Médicos denunciam uso de explosivo experimental por Israel em Gaza

Enquanto alguns tentam justificar a crueldade dos ataques do exército israelense, buscando argumentação no “quem começou primeiro”, jovens e crianças vão sendo dizimadas em Gaza. Na mídia ocidental a opinião bushniana da guerra é que basta. Para os defensores da crueldade, a guerra é um game de mocinhos e bandidos.
Para contrariar os que pensam assim a cada dia aumenta o número de jovens israelenses que se recusam a integrar o exército. Há até um movimento internacional para salvar esses jovens da prisão e dos trabalhos forçados determinados pelos chefes militares. Esses jovens são os SHMINISTIM. Confira o pedido de socorro deles.

Duas reportagens sobre o laboratório em que está se transformando Gaza – não foram os judeus que foram cobaias dos laboratórios nazistas? – e as atrocidades sofridas por civis indefesos, descritas no competente texto de Robert Fisk, chamaram minha atenção.
Israel utiliza os ataques à população de Gaza para testar suas novas armas

Israel utiliza os ataques à população de Gaza para testar suas novas armas

Vítimas e cobaias
Copenhague, 13 jan (EFE)- Os médicos noruegueses Erik Fosse e Mads Gilbert, que passaram 11 dias trabalhando em um hospital da Faixa de Gaza, acusam o Exército de Israel de usar em seus ataques um explosivo de tipo experimental conhecido como Dime (Dense Inert Metal Explosive), informa hoje o jornal “Aftenposten”.

O Dime é uma mistura de um material explosivo e outro químico como o tungstênio e cujo raio de alcance é relativamente curto, mas muito efetivo.

Os dois médicos baseiam suas acusações nos corpos mutilados que examinaram durante seu trabalho no hospital de Shifa e que, segundo eles, mostram “claros indícios” de terem sido atacados com esse explosivo.

“Há uma forte suspeita de que Gaza está sendo usada como laboratório de testes para novas armas”, disse Gilbert.

Fotos de corpos de palestinos com ferimentos que teriam sido causados por Dime foram enviadas a um centro em Tromso, no norte da Noruega, que, em uma primeira análise, deu razão aos médicos.

Gilbert e Fosse retornaram ontem pela tarde a Oslo procedentes de Gaza, aonde chegaram antes do Ano Novo.

Os dois colocaram em dúvida os dados de alguns meios de comunicação ocidentais e denunciaram que o alvo prioritário dos ataques israelenses era a população civil, além de considerar esta invasão pior que a de 1982 no Líbano, onde então também atuaram como médicos. EFE

Robert Fisk: “Por que nos odeiam tanto?!”
Assim, mais uma vez, Israel abriu as portas do inferno sobre os palestinenses. 40 refugiados civis mortos numa escola da ONU, mais três noutra. Nada mau, para uma noite de trabalho do exército que acredita na “pureza das armas”.
Não pode ser surpresa para ninguém.
 
Esquecemos os 17.500 mortos – quase todos civis, a maioria mulheres e crianças – de quando Israel invadiu o Líbano, em 1982? E os 1.700 civis palestinos mortos no massacre de Sabra-Chatila? E o massacre, em 1996, em Qana, de 106 refugiados libaneses civis, mais da metade dos quais crianças, numa base da ONU? E o massacre dos refugiados de Marwahin, que receberam ordens de Israel para sair de suas casas, em 2006, e foram assassinados na rua pela tripulação de um helicóptero israelense? E os 1.000 mortos no mesmo bombardeio de 2006, na mesma invasão do Líbano, praticamente todos civis?
 
O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham-se preocupado com poupar civis. “Israel toma todo o cuidado possível para evitar atingir civis”, disse mais um embaixador de Israel, apenas horas antes do massacre de Gaza.
 
Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. Se George Bush tivesse tido coragem para exigir imediato cessar-fogo 48 horas antes, todos aqueles 40 civis, velhos, mulheres e crianças, estariam vivos.
 
O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. “Atrocidade” é pouco, para descrever o que aconteceu. Falaríamos de “atrocidade” se o que Israel fez aos palestinenses tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de “crime de guerra”, de matança, de assassinato em massa.
 
Depois de cobrir tantos assassinatos em massa, pelos exércitos do Oriente Médio – por sírios, iraqueanos, iranianos e israelenses – seria de supor que eu já estivesse calejado, que reagisse com cinismo. Mas Israel diz que está lutando em nosso nome, contra “o terror internacional”. Israel diz que está lutando em Gaza por nós, pelos ideais ocidentais, pela nossa segurança, pelos nossos padrões ocidentais.
 
Então também somos criminosos, cúmplices da selvageria que desabou sobre Gaza.
Leia mais – Páginas: 123

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