Waldir Pires dá aula de cidadania

O Dr. Waldir, diplomaticamente, fecha qualquer espaço ao autoritarismo

O Dr. Waldir, diplomaticamente, fecha qualquer espaço ao autoritarismo

Chegamos à metade do primeiro mês do Ano-Novo, mas vou falar de assuntos referentes a 2008. O comentário deveria ter sido feito quando os fatos aconteceram, mas a roda-viva faz a gente adiar tanta coisa importante. Bom, destaco a educação, diplomacia, mas nem por isso deixando de ter a altivez que se espera de um cidadão digno, do Dr. Waldir – como a maioria chama carinhosamente o ex-ministro e ex-governador Waldir Pires.
 
No início de dezembro, reportagem de A Tarde sobre a sessão no Tribunal de Justiça da Bahia do julgamento do assassino de Natur de Assis, afirmava que o desembargador Gilberto Caribé – me lembra o colega dele do STF, Gilmar Mendes, não sei porquê – teria dito, a respeito da presença de Waldir Pires e Nilmário Miranda, então ministros do governo, no júri, em Feira de Santana, em 2004, que eles estavam no plenário “como se não tivessem nada para fazer”.
 
Utilizando o Espaço do Leitor, em 5 de dezembro, Waldir Pires comentou:

 

“É claro que compareci ao Tribunal do Júri, na cidade de Feira de Santana, em abril de 2004, com o sentimento do maior respeito à dignidade da pessoa humana, para a afirmação, entre todos, do maior dos seus direitos, que é o da vida. Não se pode tratar, levianamente, o direito à vida. O Tribunal do Júri é a grande instituição constitucional, simbólica, republicana, para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. O assassinato do cidadão Natur de Assis, em Ubaíra, no ano de 2001, sensibilizou-nos, profundamente, a todos. A mim, sobretudo, porque conhecera e convivera com seu pai, poeta baiano de nossa geração, meu colega de ginásio, no Clemente Caldas, de Anísio Melhor, em Nazaré das Farias; e, posteriormente, também conhecera sua mãe, grande lutadora pelos Direitos Humanos, Kátia Assis. O crime que tirou a vida de um homem como Natur de Assis, decente, pacífico, honrado pela estima da população, em Ubaíra, foi um assassinato brutal, pusilânime, de um cidadão desarmado, que caminhara, sozinho, para tentar convencer, pelo aconselhamento, os facínoras que estavam intimidando a cidade e ameaçando famílias, dezenas de pessoas abrigadas e protegidas pela tranca das portas frágeis de uma residência. Meu ato de ir à Sessão do Júri tinha o sentido pedagógico, como ministro de Estado, da construção democrática de nossa cidadania. A lição de um dever que nos incumbe a todos, sobretudo, aos que transitória ou permanentemente, se encontrem no topo de funções do Estado Democrático, dos seus poderes Legislativo, Executivo ou Judiciário, a fim de que mereçam a credibilidade da população. Ensinar o apreço da regra fundamental da Democracia: ‘Todo poder emana do povo’. O senhor desembargador Caribe declarou que foi voto vencido e único do Tribunal de Justiça da minha terra. Voto único e inexplicável, salvo, quem sabe! Pela complacência com os tempos de arbítrio, que produz a impunidade, e que a Bahia e a Nação esperam que não retornem jamais” – Waldir Pires.
 
Dias depois, Gilberto Caribé, negou que tivesse dito o que a reportagem afirmara sobre a presença dos ministros. O jornal não se posicionou se o texto do repórter estava equivocado ou se o desembargador criticara mesmo a presença dos ministros no júri.

2 pensamentos sobre “Waldir Pires dá aula de cidadania

  1. Pingback: Anônimo

  2. Bomfim, que excelente oportunidade você nos dá de falar sobre essa figura, essa personalidade, esse estadista que é Waldir Pires. Um dos poucos políticos baianos que nos enche de orgulho. Outro dia postei um comentário no Nublog sobre esse mesmo episódio do desembargador Caribé, lembrando que Waldir será sempre o nosso SENADOR, de fato, ainda que não tenha sido de direito (alguém duvida que ele ganhou aquela eleição do desconhecido Waldeck Ornelas?). Um POLÍTICO, assim mesmo com todas as letras maiúsculas, contra quem as maiores acusações são falar com os olhinhos fechados e ser “moleza”. Mil vezes a moleza do que a malvadeza.
    Grande Waldir, como diz nosso querido Alvinho da Praça do ….(hehehe), colega da Câmara Municipal. O nosso senador/ministro estava acompanhando o tal júri em Feira de Santana, em 2004, justamente por ser um político, um cidadão, comprometido com os direitos humanos, com a democracia. Graças a Deus o desembargador Gilmar Mendes, quer dizer Caribé, foi voto vencido. O assassinato do Natur não poderia mesmo ficar impune. E o Dr. Waldir estava lá, como deveriam estar muitos outros políticos e juristas baianos.
    Outra coisa que sempre me impressionou em Waldir Pires foi o amor que fazia questão de declarar a Yolanda. Eles não só eram como demonstravam ser felizes um com o outro. Uma emoção que me fez chorar no velório de Yolanda, no plenário da Câmara, por reconhecer a dor que aquele homem estava sentindo. Um homem, de fato, para ser homenageado em vida.

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