Desembargadora não disse a que veio

Prédio do TJ, apelidado de Sukitão por motivos óbvios

Prédio do TJ, apelidado de Sukitão por motivos óbvios

Quando se fala em Tribunal de Justiça da Bahia, no exercício de 2008, vem logo a lembrança da obscuridade sobre a venda de sentenças. Impossível não lembrar. Ficou provado que advogados compravam sentenças. Advogados chegaram a ser presos, lembra-se? Sim, mas e os vendedores de sentença?
 
A desembargadora Silvia Zarif chegou a anunciar que em coletiva de imprensa revelaria os nomes dos vendedores de sentença. A expectativa foi geral, afinal, quais seriam os juízes e desembargadores que estavam fazendo papel de agente duplo?
 
Chegou o momento esperado e veio a decepção, Sílvia Zarif ficou com a opinião do desembargador Gilberto Caribé de que melhor seria não revelar os nomes dos vendedores. Resultado: advogados libertados e, pelo menos, oficialmente, nenhuma revelação sobre os vendedores de sentença.
 
No Espírito Santo, a Polícia Federal chegou a prender o presidente do Tribunal de Justiça de lá. No Maranhão, a venda de sentenças também estourou e a polícia agiu, agora em janeiro. Na Bahia, optou-se pelo abafamento.
 
A nuvem paira até hoje no TJ da Bahia. Um caso muito sério, a venda de sentenças, está fadado ao esquecimento. Do governo estadual, que em outros tempos representaria a esquerda no poder, não se ouviu nem um piu, aliás, nem muxoxos. E a imprensa, que começou a averiguar o caso com alguma tenacidade, esqueceu rapidinho.
 
Assim, a primeira mulher a presidir a maior instância judiciária do Estado da Bahia fica lembrada por esse triste – para a democracia e a informação pública – episódio. Mas não é só. A desembargadora que assumiu falando em mudanças de horário de atendimento ao público nas repartições judiciárias, foi manchete em 3 de dezembro nos jornais. Ela explicava que houve “desvirtuamento proposital” do objeto de licitação para o TJ adquirir tapetes estilo persa. Disse à imprensa que “foi uma coisa orquestrada” e que teria sido um crime, “que vai ser apurado”. A apuração deve ser muito sigilosa, porque ninguém soube nem falou mais no caso.
 
Bom, o barulho sobre o assunto pelo menos impediu que os tapetes persas chegassem à alta corte de Justiça da Bahia.

Um pensamento sobre “Desembargadora não disse a que veio

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