O adeus a Jônatas Conceição

 

Jônatas foi um incansável lutador contra o racismo

Jônatas foi um incansável lutador contra o racismo

Ontem (sexta-feira, 3 de abril de 2009) nos despedimos de Jônatas Conceição.

Conheci Jônatas na Rádio Educadora, início dos anos 80. Nos momentos de descontração, Luís Cláudio Garrido pirraçava o militante das causas antirracistas sugerindo que ele não era negro. Todos curtíamos a indignação de Jônatas. Ele era assim em tudo que fazia. Defendia suas ideias com firmeza, mesmo nas brincadeiras. Aos sábados, participava do tradicional jogo de futebol dos amigos, atividade mais conhecida por baba. Deixou de jogar depois que adoeceu.

Foi dele a ideia de fazer uma reportagem sobre o negro no futebol, para o jornal do Movimento Negro – ele foi um dos fundadores –, me pediu e assim foi feito, há quase 20 anos.

Graduado em Licenciatura em Letras Vernáculas com Francês pela Universidade Federal da Bahia (1975) e mestrado em Letras e Lingüística pela Universidade Federal da Bahia (2004), integrou o conselho editorial da Revista Outros Sertões, foi diretor da Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê, radialista do IRDEB, se destacava produzindo programas sobre a História da Bahia, para a Rádio Educadora; editor do Caderno de Educação do Ilê Aiyê e professor de literatura da UNEB.

Confira reportagem publicada no Mundo Afro, em A TARDE, e outros links sobre o querido Jônatas.

http://mundoafro.atarde.uol.com.br/tag/jonatas-conceicao/

http://www.aldeianago.com.br › Artigos › Comportamento

jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=6

opiniaosuica.blogspot.com/2009/04/homenagem-jonatas.html

atarde.uol.com.br/noticias/imprimir/1267205

7 pensamentos sobre “O adeus a Jônatas Conceição

  1. Como me lembro do meu professor. Hoje, 12.01.16, estou saudosista e as reminiscências vem a cada dia que lembro de todos que foram peças importantes na minha trajetória profissional. Saudades do meu professor Jônatas. Gostaria se possível de encontrar alguns materiais de publicação do professor caso alguém tenha entre em contato, ainda existe a premiação que leva o nome do professor Jônatas?

  2. Pingback: Antônio Dias

  3. Tenho um prazer de dizer que esse homem se fez presente de mais na minha trajetória acadêmica e ainda hj guardo as mensagens de que Jônatas me enviava. Sou fã e admirador desse educador. Saudades do meu Professor.

  4. Pingback: Sarau em homenagem a Jônatas « Blog do Brown

  5. Oi Bonfa, segue um textinho (hum) sobre Jonatas

    Aguenta, coração velho.
    Hoje, sábado, saí cedo com Marília, minha mulher, eu em jejum, para fazer exame de sangue. Na volta, pego o jornal na portaria, e da minha queridíssima Cleidiana Ramos recebo uma notícia como uma bala: Jonatas Conceição morreu.
    O poeta, militante do Movimento Negro, professor e, sobretudo meu amigo, de mais de 30 anos, foi enterrado, às 16h30, de sexta-feira, mesmo dia da morte. Não sabia que estava doente. Câncer…
    Última vez que o vi, acho que foi ano passado na porta do Museu do Ritmo, no Mercado do Ouro, pouco antes de começar a versão (louquíssima pra variar) de José Celso Martinez sobre a guerra de Canudos.
    Sorrimos, eu mais gaiatamente e ele mais tímido como sempre, fizemos sinal de positivo a distancia. Se soubéssemos (Como? Não sei) que não nos veríamos mais, tenho certeza que o encontro seria mais próximo, eu daria um abraço, ele apertaria minha mão, perguntaria as novidades, fazendo esforço para não gaguejar, e chamar-me-ia, como sempre fez, de Abelha, um apelido de infância que pouquíssimos ainda usam – para mim é uma espécie de teste de carbono sobre o tempo que me conhecem.
    Agora que Jônatas disse adeus, aos 56 anos, serei Abelha para menos gente fora do círculo familiar: Maria Luiza Bairros, a secretaria de Promoção da Igualdade Racial e os jornalistas Gutemberg Cruz (Gugu), Osmar Martins (Marrom), Raimundo Souza (China), o mecânico Dilsinho e família, de Cidade Nova.
    Chorei, chorei, chorei (pode ironizar, Dantão, mas não me envergonho, de chorar quase todo dia desde que fiz a cirurgia do coração), pensando em Jônatas, que ainda na Liberdade, brincava comigo e com minha filha Cristiana, à época com uns dois, três anos (hoje 33, desculpe revelar Thyana): “Abelha, esta menina ainda vai ser Deusa de Ébano do Ilê”.
    Anos depois, trabalhamos juntos na revisão de A TARDE, e depois no Irdeb duas vezes, a última na rádio Educadora, onde ele apresentava um programa sobre música afro-brasileira, sobretudo do Ilê Aiyê, do qual era diretor há muito tempo.
    Após o choro, contei a Marília, que o conhecia de vista e de encontro formais, e relembrei um encontro que tive com ele, há quase nove anos (Paulo Leandro, jornalista, sabe todas as datas, mas quem me socorreu foi outro colega, José Pacheco) na Rua do Paraíso, um ou dois dias depois de eu dar uma entrevista em A TARDE sobre o fechamento da sucursal da Gazeta Mercantil em Salvador (7.11.2001) e a demissão de todos os jornalistas. Jônatas disse que logo, logo, eu estaria em outro emprego, perguntou pelos meus filhos, por Vina, minha ex-mulher. Arrematou a conversa com uma frase: “Fora trabalhar, o que é que você está fazendo contra o Estado?”
    Hora do encantamento
    Marília me deu um café da manhã cheio de frutas e sucos. Depois, convidou: Vamos pro quarto descansar, no ar condicionado. Eu disse que queria ficar na sala, um pouco, pensando em Jonatas e tocando. Ela então ordenou: Vamos para o quarto, traga o violão. Fazer o quê? Ela deitou, se protegeu do friozinnho, fez um tralalá numa música, quando cantei Coração Leviano disse ” tá bonito, mas cante mais baixo que já estou perto do paraíso”, disse com os olhos fechados. Tá legal, respondi, mas já em estado de encantamento, fechei a porta devagarzinho, peguei um papel oficio, fui pra sala silenciosa (Chico, meu filho, ainda dormia, e Marta, que cuida dele, é o silencio em pessoa) e comecei a compor. Acho que em pouco mais de uma hora e meia, eu já estava guardando no velho gravador de fita cassete a canção que fiz para o meu amigo que partiu sem me dar um abraço.
    Poucas músicas me lavaram tanto a alma. Marília adorou. Mas não mostrei a todos que foram lá em casa neste sábado de dor e criação. Dantão e Gil Maciel foram exceção. Gil pirou de vez, analisou a frase de Jônatas ,esbugalhou os olhos, destacou as misturas de ritmo, viu rock e jazz onde acho que é reggae, disse que era linda e chorou, mas discretamente.
    Dantão ouviu, compenetrado, algumas vezes olhando o rascunho que estava no sofá, começou a cantar comigo, elogiou muito (algumas vezes, com olhos molhados, mas sem chorar ) . Ele e Marília, assim como Gil, discutiram a pergunta de Jônatas. Ela quis saber minha resposta, ele perguntou se o falecido era anarquista e apresentaram vários projetos para a música de Jonatas. Na despedida, já na porta do elevador, Dantão falou: “Que música massa”.
    Vou tentar postar no meu blog Coisas do Coração (adilsondechico.wordpress.com) Espero, sobretudo, que Ana Célia, irmã de Jônatas, goste.
    Batizei-a de “Assim falou Jônatas Conceição”

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