Israelense já nasce com uniforme e metralhadora?

Mais uma vez vem de Socorro Araújo ótimas informações para o nosso dia-a-dia de notícias. A respeito do massacre do governo israelense na Faixa de Gaza, uma jornalista de Israel fala sobre o assunto, demonstrando principalmente o quanto é terrível para uma nação ficar à mercê do poderio militar.
 
A seguir, é Socorro Araújo quem faz a introdução para a entrevista de Amira Hass.

 

‘Estava pensando como desejar pra vocês um feliz ano novo num momento como este sem parecer insensível diante do que acontece na Terra Santa. Como ver imagens de crianças mortas por estilhaços de mísseis e enviar um cartão com estouro de champanhe? 
 
Mas, acreditem, achei um motivo pra desejar, sim, um feliz ano novo. Lembram a música, acho que de Gonzaguinha, que diz “fé na vida/fé no homem/fé no que virá…”? Pois bem, foi mesmo no meio das notícias desse conflito que encontrei o personagem do meu cartão de esperança no futuro e de fé no homem. No caso, uma mulher, uma jornalista chamada Amira Hass. Filha de sobreviventes do holocausto, ela foi a primeira e única jornalista judia israelense a se instalar no território palestino ocupado pelas forças israelenses. Seu trabalho como correspondente do Haaretz, o principal jornal liberal do país, começou em 1993 na Faixa de Gaza. De lá foi para Ramalá. “Me chamam de correspondente para assuntos palestinos; na verdade, deviam dizer que sou especialista em ocupação israelense“, diz ela.
 
Bom, gente, este texto foi tirado de uma matéria feita com ela em 2004 num jornal espanhol e publicada agora no blog Amálgama, mas Amira continua lá, ou pelo menos continuava até o início deste mês, quando foi detida por autoridades de Israel em Sderot, por ter entrado ilegalmente na Faixa de Gaza. Essa corajosa repórter israelense, respeitada pelos palestinos, pode substiuir neste instante a imagem daquelas crianças palestinas mortas.
 
Vejam um pouco sobre ela na matéria de Marco Lacerda no Amálgama”: 

 Amira Hass (em primeiro plano), jornalista israelense

Amira Hass (em primeiro plano), jornalista israelense
– Uma série de reportagens e colunas escritas por Amira entre 1997 e 2002 para o Haaretz foi recolhida no livro Crónicas de Ramala, inédito em português e publicado em espanhol pela editora Gutenberg Galaxy Madrid (2004). Os textos são um grito contra o sofrimento da guerra; expressam a opinião de uma jornalista independente e muitas vezes indignada com a dominação imposta aos palestinos por seu país. “A existência de Gaza explica toda a saga do conflito palestino-israelense“, afirma. “É a contradição do Estado de Israel: democracia para uns e exclusão para outros“.
Impedidos por lei de circular livremente, os palestinos são forçados a um regime de confinamento e toque de recolher. Tornaram-se habituados a viver em perigo constante, porque, onde quer que estejam, estão na mira de armas israelenses. Em certa ocasião, um menino, intrigado com o onipresença militar, perguntou à jornalista: “Os judeus já foram bebês como nós, ou já nascem crescidos, de uniforme e metralhadora?
Amira nasceu em Jerusalém no ano de 1956. Estudou história na Universidade Hebraica e em Tel Aviv, recebeu prêmios do Instituto Internacional de Imprensa e da UNESCO por seu jornalismo independente e de denúncia.”

 

Trechos da entrevista:

 

A criação do Estado de Israel foi um erro?
A criação do Estado de Israel deve ser entendida com base nos eventos históricos que a precederam, especialmente o genocídio perpetrado na Europa por sociedades avançadas. O sionismo, cujo objetivo foi estabelecer uma casa para os judeus, era uma das alternativas fornecidas pela diáspora para enfrentar o anti-semitismo, a perseguição e discriminação. Considerar a criação de Israel um erro seria ignorar uma das maiores barbaridades concebidas pela civilização ocidental-cristã: a indústria da morte criada pela Alemanha nazista.

Como pode uma filha de sobreviventes do Holocausto defender opiniões tão pouco simpáticas ao povo judeu?
As minhas críticas à política israelense são proporcionais ao meu amor pelo meu povo e seu futuro. Faço parte do povo judeu e, como tal, estou convencida de que não teremos um futuro seguro enquanto dependermos da superioridade militar. Nossa condição étnica particular não pode levar-nos a um comportamento grupal que inflija dor e sofrimento aos outros. A auto-crítica e a crítica dos regimes opressivos são valores judaicos antigos dos quais me orgulho.

Como jornalista e cidadã, o que você sonha para o futuro do seu povo e do seu país?
A experiência me ensinou a ser modesta até nos sonhos. Minha esperança é que meu povo perceba, antes que seja tarde demais, que a superioridade militar não garante a segurança e a vida normal na região. Paz e justiça não são incompatíveis. Será fácil estabelecer a paz na região a partir do momento em que rompamos com a política de exclusão imposta aos palestinos desde a criação do Estado de Israel em 1948.
Pra ler toda a entrevista: http://www.amalgama.blog.br/
Mais sobre o conflito nos blogs:  Diário do Oriente Mésio:  http://blog.estadao.com.br/blog/chacra/
e no Biscoito Fino e a Massa: http://www.idelberavelar.com/
Confira também em Visão Panorâmica: Israel, a solução final

 

4 pensamentos sobre “Israelense já nasce com uniforme e metralhadora?

  1. Agradeço a Indicação do Visão Panorâmica e gostaria de comentar que essas traduções são importantíssimas para um entendimento mais completo do que vai por lá e do sofrimento do povo palestino e israelense.

    Um abraço.

  2. Pingback: questão palestina — blog do brown «

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