é pago pela renda arrecadada, fora dos 5% da renda bruta que cabem à FBF. A arbitragem também está fora desses 5%. Exame antidoping (quando tem) é fora. Tudo é fora desses 5%.
Só para dar um exemplo. No Ba-Vi do Pituaçu, a renda bruta foi de R$ 936.680,00. A Federação Bahiana de Futebol, com seus 5% ficou com R$ 46.834,00. Bom, não?
Até quando o resultado da renda é péssimo, a FBF se dá muito bem. No jogo Vitória x Camaçari, no dia 18/02/2009, para um público total de 3.001 (o curioso é saber quem é esse 1), houve uma renda de R$ 25.275,00. A renda líquida do Vitória foi de R$ 2.235,86. Some-se a essa renda, o valor do aluguel do campo que é de propriedade do clube – R$ 2.527,50. Mas o clube tem todas as despesas para manutenção do equipamento.
Agora, pasmem. Nesse jogo que teve uma renda de R$ 25.275,00 e que o Vitória só arrecadou R$ 2.235,86, a FBF ficou com R$ 1.263,75!
Os cargos mais importantes da nação: prefeito, governador, presidente da República só podem ser exercidos pela mesma pessoa duas vezes consecutivas. Mas numa entidade como a FBF o gestor se perpetua no poder.
Está mais do que na hora dos clubes, da imprensa, da sociedade de um modo geral começar a pensar sobre isso. É preciso haver uma alternância de poder nas federações e, principalmente, nas confederações.
Indignado,
Humberto Pitanga

5 pensamentos sobre “No futebol baiano, gestor da FBF se perpetua no poder

  1. Prezado Humbeto Pitanga, já dizia o outro:
    “PENSE NO ABSURDO, NA BAHIA EXISTE”

    O homem não quer deixar de mamar na teta. E quem não critica também.

    Deive Pacheco Rebouças

  2. esse ednaldo é um FDP e o futebolzinho da Bahia não vai evoluir enquanto esse ele estiver no poder. Já estamos no fundo do poço!!!

  3. Sou louco por futebol e adorei este indignado texto de Humberto Pitanga. Na verdade, o presidente da FBF, Ednaldo Rodrigues, tem tomado atitudes não muito corretas como administrador do futebol profissional da Bahia.
    Político, vivo, vem procurando, como interiorano, fortalecer suas bases municipais em detrimento de Salvador. Com uma população como tem a capital, Ednaldo não procura estimular, como seria natural, a volta de clubes tradicionais como Galícia, Ypiranga, Botafogo, e até mesmo o Leônico, ao profissionalismo, criando uma 2ª Divisão de respeito e com acesso de, pelo menos, três clubes, mesmo que isto significasse uma ampliação no número de agremiações na divisão principal.
    Ocorre, justamente, o contrário: cidades com populações que nem perto chegam a de Salvador e que já têm representantes na divisão especial, são incentivadas pelo presidente Ednaldo, em nome do fortalecimento de sua base política e administrativa no interior, a inscrever equipes na 2ª Divisão, ensejando, quem sabe, num futuro próximo (Deus não vai permitir), Camaçari e Camaçariense, Fluminense, Feirense, Astro e Bahia de Feira, Juazeiro e Juazeirense, Conquista e Humaitá e por aí vai.
    Em 1967, quando o presidente Carlos Alberto de Andrade interiorizou o futebol baiano – até então só tinha o Fluminense de Feira, que começara a participar do campeonato baiano em 1954 – a cidade de Ilhéus, que dispunha de grandes equipes, ao lado de Itabuna, na época do amadorismo, fracassou ao inscreveu três clubes: Colo-Colo, Flamengo e Vitória.
    Mas voltemos à chuva. Aí, Ednaldo não errou. Ele pode até ter sido autoritário, concordo, mas ele pode, como presidente da FBF, acima de duas horas antes do horário previsto para o início das competições, adiar a programação (elaborada pela própria entidade que dirige, por se tratar de campeonato baiano). A autoridade somente será do juiz a partir de duas horas antes do começo do jogo.
    Um abraço forte,
    Antônio Matos

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