Moisés e Alcir morreram. Quem gosta de futebol fica triste

Jorginho Carvoeiro; Zanata; Ademir; Roberto Dinamite e Luis Carlos.
Dois ícones do futebol brasileiro. Dois símbolos do Vasco da Gama. Menino, em Conquista, eu idolatrava Moisés e Alcir Portela. O fã incondicional ficava ainda mais ligado quando ouvia as locuções esportivas de Waldir Amaral e Jorge Cúri. Alcir nunca foi expulso. Moisés, ao contrário, dizia que “zagueiro que se preza não recebe o Troféu Belfort Duarte”. Em 26 de agosto, o zagueirão Moisés morreu. Três dias depois foi a vez de Alcir.
 30/08/2008 – 00h20 ( – GloboEsporte.com)
 Alcir Portela nunca foi expulso
Do blog Sou mais Vasco
Três dias depois da morte do ex-zagueiro Moisés, faleceu mais um titular do Vasco na conquista do Campeonato Brasileiro de 1974. Na noite desta sexta-feira, morreu no Rio de Janeiro o ex-meio-campista Alcir Portela, 64 anos, vítima de câncer de próstata.Nascido em 9 de maio de 1944, Alcir Pinto Portela Prates foi o terceiro jogador com maior número de partidas disputadas pelo Vasco – 508 jogos no período entre 1963 e 75. Além de capitão do time campeão nacional em 74, integrou a equipe que venceu o Campeonato Carioca de 70.
Após pendurar as chuteiras, permaneceu ligado ao clube de São Januário, sendo funcionário do departamento de futebol por mais de 20 anos. Alcir assumiu nove vezes o cargo de treinador de forma interina. A primeira em 1989 e a última em 2001, antes da contratação de Hélio dos Anjos. Mas Portela foi demitido em 2005 durante a gestão Eurico Miranda. E nunca escondeu a mágoa com o afastamento.
Em junho passado, ao ganhar as eleições para a presidência do Vasco, Roberto Dinamite dedicou a vitória ao ex-companheiro de clube, que lutava contra a doença há oito anos. Alcir era casado e pai de dois filhos.
O enterro foi realizado às 15h de sábado, 30/08, no cemitério São João Batista, em Botafogo (Zona Sul do Rio).
Dinamite lamenta morte de Alcir Portella
O presidente do Vasco, Roberto Dinamite, fala sobre Alcir Portella, que faleceu na noite desta sexta-feira, aos 64 anos, completados no dia 9 de maio. “É uma notícia realmente muito ruim para todos nós. O Alcir para mim é especial. É claro que para o Vasco também, para a história do Vasco. O Alcir foi o meu primeiro capitão dentro do meu primeiro título – campeão brasileiro com a camisa do Vasco. Era uma pessoa realmente muito especial. Ele foi importante no início da minha carreira. Foi uma pessoa que realmente me ajudou muito. É uma semana, até certo ponto, muito triste para nós, vascaínos. Perdemos dois companheiros.
Histórias do Xerife Moisés
Sex, 29 Ago, 02h49
Por Celso Unzelte
Moisés Mathias de Andrade, o Moisés, foi zagueiro de Vasco, Bonsucesso, Botafogo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Portuguesa (SP) e Bangu, entre o final da década de 1960 e o início da de 1980. Morreu aos 60 anos, na madrugada de terça, 26 de agosto.
Durante toda a carreira, Moisés cultivou a fama de zagueiro mau, violento, e o apelido de Xerife. Tudo começou em um Vasco x Botafogo, em 1971, em que ele, ainda emprestado pelo Botafogo ao Vasco, quebrou a perna de Jairzinho. “Eu não entrei para machucar, não faria isso nunca”, defendeu-se na época Moisés. “Ele é um cavalo dentro de campo e uma moça fora dele”, acusou Jair.
Com o tempo, Moisés tratou de capitalizar a fama de durão a seu favor. Costumava dizer coisas como “comigo atacante não tem colher-de-chá”, “dividiu a bola é minha”, “dentro de campo eu esqueço até que tenho mãe”. E principalmente a frase com que entrou para a história do futebol: “Zagueiro que se preza não ganha o Belfort Duarte”. Ele se referia ao tradicional prêmio conferido aos jogadores com dez anos de atividade sem expulsões.
Na Seleção Brasileira, Moisés chegou a fazer parte da lista dos 40 pré-selecionados para a Copa do Mundo de 1974, ano em que foi campeão brasileiro pelo Vasco. “Se me quiserem na Seleção, estou aqui, prontinho”, costumava avisar.
Acabaria realizando uma única partida com a camisa amarela,um amistoso contra a União Soviética, em Moscou. Vitória brasileira por 1 a 0, no dia 21 de junho de 1973.
Moisés foi campeão carioca em 1970 e brasileiro em 1974 pelo Vasco. No Rio, teve passagens também pelo Bonsucesso, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Bangu, onde encerrou a carreira de jogador e começou a de técnico. Mas deixou sua marca também no Corinthians, onde foi campeão paulista em 1977, quebrando um jejum de 22 anos sem o título estadual.
Durante aquela campanha histórica, impôs respeito dentro de campo e também fora dele. Segundo suas próprias palavras, em depoimento dado a mim setembro do ano passado, Moisés precisou até dar uns “dois tapas de efeito moral” em um certo jornalista, que o acusou de estar fazendo corpo mole com a camisa corintiana.
Fora de campo, a paixão de Moisés era outro esporte, a pesca submarina. Gostava de contar que, certa vez, um tubarão “tirou o time de campo” ao perceber que sua possível vítima era o zagueirão… E foi por causa da saudade dessas pescarias semanais na Barra da Tijuca que Moisés forçou sua transferência para o Flamengo, em 1978.
Para convencer Vicente Matheus a liberá-lo, Moisés passou a ir todo os dias ao gabinete do presidente corintiano com roupa surrada e barba por fazer. Esfregou cebola nos olhos para chorar, gessou a perna, mostrou até papéis fajutos do INSS. E, afinal, conseguiu a liberação.

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