O Vasco na Série B

Roberto Dinamite na coletiva à imprensa, no dia seguinte à queda

Roberto Dinamite na coletiva à imprensa, no dia seguinte à queda

Para um clube acostumado a grandes conquistas, sempre participando das disputas finais, a queda para uma segunda divisão é quase uma tragédia. Quase porque se o time faz uma excelente campanha na série B volta com prestígio e ainda mais forte para a primeira divisão. Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Coritiba e Corinthians são exemplos recentes disso.
Mas o contrário também está aí, para servir de exemplo negativo. O Fluminense quando caiu, desceu até à série C, junto com o Bahia, e só retornou graças a uma medida fortuita da CBF. Sport e Santa Cruz ficaram anos por lá. O Santa até já desceu para a C. O Guarani, campeão brasileiro de 78, agora subiu da C para B. Enfim, a tragédia só não se confirma se o time que cair retornar logo, no ano seguinte, e com uma campanha de time grande.
É o que a torcida do Vasco espera da equipe que irá representá-la em 2009. A queda foi como a morte de alguém que está muito doente. Você sabe que a pessoa vai morrer, mas mesmo assim se choca com o acontecimento.
Voltando um pouco no tempo. Enquanto o Eurico Miranda era diretor de futebol o Clube de Regatas Vasco da Gama estava bem das pernas. Uma temporada mais ou menos, outra excelente, como é rotina dos grandes clubes. De 2000 para cá, com Eurico na presidência tudo mudou pra pior. O jeito autoritário dele, métodos poucos ortodoxos de conduzir a administração, sem transparência, tornou o Vasco um clube antipático. Para piorar, nesses oito anos o Eurico brigou com a Rede Globo, com a CBF, com dirigentes de outros clubes e a partir daí as arbitragens passaram a prejudicar o time jogo após jogo. Na dúvida, bandeirinha ou juiz optava pelo adversário do Vasco, seguindo determinações superiores.
O clímax de tudo isso foi 2008. Péssimo ano! O time não teve pré-temporada, começou o ano com um torneio caça-níquel de Dubai e a partir daí a dupla Eurico/Romário cavaram a sepultura para a equipe cruzmaltina com mais intensidade. Tudo para Romário, que até em técnico se transformou, depois se desentendeu com o presidente e deixou o cargo para Alfredo Sampaio. O time decepcionava no campeonato estadual, mas é como se tudo estivesse bem. A participação na Copa do Brasil foi até as quartas-de-final, com o Vasco sendo garfado em casa (o juiz não deu um gol legal de Edmundo, na vitória de 2 a 1 sobre o Sport). No Brasileirão, más contratações, Antonio Lopes de técnico. A Justiça anuncia nova eleição e no final de junho Dinamite ganha e assume o mandato. Vingativo, Eurico saiu mas raspou o tacho, deixando o clube sem verba da TV, sem verba de patrocínio, e com muitas dívidas a pagar. Roberto Dinamite, é nota 10 na administração, consegue dinheiro emprestado para não atrasar os salários de atletas e outros funcionários, mas mal assessorado no departamento de futebol coloca Tita para treinar o time. A queda pelas tabelas é iminente. Renato Gaúcho chega como salvador da pátria, ainda dava tempo para evitar a queda. Mas nem o técnico nem o time demonstraram a força necessária.
Ao final e friamente a gente entende que um time que perde para Náutico e Figueirense, em casa; Ipatinga, fora; empata em casa com Atlético Paranaense, todos concorrentes diretos na luta para escapar do rebaixamento, não poderia mesmo tirar a diferença depois em times com campanhas e estruturas melhores.
Cai o Vasco. Time que primeiro adotou em sua equipe negros e operários. Odiado por essa ousadia até hoje. No inconsciente coletivo não foi perdoado pelos adversários. E continua ousado, desafiador. É o primeiro dos grandes clubes brasileiros a eleger um ídolo dos gramados. Roberto Dinamite, o maior artilheiro do Vasco e dos campeonatos brasileiros, respeitado por companheiros e adversários, tem agora a oportunidade de reconstruir a agremiação que o projetou para o mundo do futebol.
E a propósito de todo o ódio que alguns adversários sentem do Vasco, eu não poderia deixar de publicar o comentário do Dr. Sócrates, cracaço da Seleção Brasileira de 82, feito em 31 de outubro de 2008, na revista Carta Capital.
31/10/2008 17:09:55
Sócrates
Vasco a perigo
Não sei se o Vasco da Gama vai conseguir escapar ao rebaixamento nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. Não só por ter um time limitado, que ainda se deu ao luxo de abrir mão do seu melhor jogador, Morais, transferido para o Corinthians durante a competição. Mas principalmente pelo que está ocorrendo fora de campo, nos bastidores. Há uma verdadeira campanha orquestrada contra o atual presidente, Roberto Dinamite, a incluir, vejam só, políticos como o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia.
A derrota do antigo mandatário na segunda disputa, depois de um pleito anulado por fraudes diversas, ainda não foi devidamente assimilada pelo grupo, até então de posse do clube durante muito tempo. A reação tem sido extremamente agressiva. O objetivo é claro: derrubar Roberto e as suas boas intenções. O rombo no caixa da instituição é fenomenal e o deixa com as mãos quase atadas. Além da campanha vil, não devemos esquecer o fato de o antigo presidente, Eurico Miranda, comandante da empreitada, ter sido, vinte anos atrás, o primeiro diretor de futebol da gestão do eterno presidente da CBF, aquele que levou nosso futebol à era Dunga. Dessa forma, é bem possível haver uma ajudazinha da Confederação para derrubar o Vasco e seu presidente. Estejamos atentos para reagir contra eventuais atitudes que possam prejudicar o clube nesta reta final do torneio.
Fonte: Carta Capital

 

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